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Mochilas escolares com peso a mais

Altura de agir

A solução é tarefa para o Ministério da Educação, editoras, escolas e pais. À tutela e às editoras pedimos que a digitalização dos conteúdos não seja sinónimo de mais assimetrias entre os alunos. É preciso ter muito claro quem pode e quem não pode ter um tablet ou um computador (atenção: estes aparelhos não devem acrescentar quilos à mochila, antes reduzi-los). É preciso também ser-se muito realista em relação às condições das escolas: estão tecnologicamente bem equipadas? O papel nas escolas pode ser abandonado com tanta facilidade? Dificilmente uma criança do 1.º ciclo aprende a escrever e a treinar a letra num tablet.

O Ministério da Educação e as editoras deveriam considerar dividir os manuais em fascículos autónomos sempre que os programas das disciplinas o permitam, mas sem que isso represente custos acrescidos para as famílias. A tutela tem de dar condições às escolas para a criação de salas únicas, pelo menos para as disciplinas mais teóricas.

Nas escolas são precisos mais cacifos, que de nada servirão se os alunos não puderem deixar algum material por lá. Reflita-se, por isso, na questão dos trabalhos de casa. Depois, é fundamental distribuir melhor os horários das disciplinas ao longo da semana, para não acumular muitas aulas teóricas no mesmo dia. E decidir quais os livros de fichas necessários e passar essa mensagem aos pais de forma proativa. Muitos destes livros não são obrigatórios nem recomendados pelos professores.

Aos pais apelamos para que ajudem os filhos a selecionar o que levar para a escola. E calcular os quilos máximos a transportar é essencial: mais de 10% do peso da criança, não.