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Ir à praia em tempo de covid-19

Este ano, além do tradicional esforço para caber no biquíni, terá de preocupar-se em caber na praia, porque é preciso manter a distância, de modo a limitar o risco de contágio pelo novo coronavírus. Conheça as regras.

  • Dossiê técnico
  • Sílvia Menezes
  • Texto
  • Fátima Ramos
05 junho 2020
  • Dossiê técnico
  • Sílvia Menezes
  • Texto
  • Fátima Ramos
Visão aérea de uma praia pouco frequentada

iStock

A ida à praia, que tínhamos como dado adquirido, pode deixar de o ser. Este ano, além das precauções habituais com o sol, as correntes, as arribas e as picadas de peixe-aranha ou de alforreca, é preciso seguir as recomendações para afastar o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Esta tarefa cabe a todos e depende exclusivamente do bom senso de cada um. Dizem as autoridades que não haverá polícias a controlar entradas nos areais, a medir distâncias ou a aplicar coimas aos consumidores. Mas garantem que as aglomerações e a falta de respeito pelas regras podem fechar praias. Por isso, cada um terá de assumir a sua quota-parte de responsabilidade, para que todos possamos usufruir deste bem comum. 

Três regras a cumprir na praia

Primeiro, não deve frequentar a praia ou outro espaço público se apresentar sintomas de infeção por SARS-CoV-2, como febre, tosse seca, dificuldades respiratórias. Se os sintomas surgirem na praia, coloque a máscara e dirija-se ao posto de primeiros socorros, que terá uma zona de isolamento para casos suspeitos, e siga as instruções dos nadadores-salvadores ou do responsável pela gestão do posto.

Regra número dois: adote as medidas de higiene e etiqueta respiratória e mantenha a distância de segurança (no mínimo, um metro e meio) de pessoas que não pertençam ao seu grupo, seja qual for o local (areal, água ou parque de estacionamento), incluindo quando estiver a circular. Lave ou desinfete as mãos com frequência, em particular, à entrada e saída da praia, dos bares e das casas de banho.

Regra número três: sempre que se deslocar, leve calçado e máscara e siga os percursos indicados. Se precisar de aguardar pela sua vez, faça-o no exterior.

Lotação assinalada à entrada

De modo a respeitar as recomendações relativas ao distanciamento, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) definiu a capacidade máxima de cada praia marítima ou de interior. Esta informação está disponível no site da agência

De acordo com Francisco Teixeira, do Departamento de Comunicação e Cidadania Ambiental, da Agência Portuguesa do Ambiente, para controlar a ocupação, “estão a ser implementados diferentes mecanismos nas mais de 400 praias vigiadas no continente, que integrarão informação, quer do concessionário, da câmara municipal ou do nadador-salvador (com a frequência de duas em duas horas, ou menor, caso seja necessário), quer de sistemas automáticos de avaliação da ocupação do areal, utilizando algoritmos.”

A informação é fornecida ao consumidor através da aplicação móvel “InfoPraia”, bem como nas praias, onde deverá ser hasteada uma bandeira triangular verde, amarela ou vermelha, consoante a ocupação, avaliada no local. A verde corresponde a ocupação baixa (até um terço da capacidade), a amarela, a frequência elevada (entre um e dois terços da capacidade) e a vermelha, a ocupação plena. No caso das praias de pequena dimensão, com capacidade até 500 utentes, esta informação diz respeito a toda a praia. Nas de grande dimensão com uma só entidade concessionária, a informação respeita à área concessionada. Nas zonas não concessionadas, a informação é da responsabilidade das autarquias locais. Se houver divergência entre as indicações da app e as da praia, valem as da última.

Caminhos bem definidos e sinalizados

Além do nível de ocupação, que também poderá seguir através da app "Posso ir?", o edital da praia deve incluir as regras para a utilização da praia, incluindo as medidas excecionais para controlo da transmissão do novo coronavírus, horário de funcionamento dos serviços e respetiva localização, data de início e fim da época balnear. Tal como acontecia nos anos anteriores, deverão também apresentar os resultados das análises regulares à água, que são obrigatórias. Estas não contemplam o SARS-CoV-2, até porque, segundo os especialistas e à luz dos conhecimentos atuais, o risco de transmissão por esta via é muito reduzido.

