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Como ter uma horta na cidade

Há cada vez mais autarquias com programas de incentivo à criação de hortas urbanas. Se quer ser agricultor na cidade, veja se está à altura do desafio.

  • Texto
  • Alda Mota
12 junho 2019
  • Texto
  • Alda Mota
agricultor em horta urbana a plantar legumes

iStock

Já não precisa de viver nos arrabaldes para ter uma horta. É crescente o número de câmaras municipais a disponibilizarem pequenos terrenos para os munícipes cultivarem legumes e fruta. Se quer chegar ao seu apartamento com uma braçada de nabiças que tratou e colheu, prepare-se para ser um agricultor na cidade.

ENCOMENDAR GUIA UMA HORTA À MÃO DE SEMEAR

A moda parece estar a pegar, apesar de nem todos terem a disponibilidade que é preciso. Antes de calçar as galochas, faça as perguntas necessárias e certifique-se de que tem vontade suficiente e tempo para arregaçar as mangas. Depois, organize-se e dê pequenos passos antes de se aventurar em produções de grande escala.

Como se candidatar a uma horta urbana

As áreas públicas destinadas às hortas urbanas são divididas em pequenos lotes. Se está interessado em cultivar um destes pequenos terrenos, informe-se junto da câmara ou da junta de freguesia sobre se existem parcelas disponíveis, quais os passos a dar para obter uma ou se será aberto concurso para a sua atribuição em breve. Em princípio, cada pessoa (ou agregado familiar) apenas terá direito a um talhão. Normalmente, os requisitos de acesso passam por ser maior e residente no concelho (também há municípios a exigir que aí esteja recenseado).

Informe-se sobre direitos e obrigações

Antes de se aventurar, informe-se sobre qual o tipo de uso que pode dar ao terreno (o que plantar ou semear, por exemplo), quais os seus direitos e obrigações. Não deixe de perguntar se vai ter um espaço para guardar os utensílios e um ponto de água, essencial para a rega. Veja ainda se terá de pagar alguma taxa ao município, se existem requisitos específicos quanto às condições de conservação do local a partir do momento em que passa para as suas mãos e o fim que pode dar aos produtos obtidos. Por uma questão de segurança, pergunte, desde logo, o que terá de fazer quando já não estiver interessado ou não reunir condições para manter a sua horta.

Planeie bem a sua plantação

Cultivar uma enorme variedade de legumes com épocas de plantação e colheita distintas é um projeto ambicioso, que pode exigir disponibilidade quase total. Dimensione a horta em função do tempo que lhe pode dedicar, sobretudo se só contar com algumas horas livres ao fim de semana. Se costuma estar fora umas temporadas, por exemplo, durante as férias ou em deslocações de trabalho, certifique-se de que se organiza para interromper as plantações e sementeiras um mês antes da partida ou recorrer a técnicas de rega que o “substituam” na sua ausência. Pedir a um vizinho, familiar ou amigo para dar uma ajuda, eventualmente autorizando-o a que se abasteça de legumes e frutos, pode ser outra solução.

Lembre-se também de que uma horta demasiado grande representa não só uma carga de trabalhos, como também um gasto adicional, que o obrigará a despender horas extras a cuidar dos trilhos, a colher os frutos e a cozinhar de empreitada para não desperdiçar excedentes. Estreie-se com uma horta pequena, e só tem a ganhar.

Sete razões para ter a sua horta

1. Qualidade e controlo
As vantagens de plantar hortaliças para consumo próprio em casa são inúmeras e incluem a possibilidade de controlar a cadeia de produção, servindo assim alimentos de qualidade a toda a família. Tenha em conta que, para garantir esse nível de excelência, terá de apostar em fertilizantes naturais e outros produtos inócuos para a saúde e o ambiente.
2. Frescos mais frescos
Sabendo à partida que a riqueza nutricional das hortaliças (teor em vitaminas, minerais, etc.) começa a diminuir assim que são arrancadas da terra, o facto de poder plantá-las e colhê-las à medida das necessidades permite preservar ao máximo os preciosos benefícios que trazem para a saúde
3. Dar uma mãozinha ao ambiente
Consumir produtos colhidos na sua horta ajuda a proteger o ambiente. Por um lado, contribui para economizar no transporte de frutos e legumes de países distantes até aos vários pontos de comércio locais. Por outro, regra geral, traduz um esforço para eliminar totalmente o uso de produtos químicos nocivos no solo onde cultiva.
4. Folga para a carteira
Um quilo de tomate comprado no comércio de retalho pode custar 1 ou 2 euros. Um molho de plantas de tomateiro vende-se num mercado ou feira pelo mesmo valor. Depois de crescerem, estes tomateiros permitem colher muitos quilos do fruto, durante várias semanas. É certo que ter uma horta representa um encargo considerável logo à partida. Falamos, por exemplo, dos gastos com utensílios e ferramentas necessários ao cultivo, ao tratamento e à rega, mas também com tutores ou estacas, para sustentar as plantas que precisam, e com algum vestuário. Sementes, plantas, bolbos e tubérculos também custam dinheiro. Não obstante essas despesas, manter uma horta acaba por influenciar de forma muito positiva o orçamento familiar. E o investimento inicial é rapidamente amortizado. Para tirar o melhor proveito, dê prioridade aos legumes e frutos da época e aos que mais gosto lhe dá ter na cozinha. Aposte em múltiplas variedades dos que mais aprecia e, se fizer questão de os consumir também no inverno, preveja quantidade suficiente para congelação. Se gosta de utilizar ervas aromáticas, guie-se por esse desejo.  
5. Mente sã em corpo são
Por si só, a jardinagem faz muito bem à saúde: trata-se de uma atividade ao ar livre que permite ginasticar todos os músculos e articulações (das mais volumosas, como as ancas ou os joelhos, às mais pequenas, como os dedos). Apesar do exercício completo que proporciona, é necessário poupar as costas, sobretudo em tarefas como carregar pesos ou manusear utensílios de jardinagem. Por outro lado, passar longas horas em harmonia com a natureza traz também benefícios inegáveis no plano psicológico. É uma forma de meditação muito saudável.
6. Uma salada de sabores
Não há gosto como o das ervilhas, das alfaces ou do tomate que planta com as suas mãos. Além disso, numa pequena horta, poderá cultivar legumes das suas variedades preferidas, as quais são por vezes difíceis de encontrar no comércio tradicional, por serem muito específicas ou pouco rentáveis. Há, por exemplo, mais de 500 variedades de tomate no mundo, um número que não tem comparação possível com a reduzida seleção disponível na maioria dos supermercados.
7. Deleite e distração
Tratar de uma horta, ver os legumes plantados com as próprias mãos a crescer dia após dia, colhê-los e apresentá-los à mesa depois de confecionados são atividades que podem contribuir para uma maior satisfação pessoal. Além disso, os projetos de jardinagem permitem envolver toda a família e cativam as crianças, que, de uma forma geral, mostram entusiasmo quando neles são incluídas. Podem ainda ser formas lúdicas de as iniciar numa alimentação saudável e variada, sobretudo se reservar um pequeno espaço ou canteiro onde possam fazer as suas próprias experiências e plantações. Um pequeno truque: forneça-lhes legumes que crescem depressa, como rabanetes e alfaces.

 

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