Como testamos

Cápsulas de café: como testamos

Testámos 22 cafés em cápsula, de 21 marcas. Escolhemos as que se destinam ao sistema Nespresso, por ser o que conta com o maior número de produtos compatíveis. 

A arte de fazer café consiste em misturar duas ou mais variedades numa fórmula equilibrada. Arábica e robusta são as principais. A primeira, com mais elevado teor em acidez, é cultivada em quase todo o mundo, enquanto a segunda, com cerca do dobro da concentração em cafeína, provém essencialmente de África. 

O laboratório começou por analisar justamente o teor em cafeína. Depois, aferiu a humidade, o extrato aquoso, as cinzas e a presença de ocratoxina A, uma micotoxina.

As provas em laboratório revelaram uma composição correta em todas as marcas, tanto ao nível da humidade, como das cinzas, ou ainda do extrato aquoso. Também não foi detetada ocratoxina A, uma micotoxina potencialmente cancerígena. Assim, a degustação acaba por ser, com o impacto ambiental das cápsulas, um fator de diferenciação entre marcas. Embora gostos não se discutam, alguns parâmetros podem contribuir para a escolha. É o caso da consistência e da persistência do creme ou da uniformidade da cor. Estes e outros aspetos foram avaliados por um painel de especialistas numa prova cega e sem adição de açúcar.

Os provadores começaram por apreciar a cor, a intensidade, a uniformidade, a consistência e a persistência do creme. Em seguida, investigaram a intensidade e a complexidade do aroma, assim como o equilíbrio entre acidez, amargor e adstringência, a qual corresponde à sensação de boca “encortiçada” ou de “verde”. Apreciaram ainda o corpo ou a consistência do café e procuraram odores ou sabores que não deveriam estar presentes, que são considerados defeitos.

Testámos as cápsulas num modelo de máquina representativo. Os melhores cafés conseguiram cinco estrelas na degustação. O júri pronunciou-se, atribuindo as cinco estrelas da excelência a quatro marcas: Nespresso Ristretto, Lavazza Espresso Deciso, Belmio Espresso Ristretto e L’Or Espresso Ristretto.

Ao nível do impacto ambiental, detetámos algum espaço para melhorias. A lei não considera as cápsulas como resíduos, mas os materiais que as compõem, como alumínio, plástico e cartão, podem ser transformados noutros produtos e os resíduos de café convertidos em fertilizantes. Destes materiais, o plástico é o que envolve as piores consequências para o ambiente. 

Se tivermos em conta um consumo de 700 cafés por ano, isto é, pouco menos de dois por dia, entre cartão, plástico e alumínio, estamos a falar de uma considerável acumulação de materiais. Ainda que a lei não classifique as cápsulas como resíduos, os materiais que lhes dão origem podem ser encaminhados para o fabrico de novos produtos. Mesmo os resíduos de café têm serventia enquanto fertilizantes. É certo que temos vindo a notar uma redução, mas ainda há grande margem de progressão, sobretudo no caso das marcas com três estrelas.