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Comissão Europeia limita abusos na temperatura de equipamentos para cozinhar

Micro-ondas com grill, torradeiras e tostadeiras são alguns dos equipamentos que podiam exceder os aumentos da temperatura de superfície, permitidos até ao dobro desde que tivessem um aviso visível.

19 janeiro 2018
Comissão Europeia limita abusos na temperatura de equipamentos para cozinhar

Thinkstock

Após duas décadas de testes, verificámos que vários modelos de micro-ondas com grill não eram seguros para o consumidor, sobretudo, pelas temperaturas excessivas que atingiam nas superfícies de contacto. Em 2013, conseguimos uma vitória importante quando a norma de segurança elétrica passou a ter limites obrigatórios de temperatura nas superfícies exteriores dos aparelhos. A cláusula também definia que o aumento da temperatura máxima exterior nas superfícies dos aparelhos poderia ser o dobro dos valores estipulados, desde que estes apresentassem um aviso gravado ou colado de “superfície quente”. Esta situação é permitida pela norma de ensaio dos micro-ondas quando os aparelhos não cumprem, por limitações técnicas ou de dimensões, o aumento de temperatura, sendo encarado pela entidade de normalização como aplicável em situações excecionais. No entanto, o que deveria ser uma exceção tornou-se uma regra, pois os fabricantes passaram a usar o aviso de “superfície quente” de um modo sistemático.

Na nossa opinião, esta solução não era suficiente para garantir a segurança dos consumidores, sobretudo de crianças ou de pessoas idosas. Os nossos testes também demonstraram que alguns fabricantes conseguem conceber aparelhos que, durante o funcionamento, não atingem as temperaturas limite das normas nas superfícies exteriores de contacto.

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Noutros casos, se o aviso de “superfície quente” viesse colado na película de plástico de proteção do aparelho, corria o risco de desaparecer quando a película fosse retirada. Quando o aviso era apenas um autocolante, nalguns casos ficou em mau estado depois das primeiras utilizações.

Comissão Europeia decide pela segurança térmica

A Comissão Europeia decidiu que a utilização do símbolo de “superfície quente” não assegura o cumprimento dos requisitos mínimos de segurança referidos na Diretiva da Baixa Tensão (2014/35/EU) no que respeita à segurança térmica. 

Com a anulação da cláusula que permitia aos equipamentos que o aumento da temperatura máxima admitida fosse o dobro (no caso de terem um aviso de ‘superfície quente’), os consumidores conquistam mais uma vitória.

A Comissão Europeia considera que “o risco de queimaduras para pessoas e animais domésticos ainda se mantém e o padrão não está em conformidade com a diretiva 2014/35/EU ”, correspondendo esta posição ao que sempre defendemos.

Para a Comissão Europeia, em comunicação divulgada no Official Journal of the European Union, em julho de 2017, a cláusula agora retirada da Diretiva da Baixa Tensão podia ser interpretada “como permitindo omitir a medida do aumento de temperatura em certas partes de um dado produto, o que podia levar ao desrespeito ou duplicação dos valores limite do aumento de temperatura aplicáveis ao produto inteiro”.

 Nos nossos testes comparativos, além do desempenho e utilização, verificamos a segurança dos equipamentos de acordo com as normas em vigor. O aviso de aumento da temperatura para o dobro não era tido em conta na avaliação por não considerarmos que fosse uma proteção para o utilizador.

Por enquanto, esta decisão da União Europeia aplica-se a alguns equipamentos para cozinhar, como torradeiras, tostadeiras, micro-ondas e grelhadores, mas é de esperar que seja alargada a outros produtos.