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Vacinas: precaução indispensável

03 março 2019
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03 março 2019

As vacinas protegem as crianças das doenças ditas “infantis”, que poderiam evoluir para problemas graves ou mortais. Se ainda tem dúvidas sobre os benefícios das vacinas, veja este vídeo.

7 mitos a esquecer

Ao vacinar-se está a proteger-se a si e a comunidade. Se um número significativo de pessoas for imunizado contra uma doença, todos beneficiam, pois é mais difícil o microrganismo contagiar outros. Pelo contrário, se muitos não cumprem o programa, mais indivíduos vão ficar infetados e, nalguns casos, poderá até surgir uma epidemia. Conheça 7 ideias falsas que circulam sobre vacinas.

São desnecessárias

Atualmente, algumas doenças contra as quais somos vacinados são pouco frequentes ou já não são reportados casos em alguns países. É o caso de poliomielite ou da difteria. Esse facto tem alimentado o rumor de que não vale a pena manter esta vacinação. Mas estas doenças não desapareceram: são mais raras, precisamente porque uma grande parte da população está vacinada. Se as pessoas deixarem de cumprir a vacinação, este efeito de proteção de grupo também diminui. Quem fica mais exposto são os doentes crónicos ou os grupos mais vulneráveis como os idosos e as crianças, por exemplo. Foi o que aconteceu em 2015, nos Estados Unidos da América, onde foram reportados 159 casos de sarampo.

A varíola foi a única doença que a Organização Mundial da Saúde considerou erradicada, com o último caso registado em 1977, na Somália.

Causam autismo

Na base desta atitude, está um artigo publicado em 1998 que associava a vacina tríplice (sarampo, papeira e rubéola) com o aumento do número de casos daquela perturbação. Contudo, foram identificadas deficiências metodológicas graves neste estudo e, em 2010, os seus autores desmentiram publicamente as conclusões. O autor principal até viu revogada a sua licença para exercer medicina. Existe já evidência científica de que as vacinas não estão associadas ao autismo.

Provocam doenças autoimunes

Se já ouviu dizer, por exemplo, que as vacinas combinadas, aquelas que protegem contra várias doenças, favorecem os efeitos secundários e sobrecarregam o sistema imunitário, não acredite. Pelo contrário, têm a vantagem de diminuir o número de “picadas” em crianças de tenra idade e contam com estudos que atestam a sua segurança e eficácia. O quotidiano também contradiz a ideia de sobrecarga. Todos nós, os miúdos em particular, somos expostos diariamente a novos e múltiplos micróbios através de gestos tão simples como comer.

A relação entre a vacinação e as doenças autoimunes ainda está a ser investigada, mas os estudos existentes mostram pouca evidência de que estão relacionadas.

A gripe é uma doença benigna: não vale a pena vacinar-se

Na verdade, nem sempre. Esta doença pode provocar complicações sérias a nível respiratório, pulmonar e cardíaco, como pneumonia miocardite. Os idosos e as grávidas são grupos de risco e há casos de mortes causadas por complicações pulmonares e cardíacas nestes grupos. A vacina não evita que tenha gripe, mas reduz a possibilidade de vir a ter complicações. 

A Direção Geral da Saúde recomenda a vacina aos cidadãos a partir dos 65 anos, portadores de doença crónica pulmonar, cardíaca, renal, hepática, diabetes e a quem tenha as defesas debilitadas. As grávidas com gestação superior a 12 semanas, os profissionais de saúde e os prestadores de cuidados, por exemplo, em lares de idosos, também são aconselhados a vacinar-se. O mesmo sucede em relação às crianças e aos adolescentes com doenças crónicas que vivam em instituições e às pessoas com deficiência acolhidas em lares.

Mulheres grávidas não devem ser vacinadas

As vacinas inativadas são seguras e recomendam-se, em particular a DTP, a vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa e a vacina da gripe (entre a 26 à 37 semanas de gestação). Se uma grávida contrair uma destas doenças durante a gravidez, a formação do feto pode ficar comprometida. Só há uma contraindicação: as grávidas não devem receber vacinas vivas atenuadas, ou seja, com o vírus enfraquecido, como é o caso das da BCG, sarampo, rubéola ou papeira.

A segurança da vacina da gripe foi avaliada por vários estudos e nenhum encontrou evidência de que cause malformações em nenhum trimestre, assim como a da hepatite B ou aquela contra a meningite.

As vacinas são dadas muito cedo

Alguns pais argumentam que os bebés têm o sistema imunitário pouco desenvolvido e, por isso, não deveriam ser vacinados tão cedo com “micróbios” (embora estejam atenuados ou inativos). É incontestável que o sistema dos recém-nascidos, comparado com o de uma criança ou de um adulto, é menos eficiente a combater patógenos. Mas essa é a razão por que é tão importante prevenir o aparecimento de doenças, potencialmente perigosas, através da vacinação.

Deixar as crianças desprotegidas por um longo período é um risco acrescido. Por exemplo, ser inoculado à nascença contra a hepatite B pode parecer precoce, mas está provado que 9 em cada 10 bebés,  se forem contagiados pela doença, permanecem infetados para o resto da vida.

Têm químicos perigosos

Algumas vacinas têm substâncias como alumínio e timerosal, que ajudam o sistema imunitário a produzir uma resposta mais forte.
Além disso, visam impedir a contaminação por bactérias e fungos. Não há evidências de que o alumínio presente nas vacinas cause problemas a longo prazo, confirmaram vários estudos. A quantidade é mínima.

Quanto ao timerosal, usado como conservante, foi investigado por várias entidades, incluindo a Organização Mundial da Saúde, na sequência da controvérsia surgida em torno das vacinas, nos anos 90. Todos concluíram não haver ligação entre o timerosal e o autismo, mas foi retirado das vacinas por precaução. Não porque fosse prejudicial ou causasse problemas neurológicos – as quantidades são ínfimas –, mas para que os receios em torno de algumas vacinas desaparecessem. Nos Estados Unidos, a renitência de alguns pais em vacinar por essa razão causou mortes desnecessárias.