A informação deverá ser afixada em local visível pelo concessionário, no caso das praias concessionadas, ou pela câmara municipal, nas restantes. A estas entidades cabe também a responsabilidade de definir os percursos de circulação. Segundo a lei, se a praia tiver mais de uma entrada, deverá haver vias exclusivas para entrada e  outras para saída. Se a área o permitir, devem ser criados caminhos perpendiculares e paralelos à linha da costa, para evitar a passagem aleatória entre quem está a apanhar sol. Todos os caminhos e respetivos sentidos devem estar bem sinalizados.

Estas são as vias por onde devem circular também, de preferência, os vendedores ambulantes, que são obrigados a usar máscara ou viseira. A disponibilização de alimentos deve ser feita com pinças.

Diversão condicionada

Se tem pouca paciência para estar parado no areal, pense se quer mesmo ir à praia. Este ano, jogos coletivos, só de cartas, monopólio ou outros que não impliquem sair do lugar. As atividades desportivas com mais do que uma pessoa estão proibidas, à exceção das aulas de surf e afins organizadas por escolas ou instrutores. Estas não podem incluir mais de cinco pessoas, que devem manter a distância de um metro e meio entre si, em terra e no mar.

Está também proibida a disponibilização de equipamentos de uso coletivo, como gaivotas, escorregas e chuveiros interiores de corpo e pés.

As barracas, toldos e colmos, além de estarem distanciados entre si – um metro e meio, no caso das barracas, e três metros, para os toldos e colmos –, só podem ser alugadas durante um período do dia (até às 13h30 ou a partir das 14h00), salvo se não houver procura, e albergam, no máximo, cinco pessoas. Entre utilizações, devem ser limpos e desinfetados pelo concessionário.

Queixas e reclamações

As normas para a utilização da praia são, este ano bastante restritas e exigem o empenho de todos. Se verificar que algo não está conforme, pode e deve dar conta das falhas ao concessionário da praia e à câmara municipal e à Autoridade Marítima Nacional, no caso das praias costeiras, ou ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente, se for uma interior. Estas duas entidades estão encarregadas de coordenar a fiscalização nas áreas que lhe estão destinadas. A ajuda de todos é imprescindível para podermos aproveitar o verão e manter a pandemia sob controlo

Vai à praia? Reveja a cábula

  1. Antes de sair de casa, verifique a lotação das praias, por exemplo, nas apps “Posso ir?” ou “InfoPraia”. Se houver indicação de frequência elevada ou completa (cor amarela ou vermelha), pondere a deslocação: pode não encontrar um lugar seguro para estender a toalha ou, mesmo para estacionar, caso vá de carro. Por precaução, além da toalha e do protetor solar, junte gel desinfetante e máscaras ao saco da praia. Não vale a pena levar bola, disco ou raquetes, porque não são permitidos jogos em grupo.
  2. Estacione o carro apenas nos locais autorizados e siga as recomendações indicadas no local. Deve estar bem sinalizado o caminho que leva à praia.
  3. Nos acessos à praia, use calçado, circule sempre pela direita, mantendo-se a um metro e meio de outros utentes, que não pertençam ao seu grupo. Siga os percursos assinalados, se os houver. Verifique as regras de conduta no edital, à entrada da praia,  e respeite-as à risca.
  4. Escolha um local que permita uma distância de, pelo menos, um metro e meio de banhistas de outros grupos – mantenha este distanciamento nas deslocações, à beira-mar e no banho. Caso tenha chapéu de sol, deve afastá-lo três metros dos que já estiverem no areal, contados a partir do limite exterior.
  5. Ser for ao bar ou à casa de banho, leve a máscara e calçado. Guarde dois metros de distância de segurança de outros utentes e dos funcionários e higienize as mãos à entrada e à saída.
  6. Quando sair da praia, siga os caminhos marcados, guarde a distância de segurança e deixe os resíduos nos contentores adequados. As máscaras, as luvas e qualquer outro equipamento descartável de proteção devem ser depositadas no do lixo indiferenciado, tal como os restos de comida e as pontas de cigarro.
     

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