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O que deve saber antes de viajar para os Açores ou a Madeira

As atrações podem estar fechadas ou com acesso condicionado, e há cuidados a ter para poder desembarcar e seguir sem contratempos. Antes de comprar o voo, consulte os avisos governamentais relativos às viagens.

  • Dossiê técnico
  • Nuno Carvalho
  • Texto
  • Alda Mota
30 julho 2020
  • Dossiê técnico
  • Nuno Carvalho
  • Texto
  • Alda Mota
Turista com chapéu e mochila nos Açores a observar a Lagoa das Sete Cidades

iStock

O ano de 2020 fez os Portugueses repensarem os seus destinos de férias. E quem tinha previsto ir a banhos nos arquipélagos anda com medo de ficar com o verão… em banho-maria.

Mas parece que, tal como no Continente, tudo está a retomar alguma normalidade – dentro do que é possível no contexto atual. Museus, restaurantes, lojas e pontos de interesse cultural, patrimonial, histórico, arquitetónico e arqueológico recomeçaram, no início de junho, aos poucos, a abrir portas, e já é possível sonhar com uma escapadela para os arquipélagos.

 

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Antes de voar

Há procedimentos que deve ter em conta. Para quem chega às Ilhas, além das boas práticas gerais para a prevenção e controlo da doença, os Governos Regionais exigem a avaliação da temperatura dos turistas à chegada. Antes de partir para a Madeira, o passageiro deve preencher um inquérito epidemiológico. Os viajantes são aconselhados a fazê-lo online nas 12 a 48 horas anteriores ao embarque. Já em relação aos Açores, à chegada têm de preencher uma declaração em que reconhecem ter conhecimento das formalidades que têm de respeitar para poderem circular. Em ambos os arquipélagos, o turista tem de apresentar resultado negativo num teste de despiste à covid-19 feito, no máximo, 72 horas antes do voo, de modo a minimizar a hipótese de ser fonte de contágio para a região. Mas existem alternativas para quem não tenha realizado o teste antecipadamente.

Que tipo de testes à covid-19 são exigidos aos turistas?

Tanto o Governo Regional dos Açores como o da Madeira exigem aos turistas a apresentação de um relatório de um teste de despiste ao vírus SARS-CoV-2 com resultado negativo feito, no máximo, 72 horas antes do voo num laboratório referenciado para a realização de testes à covid-19. É a data deste relatório que é tida em conta. Na Madeira, os resultados do teste podem ser enviados através do site www.madeirasafe.com nas 12 a 48 horas anteriores ao embarque, em conjunto com o inquérito epidemiológico preenchido, ou apresentados à chegada ao aeroporto. O custo dos testes é suportado pelo respetivo Governo Regional. Em princípio, para realizar o teste nestas condições, terá de apresentar comprovativo da reserva e do pagamento da deslocação, bem como um documento de identificação pessoal (bilhete de identidade, cartão do cidadão ou passaporte). O ideal é contactar previamente as autoridades madeirenses ou açorianas, para saber como proceder. 

Na falta do relatório que comprove uma análise negativa, ou no caso de a validade do documento estar ultrapassada, o turista tem de realizar, através da recolha de amostras biológicas, o teste de despiste ao vírus SARS-CoV-2 depois do desembarque, no aeroporto. Em ambos os arquipélagos, este teste é pago pelos Governos Regionais. Realizado o teste, os procedimentos variam consoante as regiões autónomas.

Na Madeira, o turista segue para o seu destino, mas tem de permanecer em confinamento até ter conhecimento do resultado do teste (algo que poderá demorar, no máximo, 12 horas).

Nesta região autónoma, o viajante que saia do arquipélago e regresse no período máximo de 72 horas é também obrigado a realizar o teste entre o 5.º e o 7.º dia depois do regresso.

Ainda na Madeira, o passageiro que se recuse a realizar o teste incorre no crime de desobediência, e as autoridades de saúde podem, no âmbito das suas competências, determinar o confinamento obrigatório pelo período de tempo necessário até se completarem 14 dias desde a sua chegada à região, em estabelecimento hoteleiro destinado para o efeito, ficando os custos da hospedagem por conta do viajante. 

Nos Açores, o turista deve permanecer em isolamento profilático no seu domicílio ou no local onde está alojado até ao resultado do teste (que pode demorar até 48 horas). Se a sua estada se prolongar por pelo menos uma semana, o turista tem de fazer novo teste logo ao 6.º dia.

Caso o passageiro se recuse a ser testado, pode optar por se isolar, em quarentena voluntária, num local indicado pelas Autoridades de Saúde Regionais para o efeito, até ser testado ou, se não o for, durante 14 dias. Os custos da estada no local designado são, neste caso, imputados ao turista.

