Como testamos

Cápsulas de café: como testamos

21 setembro 2017
Cápsulas de café: como testamos

21 setembro 2017
Para descobrirmos as melhores cápsulas de café, não nos limitámos a realizar análises laboratoriais e uma prova de degustação: procurámos saber ainda até que ponto são amigas do ambiente.

A arte de fazer café consiste em misturar duas ou mais variedades numa fórmula equilibrada. Arábica e robusta são as principais. A primeira, com mais elevado teor em acidez, é cultivada em quase todo o mundo, enquanto a segunda, com cerca do dobro da concentração em cafeína, provém essencialmente de África. 

O laboratório começou por analisar justamente o teor em cafeína. Depois, aferiu a humidade, o extrato aquoso, as cinzas e a presença de ocratoxina A, uma micotoxina. O veredicto foi de cinco estrelas para todas as marcas em teste, pelo que só a degustação e o impacto ambiental permitiram separar as águas. Embora gostos não se discutam, alguns parâmetros podem contribuir para a escolha. É o caso da consistência e da persistência do creme ou da uniformidade da cor. Estes e outros aspetos foram avaliados por um painel de especialistas numa prova cega e sem adição de açúcar

Os provadores começaram por apreciar a cor, a intensidade, a uniformidade, a consistência e a persistência do creme. Em seguida, investigaram a intensidade e a complexidade do aroma, assim como o equilíbrio entre acidez, amargor e adstringência, a qual corresponde à sensação de boca “encortiçada” ou de “verde”. Apreciaram ainda o corpo ou a consistência do café e procuraram odores ou sabores que não deveriam estar presentes, que são considerados defeitos.

Os melhores cafés em cada sistema conseguiram quatro estrelas na degustação. O júri distinguiu sobretudo o equilíbrio entre acidez e intensidade de sabor e aroma, o corpo e a persistência do creme. Os cafés mais apreciados revelaram ainda um baixo nível de adstringência, ou seja, de sabor “a verde”. 

Ao nível do impacto ambiental, detetámos espaço para melhorias. A lei não considera as cápsulas como resíduos, mas os materiais que as compõem, como alumínio, plástico e cartão, podem ser transformados noutros produtos e os resíduos de café convertidos em fertilizantes. Destes materiais, o plástico é o que envolve as piores consequências para o ambiente. 

Medimos a quantidade de resíduos ao fim de um ano de consumo, tendo em conta um cenário de 700 bicas, e chegámos à conclusão de que as cápsulas com mais impacto são sobretudo as desenhadas para os sistemas Dolce Gusto e Delta Q, que tendencialmente integram maior quantidade de plástico. Se fizermos as contas ao peso dos desperdícios, para o mesmo cenário, as cápsulas Nespresso produzem pouco mais de 100 gramas de plástico por ano, enquanto as Dolce Gusto se aproximam dos cinco quilos e as Delta Q superam os 11 quilos.