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Pais vão acompanhar filhos durante anestesia e recobro

16 agosto 2017
Pais podem acompanhar menores durante anestesia e recobro

16 agosto 2017
Os pais vão poder acompanhar crianças e jovens até aos 18 anos nas intervenções cirúrgicas. A presença de um acompanhante é alargada a pessoas dependentes ou portadoras de deficiência.

As crianças que vão fazer uma cirurgia ficam menos ansiosas, cooperam mais com os profissionais de saúde e sentem menos angústia ao acordar quando têm os pais a seu lado. A presença do pai ou da mãe até reduz possíveis problemas de comportamento no pós-operatório. É com base nestas conclusões e em estudos realizados no Reino Unido e nos Estados Unidos que o Serviço Nacional de Saúde tem novas regras que beneficiam os utentes. A medida também se aplica a doentes maiores de idade portadores de deficiência ou em situação de dependência. A presença no bloco operatório pode ser desaconselhada em caso de patologias graves ou outros imprevistos. Nestes casos, os acompanhantes devem ser informados antes.

O que muda

Os hospitais têm até 31 de dezembro para implementar a lei que permite a presença do pai ou da mãe do menor no bloco operatório até à anestesia e, depois, na altura do recobro. Na impossibilidade de um dos pais estar presente, pode entrar uma pessoa que o substitua.

Deve ser assegurado o seguinte:

  • sempre que não exista uma situação clínica grave, o pai, a mãe ou outra pessoa da confiança da criança pode assistir à anestesia e acompanhar o menor na fase de recobro, desde que tenha manifestado essa vontade antes; 
  • os hospitais devem garantir as condições para que o acompanhante possa estar presente na anestesia e durante o recobro;
  • se o menor tiver mais de 16 anos, pode indicar a pessoa que quer que o acompanhe no bloco operatório até à anestesia e, mais tarde, na fase de recobro;
  • qualquer motivo que desaconselhe a presença de um acompanhante do menor no bloco operatório deve ser esclarecido e transmitido antes da cirurgia. Só neste caso há razões para o acompanhante ser impedido de entrar;
  • se, durante a anestesia ou no recobro, surgirem complicações que justifiquem preservar a segurança do menor, o cirurgião ou anestesista pode pedir ao acompanhante para sair do bloco operatório.

Vai entrar? Garanta estas condições

Se não houver problema algum e o acompanhante for autorizado a entrar no bloco operatório, as instituições hospitalares devem assegurar:

  • consultas pré-operatórias orientadas pela equipa de saúde dirigidas ao pai, à mãe ou à pessoa que os substitua. Estas consultas podem incluir visitas pré-operatórias e vídeos informativos, no caso das intervenções cirúrgicas programadas;
  • a existência de um local onde o pai, a mãe ou a pessoa que o substitui possa trocar de roupa e deixar os seus pertences;
  • formação sobre as regras do equipamento de proteção individual e de higiene que os acompanhantes têm de seguir no bloco operatório e na unidade de recobro;
  • definição de um circuito onde o acompanhante possa circular sem pôr em causa a privacidade de outros menores e seus familiares, e sem pôr em causa o funcionamento normal do serviço;
  • o elemento da equipa que vai acolher o acompanhante do menor deve dar informação prévia sobre a anestesia e o recobro. E deve dar informações práticas sobre quando o acompanhante deve sair do bloco operatório, onde pode circular e onde deve esperar até ao final da cirurgia;
  • as instituições hospitalares que realizem intervenções cirúrgicas a crianças e jovens devem assegurar as condições necessárias ao exercício do direito ao acompanhamento familiar da criança ou jovem.

Caso o direito a acompanhar o menor lhe for negado, deve dirigir-se ao gabinete do utente. Se a situação não for solucionada no momento, apresente queixa no livro de reclamações ou na nossa plataforma Reclamar. Pode ainda expor o caso à Entidade Reguladora da Saúde e à Direção-Geral da Saúde.