Como testamos

Cápsulas de café: como testamos

25 novembro 2021
Sobre um tampo de madeira, uma cápsula de café da Nespresso, ladeada à direita por uma tigela de madeira contendo várias cápsulas de café do mesmo tipo, de várias cores.

Para descobrir as melhores cápsulas de café, não nos limitámos a realizar análises laboratoriais e uma prova de degustação: procurámos saber ainda até que ponto são amigas do ambiente.

Testámos 24 cafés em cápsula, de 19 marcas originais e compatíveis com os sistemas Dolce Gusto e Delta Q. 

A arte de fazer café consiste em misturar duas ou mais variedades numa fórmula equilibrada. Arábica e robusta são as principais. A primeira, com mais elevado teor em acidez, é cultivada em quase todo o mundo, enquanto a segunda, com cerca do dobro da concentração em cafeína, provém essencialmente de África. 

O laboratório começou por analisar justamente o teor em cafeína. Depois, aferiu a humidade, o extrato aquoso, as cinzas e a presença de ocratoxina A, uma micotoxina.

As provas em laboratório revelaram uma composição correta em todas as marcas, tanto ao nível da humidade, como das cinzas, ou ainda do extrato aquoso. Também não foi detetada ocratoxina A, uma micotoxina potencialmente cancerígena. Assim, a degustação acaba por ser, com o impacto ambiental dos materiais usados, um fator de diferenciação entre marcas. Embora gostos não se discutam, alguns parâmetros podem contribuir para a escolha. É o caso da consistência e da persistência do creme ou da uniformidade da cor. Estes e outros aspetos foram avaliados por um painel de especialistas numa prova cega e sem adição de açúcar.

Os provadores começaram por apreciar a cor, a intensidade, a uniformidade, a consistência e a persistência do creme. Em seguida, investigaram a intensidade e a complexidade do aroma, assim como o equilíbrio entre acidez, amargor e adstringência, a qual corresponde à sensação de boca “encortiçada” ou de “verde”. Apreciaram ainda o corpo ou a consistência do café e procuraram odores ou sabores que não deveriam estar presentes, que são considerados defeitos.

Testámos as cápsulas num modelo de máquina representativo. Os melhores cafés conseguiram cinco e quatro estrelas na degustação para o sistema Dolce Gusto e Delta Q respetivamente. O júri pronunciou-se, atribuindo as cinco estrelas da excelência à marca Dolce Gusto Sical, e quatro estrelas para a marca Delta Q Qualidus.

Ao nível do impacto ambiental, detetámos algum espaço para melhorias. De acordo com a legislação em vigor, as cápsulas não são consideradas embalagens e, como tal, não podem ser colocadas no ecoponto amarelo (independentemente de serem em plástico ou alumínio). No entanto, estes materiais têm potencial para serem reciclados, pelo que o consumidor deverá aderir aos sistemas de recolha que alguns marcas já disponibilizam. O café presente nas cápsulas usadas pode ser aproveitado como fertilizante e o plástico ou alumínio das cápsulas pode dar origem a novos produtos.

Se tivermos em conta um consumo de 700 cafés por ano, isto é, pouco menos de dois por dia, entre cartão, plástico e alumínio, estamos a falar de um total de resíduos que pode chegar aos sete quilos por ano. É certo que temos vindo a notar uma redução, mas ainda há espaço para melhorar, sobretudo no caso das marcas com duas a três estrelas.