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Ar condicionado: etiqueta energética com falhas

16 junho 2014

16 junho 2014

Os aparelhos de ar condicionado são cada vez mais eficientes, mas a etiqueta energética não serve o consumidor.

A Comissão Europeia renovou a etiqueta energética em janeiro de 2013. O regulamento introduz duas escalas de eficiência, uma para o inverno e outra para o verão. O índice passou a ser calculado de modo diferente: já tem em conta o funcionamento em carga parcial e os consumos adicionais, como o stand-by, em modo off e quando o compressor não funciona. Todos entram no cálculo dos índices SEER (cenário de verão) e SCOP (cenário de inverno). Na etiqueta, a classificação máxima destes equipamentos pode agora ser de A+++.

No aquecimento, o sistema usa 3 cenários diferentes, que correspondem a 3 regiões: temperaturas mais frias, as médias e as mais quentes. Esta evolução visa aproximar a etiqueta da realidade de cada país, mas a mesma estratégia não é considerada para o arrefecimento. Neste caso, apenas efetuam um cálculo.

Mas a verdade é que os países europeus vivem condições climáticas bem distintas durante o verão. Logo, uma só estimativa pode ser enganadora. A boa notícia é a medição dos consumos em stand-by.

Etiqueta promete, mas não cumpre

A etiqueta do ar condicionado foi renovada para refletir melhor o uso dos aparelhos. Promete ser mais realista e adaptada ao clima da região, mas continua a falhar. Deciframos o significado de cada elemento da etiqueta e explicamos como aproveitá-la ao máximo na hora de escolher.

Elementos para decifrar a etiqueta energética.
Elementos para decifrar a etiqueta energética.

Muita promessa, pouca utilidade

Testámos dois modelos segundo os dois métodos das etiquetas. Ambos têm 2,5 kW de capacidade de refrigeração (cerca de 9000 BTU/h), são inverter e estão equipados com bomba de calor.

Vislumbramos duas classes de energia (uma para arrefecer e outra para aquecer), em vez de uma (apenas para arrefecer). No caso do Daikin, o índice de arrefecimento é agora de 6,37, enquanto o velho foi de 4,39. Espelha bem esta “mudança”: o equipamento é exatamente o mesmo, mas o rendimento declarado é muito maior. A mensagem pode levar o consumidor a acreditar que os modelos atuais são muito melhores, mas não é o caso.

O modo de calcular o índice é bastante diferente e considera configurações mais favoráveis para o aparelho. Parte do cálculo considera temperaturas exteriores de 20 e 25ºC. Nestas temperaturas, o aparelho consegue ótimas eficiências. Mas com 20ºC lá fora o melhor é ventilar e não ligar o ar condicionado. Para a eficiência de aquecimento, há também uma diferença, mas não é tão dramática. O índice exibido nos dois modelos em teste apenas se aplica ao clima médio.