Notícias

Amianto: como lidar com o perigo

17 março 2014 Arquivado

17 março 2014 Arquivado

Em Portugal, entre 2007 e 2012, morreram 218 pessoas vítimas de mesotelioma, um cancro provocado pela exposição ao amianto, 40 das quais só em 2012. O amianto tornou-se uma ameaça à saúde pública, pelo que a sua remoção deve seguir regras de segurança apertadas.

Quais os perigos do amianto

O amianto é uma fibra natural proveniente de vários minerais e a sua perigosidade para a saúde reside na inalação das suas fibras. Existem seis variedades de amianto e todas podem causar fibrose pulmonar, cancro do pulmão e mesotelioma – tumor maligno localizado ao nível da pleura, peritoneu e pericárdio – mas têm diferentes graus de perigosidade. Assim, o risco de aparecimento da doença vai depender não só do tipo e da dimensão da fibra, como da sua concentração e do tempo de exposição.

Mas há que referir que a presença de amianto num edifício não constitui, por si só, um risco para a saúde. O perigo está associado à danificação de materiais que o contêm, pelo potencial de libertação de fibras, inalação e posterior alojamento nos pulmões. Se o material estiver em boas condições, o melhor é mantê-lo, evitando tocar-lhe. Mas se estiver a desagregar-se, com a libertação de fibras, os riscos para a saúde são maiores. Caso os danos sejam ligeiros, aconselha-se o acesso limitado à área, para evitar a manipulação e o aumento da danificação.

Depois de inaladas, as fibras alojam-se nos pulmões onde podem permanecer durante décadas e causar danos irreversíveis. As consequências da inalação deste tipo de materiais podem surgir entre 10 a 60 anos após o contacto.

Quando as fibras estão fracamente ligadas no material devido à friabilidade ou condução desse produto o risco de libertação aumenta. Já nos casos em que as fibras estão fortemente ligadas num material não friável diminuem as probabilidades de libertação. Tendo isso em conta, vários países da União Europeia adotaram procedimentos que dão prioridade à remoção dos materiais com amianto considerados mais perigosos.

Na maioria dos casos só com recurso a análises laboratoriais é possível comprovar a presença de amianto. E, apesar das placas de fibrocimento aparecerem associadas à presença deste composto tóxico, há algumas que não o incluem mesmo que, no aspeto, sejam semelhantes àquelas que apresentam perigo.