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Cápsulas de café reutilizáveis são pouco práticas

As cápsulas reutilizáveis são uma opção mais amiga do ambiente, mas não são compatíveis com todas as máquinas. Testámos as soluções à venda.

  • Dossiê técnico
  • Sílvia Menezes e Mónica Pinto
  • Texto
  • Myriam Gaspar e Deonilde Lourenço
15 outubro 2019
  • Dossiê técnico
  • Sílvia Menezes e Mónica Pinto
  • Texto
  • Myriam Gaspar e Deonilde Lourenço
capsulas cafe

As cápsulas de café são, inegavelmente, uma conveniência dos tempos modernos. Mas têm um lado sombrio. A esmagadora maioria acaba em aterros sanitários, solução última para o tratamento de resíduos.

Felizmente, algumas empresas que as comercializam estão cientes de que a reciclagem é a única forma de os materiais voltarem ao ciclo produtivo e evitar a extração de novos recursos naturais.

A Nespresso foi pioneira na criação de um sistema de reciclagem, que envolve vários parceiros para as diferentes fases do processo, desde a recolha à transformação do alumínio em objetos do dia-a-dia. O programa Recycling@Home, em curso em Portugal desde 2017, consiste em oferecer aos clientes sacos próprios, para guardar as cápsulas e entregá-las nos pontos de recolha, tendo contribuído, nos últimos dois anos, para que a taxa de reciclagem duplicasse.

Na Dolce Gusto, também da Nestlé, o processo de reciclagem é similar ao da Nespresso. Desde 2010, já recolheu, de acordo com o site da marca, 50 toneladas de cápsulas, destinando a parte plástica à construção de mobiliário urbano. As águas resultantes do processo de separação dos materiais são tratadas e posteriormente utilizadas para lavagem e irrigação.

Quanto à Delta Cafés, implementou o programa ReciQla em 2009, dois anos após lançar as primeiras cápsulas Delta Q. Tem pontos de recolha na lojas de Lisboa e Porto, departamentos comerciais e eventos em que a marca de Campo Maior está presente. Aquelas são depois processadas nas unidades fabris especializadas do grupo Nabeiro.

Cápsulas biodegradáveis 

Algumas marcas estão a desenvolver soluções biodegradáveis, como é o caso da Bogani, que lançou uma gama de cápsulas compatíveis com a Nespresso, biodegradáveis e compostáveis em ambiente industrial. Segundo a marca, estas cápsulas, que têm validade de 18 meses, são feitas a partir de uma gama de polímeros biodegradáveis e seladas hermeticamente com uma película de papel.

A Delta também pretende lançar ainda este ano uma cápsula constituída exclusivamente a partir de matérias orgânicas, como cana-de-açúcar, mandioca e milho.

A Bicafé, que não dispõe de recolha seletiva e vende cápsulas compatíveis com as máquinas Delta Q e Dolce Gusto, prevê disponibilizar apenas versões biodegradáveis a partir de 2022. Para a Nespresso, será já no final de 2019.

As cápsulas reutilizáveis são solução?

A dúvida levou-nos a testar as soluções disponíveis no mercado. As conclusões não são animadoras. Embora seja possível usar qualquer marca de café, as cápsulas reutilizáveis não são compatíveis com todas as máquinas. O processo de encher a cápsula não é complicado, mas nem sempre é fácil acertar na quantidade de café ou fazer a pressão adequada. O mais provável até é ficar com café espalhado pela bancada da cozinha.

Outro senão: para fazer mais do que um café, é preciso aguardar que a cápsula arrefeça, o que chega a demorar 10 minutos, sobretudo se for de metal. Tempo precioso se tiver um jantar de seis pessoas em casa. 

Por último, e mais importante, o veredicto do nosso painel de degustação, que avaliou a qualidade do café. O aroma e a intensidade foram bem apreciados. Contudo, no que toca ao sabor, não persiste na boca.

A cor, a consistência e a duração do creme também merecem nota negativa. O que não é bom, tendo em conta que essas são das principais razões por que os consumidores apreciam tanto o café expresso. No cômputo geral, três marcas revelaram má qualidade. Os apreciadores de café poderão não achar esta solução a ideal.

Dadas as preocupações ambientais, o futuro das cápsulas permanece em aberto. É urgente que aumentem os sistemas de recolha, ou que se garanta a separação e a reciclagem a partir do ecoponto amarelo. Há outras soluções mais amigas do ambiente e baratas. Veja os nossos testes a máquinas de café

Se, mesmo assim, não abdica do ritual de pegar na cápsula e de a colocar na máquina, lembre-se: da próxima vez não a atire para o lixo. Entregue-a num local de recolha para cápsulas de café.

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