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NETtalks: DECO debate o mundo digital

23 dezembro 2015

23 dezembro 2015

A escola secundária D. Dinis, em Lisboa, ganhou, durante cerca de 2 horas, um novo dinamismo com as NETtalks, promovidas pela DECO e pela associação DNS.pt. Os direitos de autor estiveram na berlinda.

“Isto é um filme? Hum, não me parece!”, atirou de forma provocatória um aluno alto e bem-parecido, fazendo questão de mostrar o seu sentido de humor, ao entrar no auditório preparado para a NETtalks, na Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa, a 15 de dezembro último. É provável que tenha sido uma das vozes que respondeu animadamente ao “bom dia!” que Inês Paraíso lançou à audiência de dezenas de estudantes do 12.º ano convocados para assistir a mais uma conferência Net Talks, onde o mote é a utilização da Internet e tudo o que gravita à sua volta.
José António Sousa, diretor da escola, abriu a sessão, após um caloroso aplauso da plateia juvenil, e chamou a atenção para o facto de a Internet ser “um mundo paralelo. É um novo mundo real, com tudo o que tem de positivo e negativo. Espero que esta conferência vos ajude e esclareça.” Aproveitando a deixa, Inês Paraíso, da DECOJovem, lançou a pergunta para os jovens, a maioria com 17 anos: “Vocês acham que sabem tudo sobre o mundo digital?”. A resposta dos visados não foi clara, mas, com o aprofundar do tema, alguma surpresa surgiu nos rostos. 

Bagagem para a viagem virtual

“A nossa sociedade está cada vez mais digital, mas teremos toda a bagagem para esta viagem?”, questionou novamente Inês Paraíso, para avançar com alguns números que fazem refletir. Ao nível mundial, há 770 milhões de adultos analfabetos. Destes, 123 milhões são jovens entre os 15 e os 24. Em Portugal, 1 em cada 20 pessoas são analfabetas. Ou seja, 520 mil portugueses não sabem ler. Mais: somos campeões europeus do abandono escolar: 20 por cento. É certo que cada pessoa pode ter mais de um, mas há 6,8 mil milhões de utilizadores de telemóveis em todo o mundo. China, Índia, Estados Unidos da América, Indonésia e Brasil estão na crista da onda. 
“Todos acedem à Net no telemóvel?”. A resposta foi quase 100% positiva, no auditório da Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa.
“Todos acedem à Net no telemóvel?”. A resposta foi quase 100% positiva, no auditório da Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa.
“Todos acedem à Net no telemóvel?” Um mar de braços no ar foi a resposta a mais um desafio da oradora da DECOJovem. Mas quanto à questão de compreender toda a informação na Net, o caso muda de figura. Diariamente, recebemos, por exemplo, nas redes sociais, o equivalente a 174 jornais. A interação é, também, elevada: no Facebook, registam-se 5 mil milhões de “gostos” por dia. Por segundo, são criadas cinco novas contas. Saber procurar a informação é muito importante, mas compreendê-la, avaliá-la e utilizá-la é fundamental. 

A esmagadora maioria dos alunos presentes possui uma conta no Facebook, mas nem todos levam muito a sério as questões de privacidade. Outro facto pertinente: tudo o que se publica nas redes sociais fica em rede para sempre, mesmo que eliminemos a publicação. “Há que separar a vida pública da privada. Protejam a vossa vida pessoal e pensem antes de publicar nas redes sociais”, alertou Inês Paraíso. Além disso, os perfis falsos são uma forma de ciberbullying, bem como os boatos, manipulações e informações falsas que circulam nas redes sociais e que visam uma ou determinadas pessoas. 

Ser criativo é respeitar os direitos de autor

“Os autores têm o direito de decidir o que fazer com a sua obra”, afirmou Luís Botelho, da Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC), no início do debate sobre direitos de autor, moderado por Fernanda Santos, da DECO, e que contou ainda com a colaboração de Pedro Marques, do Centro Internet Segura, e de João Torres, do Centro de Competência TIC, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. 

Luís Botelho, da IGAC, Pedro Marques, do Centro Internet Segura, e João Torres, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, debateram a importância dos direitos de autor, moderados por Fernanda Santos, da DECO.
Luís Botelho, da IGAC, Pedro Marques, do Centro Internet Segura, e João Torres, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, debateram a importância dos direitos de autor, moderados por Fernanda Santos, da DECO.
“A divulgação cultural é ótima, desde que os criadores ou autores a queiram. Muitos autores deixaram de criar porque não são compensados. Há toda uma indústria cultural que envolve milhares de pessoas”, reforçou Luís Botelho. A facilidade com que, hoje em dia, há a apropriação do trabalho de terceiros – desde uma fotografia até excertos de obras literárias ou académicas disponíveis online – pode lesar a subsistência de quem vive do seu trabalho intelectual.

João Torres deu pistas sobre como é possível agir para respeitar os direitos de autor. “As tecnologias facilitam o contacto com o autor. Por exemplo, as chamadas licenças Creative Commons são símbolos que permitem saber o que o autor permite que façam com a sua obra, sejam imagens ou conteúdos”, explicou. Pedro Marques também deu a sua visão, reforçando a necessidade de “colocar o nome dos autores a que recorremos. Por exemplo, se colocarmos um vídeo no YouTube, deveríamos referir o nome do autor da música. Com este gesto, estamos a dar credibilidade ao nosso próprio trabalho”.

Mário Paiva, de 17 anos, achou a conferência NETtalks bastante interessante.

À saída do auditório onde decorreu a NETtalks, Mário Paiva, 17 anos, a frequentar o 12.º ano, achou a conferência "bastante interessante." "Deu-me a conhecer mais sobre a segurança na Internet e o uso correto dos direitos de autor. Não sabia que não poderia utilizar certos ficheiros disponibilizados por entidades sem autorização. Costumo ver filmes e agora tenho de ter cuidado. Não sabia que poderia estar a cometer uma infração”, afirmou.

Raquel Pires, de 17 anos, considera a NETtalks uma boa iniciativa.
Raquel Pires, de 17 anos, a estudar no 12.º ano, “acha importante aprofundar certos conhecimentos para estarmos preparados para o futuro. Foi uma boa iniciativa. Fiquei a saber mais sobre direitos de autor e sobre as redes sociais, embora não tenha conta em nenhuma. Não dou valor. Prefiro ler, fazer desporto e passear”.
Sónia Loureiro, de 17 anos, ficou alarmada com os números do analfabetismo divulgados na NETtalks.

“Fiquei impressionada com os números do analfabetismo. São alarmantes”, realça Sónia Loureiro, 17 anos, a frequentar o 12.º ano. “Há muitos jovens dependentes da Internet e isso reflete-se no comportamento nas aulas e nas notas. Andam cansados, não estudam."

Criar um site e ganhar prémios
Uma ideia, um projeto ou uma atividade: jovens entre os 14 e os 18 anos podem participar no concurso Sitestar.pt e dar largas à sua imaginação. O prazo para apresentar a ideia, de forma individual ou em equipa, com a ajuda de um professor de TIC ou um diretor de turma, acaba a 15 de janeiro de 2016. Saber & Ciência, Faz Diferença, Jovens com Talento e Notícias na Escola são as quatro categorias onde se pode enquadrar o projeto. Smartphones, actions cams, colunas portáteis e dinheiro são os prémios previstos para os autores dos 13 melhores projetos.

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