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Teste a detergentes da roupa: abrimos as portas do laboratório

15 março 2016
Desvendamos parte dos nossos testes em laboratório a detergentes para a roupa de várias marcas.

Fomos ao local do “crime”, onde a roupa e as nódoas põem à prova os detergentes. Acompanhámos os funcionários do laboratório num dia igual a tantos outros, em que o objetivo é responder sem equívocos: este detergente é bom ou mau?

15 nódoas, 40 vezes por dia

Há empresas europeias dedicadas à produção de nódoas padronizadas em tecidos, por mais estranho que possa parecer. Os laboratórios são clientes fidelíssimos. O facto de as nódoas já estarem feitas acelera a sequência de testes no laboratório e é a única hipótese de comparar produtos, pois é essencial que o seu desempenho seja posto à prova em condições iguais. Frescas ou naturais (vinho, gordura de carne, molho de tomate ou café) e artificiais, sensíveis à ação de enzimas (sangue, batata, molho de salada ou papa de bebé), há nódoas para todos os gostos. Existem também as “não-nódoas”, ou melhor, tecidos impregnados de sujidade normal, entre os quais o pó. Cada lavagem contém a carga de sujidade com que nos defrontamos na vida real. Ao toque, sente-se a sujidade e o cheiro intenso destes tecidos castanhos-claros.

“Cada mancha representa um tipo de nódoa, para que a lavagem se assemelhe o mais possível ao que se passa em nossas casas”, explica Sílvia Menezes, a nossa especialista que acompanha atentamente as movimentações no laboratório, uma referência europeia nos testes a detergentes. Nas lavagens, incluem-se ainda os chamados tecidos “carga”, que servem basicamente para encher o tambor da máquina. No total, são 15 nódoas padronizadas, 6 naturais e 9 artificiais. Este procedimento é repetido 40 vezes por dia — sim, leu bem, 40 vezes — para 4 ou 5 máquinas.

As nódoas naturais e artificiais são agrafadas a um tecido-carga, colocado depois nas máquinas da roupa.
As nódoas naturais e artificiais são agrafadas a um tecido-carga, colocado depois nas máquinas da roupa.

As nódoas naturais e artificiais são agrafadas a um tecido-carga, colocado depois à prova nas máquinas da roupa. Para a ação não falhar, há gavetas cheias de agrafadores. O seu barulho sincopado acompanha o ruído de fundo e ininterrupto das lavagens. Cada detergente, ou grupo de detergentes, é testado na mesma máquina. A dose a utilizar, de acordo com as indicações do fabricante, é pesada com rigor numa balança. Os ciclos das máquinas tendem a ser mais longos. Gasta-se, assim, menos eletricidade, para corresponder às exigências da etiqueta energética. Em geral, são precisos até 5 dias para testar a eficácia de lavagem de 4 produtos.

As máquinas de lavar estão ligadas a sistemas elétricos que monitorizam a temperatura de lavagem e a dureza da água. Após o fim do ciclo, os tecidos são pendurados num estendal e secam ao natural, com um pano por cima para os proteger da luz. O resultado depende da temperatura a que os tecidos são lavados. A maioria das nódoas é mais facilmente removida se aumentar a temperatura de lavagem. Mas não é isso que se pretende, pois seria um peso elevado na fatura energética e ambiental. Aliás, a eficácia, mesmo a baixa temperatura, é a alegação mais recorrente nas embalagens. E é nesse sentido que as fórmulas devem avançar: melhor desempenho para todo o tipo de sujidade, em ciclos de lavagem a baixa temperatura. É por essa razão que os nossos testes são realizados a 30ºC.

As “não-nódoas”, tecidos impregnados de sujidade normal, entre os quais o pó, conferem a cada lavagem a carga de sujidade com que nos defrontamos na vida real. Ao toque, sente-se a sujidade e o cheiro intenso.
As “não-nódoas”, tecidos impregnados de sujidade normal, entre os quais o pó, conferem a cada lavagem a carga de sujidade com que nos defrontamos na vida real. Ao toque, sente-se a sujidade e o cheiro intenso.
As nódoas oxidáveis (vinho, café, sumo, tomate e erva) são as mais fáceis de vencer, dado serem sensíveis aos agentes de branqueamento, presentes na maioria dos detergentes. Já as manchas de gordura e pigmentos dão mais luta. O tipo de tensioativo usado como ingrediente principal e a concentração são determinantes no resultado.
Além das nódoas, também testamos a brancura em algodão e poliamida.

Para avaliar a preservação da cor, realizam-se 20 lavagens de tecidos com padrões de 22 cores fortes, para perceber até que ponto o detergente é responsável por alterações no aspeto. Este objetivo é bem mais fácil de atingir para todos os detergentes.
Após lavados, os tecidos são pendurados num estendal e secam ao natural.
Após lavados, os tecidos são pendurados num estendal e secam ao natural.

Como se separa a avaliação da máquina da ação do detergente? É a pergunta legítima de quem está de fora, a observar. Sílvia Menezes clarifica: “é preciso que as nódoas saiam do tecido, pela ação do detergente. Mas depois a máquina tem de garantir que a água onde a sujidade se encontra dissolvida ou em suspensão é retirada e substituída nos momento-chave do processo de lavagem, impedindo que a sujidade se volte a impregnar nos tecidos”.