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Vacina contra o HPV: vale a pena vacinar os rapazes?

01 março 2018
vacina

01 março 2018

Dada às raparigas a partir dos 10 anos, o Plano Nacional de Vacinação não inclui os rapazes, mas alguns pediatras estão a recomendar a vacina.

A maioria dos cancros do colo do útero são causados pelo Vírus do Papiloma Humano, mais conhecido por HPV. Há cerca de 100 tipos deste vírus, mas dois são responsáveis por 70% dos tumores. Ambos podem ser prevenidos com a vacina, que faz parte do Plano Nacional de Vacinação para raparigas de dez anos.

O esquema é simples: duas doses, com um intervalo de 6 meses. Se as meninas não se vacinarem na altura prevista, podem fazê-lo gratuitamente, no centro de saúde, até aos 27 anos, desde quer a primeira dose ocorra até aos 18 anos. Quando a primeira dose é dada depois dos 15 anos, já serão necessárias três doses, com intervalos de dois e seis meses.

Quem não faz parte deste grupo, deve falar com o médico sobre a utilidade da vacina. No mercado, há duas opções. A Gardasil® custa € 145,33, e a Cervarix® custa 72,47 euros. Apenas a Cervarix é comparticipada pelo Estado, no regime geral, mas é a Gardasil® que faz parte do Plano Nacional de Vacinação. A Gardasil® protege contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18) e Cervarix® contra dois (16 e 18). 

Segundo os estudos já realizados, a vacina evita, pelo menos, 90% das infeções nos seis anos seguintes à aplicação. As pesquisas em curso tentam saber por quanto tempo mais se estende a proteção e avaliar a necessidade de reforços. 

A vacina é mais eficaz antes do primeiro contacto com o vírus, mas também funciona em mulheres já infetadas: reduz a probabilidade de reaparecimento de lesões e de ativação de "vírus adormecidos". Dado que não protege contra todas as causas do cancro, o rastreio do colo do útero, por citologia, continua a ser recomendado a todas as mulheres. O exame deteta lesões no colo do útero e permite tratá-las antes de evoluírem para tumor. 

A Direção-Geral da Saúde aconselha um exame por ano, em dois anos seguidos. Se os resultados forem normais, a frequência passa a ser de 5 em 5 anos. Se a citologia for negativa, mas estiver um teste anterior com HPV positivo, a frequência passa a ser anual.Se a citologia for prescrita nos serviços de planeamento familiar, a utente paga apenas a taxa moderadora. Fora destes, tem de pagar a totalidade da análise, que ronda os 20 ou 30 euros.

Rapazes ainda de fora


Nos homens, o HPV 6, 11, 16 e 18 pode provocar verrugas genitais e neoplasias e cancro do pénis, da região perineal, perianal e anal. 

Apesar do Plano Nacional de Vacinação não incluir os rapazes, alguns pediatras estão a recomendar a toma da vacina contra o HPV. Sabe-se que a vacina é segura e é bem tolerada pelos rapazes, mas os estudos sobre a sua eficácia são recentes e limitados e só incidiram sobre a Gardasil®. Os resultados conhecidos prometem: a vacina previne as complicações do HPV na população masculina, tais como condilomas, por exemplo. Porém, não há dados que garantam a sua eficácia contra o cancro do pénis e da orafaringe.  

A vacinação dos rapazes não diminui a incidência do problema nas raparigas, de acordo com os estudos. Esse efeito só é notório nos países de recursos limitados, onde a cobertura da vacina entre as mulheres é baixa.