O passageiro que se recuse a ser testado tem também a opção de regressar ao local de origem do seu voo ou viajar para qualquer aeroporto fora da Região Autónoma dos Açores, cumprindo, até à hora do voo, isolamento profilático em hotel indicado para o efeito.

Onde posso consultar a lista de laboratórios referenciados?
A lista de laboratórios referenciados para teste de despiste ao SARS-CoV-2 pode ser consultada no site da Direção-Geral da Saúde. Quem vá para os Açores deve optar por um dos laboratórios indicados na Lista de Entidades Convencionadas com a Região Autónoma dos Açores para despiste à infeção por coronavírus SARS-CoV-2.
Quando aterrar, vou ficar em quarentena? Que cuidados devo ter?

Face a um teste negativo e à ausência de sintomas que indiciem covid-19, tanto nos Açores como na Madeira o turista pode seguir para o seu destino, respeitando as medidas de higiene e distanciamento social e o uso de equipamentos de proteção individual sempre que se justifique, tal como acontece no Continente.

Tenha atenção que desde 1 de agosto é obrigatório o uso de máscara comunitária em todos os espaços públicos (fechados ou abertos) da Madeira. Salvo algumas exceções (como crianças até aos dez anos ou pessoas incapacitadas pela dificuldade em colocar ou retirar a máscara sem assistência), todas as pessoas devem usar sempre a máscara enquanto estiverem em locais de acesso ao público na região. 

Nos Açores, o turista que não apresente um relatório válido com um resultado negativo à covid-19 à chegada ao aeroporto e seja testado depois de aterrar só tem de se manter em isolamento profilático até chegarem os resultados (que podem demorar até 48 horas). Na Madeira, depois de testado ao desembarcar, segue para o seu destino, mas tem de permanecer em confinamento até ter conhecimento dos resultados (algo que poderá demorar até 12 horas). Em ambos os casos, o confinamento só será prolongado se os resultados dos testes forem positivos.

A quarentena de 14 dias só se aplica nos casos em que o turista não queira ser testado. Fica obrigado a manter-se em isolamento, num local indicado pelas Autoridades de Saúde Regionais para o efeito. Terá de suportar os custos dessa estada.

Onde posso encontrar informação atualizada sobre as viagens para as Ilhas?
Pode encontrar informação atualizada sobre o desenvolvimento da pandemia nas Regiões Autónomas, conselhos para turistas e as medidas restritivas relativas às viagens para os Açores e a Madeira nos sites covid19.azores.gov.pt e covidmadeira.pt.
Que cuidados devo ter antes de visitar as Ilhas?

O período que vivemos é de exceção e, como tal, devemos estar preparados para ter alguns acessos restritos ou algumas portas fechadas. Nesta fase, se tiver um destino específico, é sempre prudente assegurar que determinado espaço já reabriu: entre em contacto, aproveitando para questionar sobre eventuais cuidados adicionais que deve ter na ida ao local (necessidade de uso de luvas, acesso condicionado a crianças, limite máximo de visitantes, condicionamentos ou restrições nas visitas guiadas, etc.).

Também fora de portas, há muitos espaços naturais nas Ilhas que não se podem explorar sem um guia credenciado. A descida a algumas caldeiras (como a do Faial ou o Algar dos Diabretes, na Graciosa) ou a subida de montanhas (como o Pico, por exemplo) são dois exemplos de atividades que é proibido levar a cabo por sua própria conta e risco. Contacte previamente os postos de turismo da ilha ou as juntas de freguesia respetivas para se assegurar do real retomar das atividades e, já agora, para ter a lista de pessoal certificado para o acompanhar e das condições e preços associados às várias atividades.

Devo adiar os planos de férias nas Ilhas para este ano?

Mesmo que não entre num único museu ou que encontre as igrejas todas fechadas, uma visita às Ilhas é, por si só, mergulhar de cabeça em campos verdes e lagoas, levadas e flores, montanhas basálticas a tocar as nuvens e mar a perder de vista. Os arquipélagos estão cheios de veredas e “promenades” e têm tanto percursos pedestres para adeptos do trail como para famílias mais entorpecidas que não vale a pena adiar a viagem. Há muitos edifícios que, só por fora, vale a pena observar, como capelas, ermidas, torres, impérios e moinhos.

E seguramente que, independentemente para onde vá, terá oportunidade de provar as iguarias insulares, das broas de mel de Porto Santo às dona-amélias da Terceira; do cozido das Furnas de São Miguel ao peixe do Faial; do alho rosa da Graciosa às bananas da Madeira; do Queijo da Ilha de São Jorge ao vinho do Pico.

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