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Santander Totta desbloqueia compra de moedas virtuais

Em resposta à nossa interpelação, o Santander Totta garante já permitir que clientes façam transferências para contas bancárias associadas a sites de criptomoedas.

23 janeiro 2018
bitcoins

Thinkstock

“Neste momento a situação está esclarecida e ultrapassada, pelo que V. Exa poderá proceder a este tipo de transferências bancárias, caso assim o entenda.” Foi nestes termos que João Nogueira, o nosso associado que se viu impedido pelo banco Santander Totta de efetuar uma transferência internacional para uma conta associada à plataforma Coinbase, foi informado de que já poderia proceder à transação.

Na base da restrição “esteve a necessidade de informação adicional com vista ao bom cumprimento das obrigações legais a que o banco está sujeito, à maior segurança das operações e proteção dos seus clientes”, justificou a instituição num e-mail enviado a João Nogueira dois dias depois de termos alertado que os entraves do Santander não estavam sustentados em nenhuma base legal conhecida.

João Nogueira considera que o bloqueio da operação “ficou mal explicado” da parte do banco, mas já conseguiu fazer a transferência bancária para a conta associada à bolsa de moedas virtuais onde criou uma carteira digital, a Coinbase. Tem ouvido falar muito do fenómeno das criptomoedas e quer experimentar investir um pequeno montante.

A Coinbase é uma das plataformas mais famosas, largamente utilizada mundialmente pelos investidores de criptomoedas.

Ao nosso pedido de esclarecimento sobre os fundamentos do impedimento daquela transação, nomeadamente ao nível da regulação aplicável ao setor bancário, o Santander respondeu-nos apenas que o assunto estava “esclarecido” com o cliente.

Restantes bancos não impedem

Questionámos também seis outros bancos – Caixa Geral de Depósitos, BCP Millennium, Novo Banco, BPI, Montepio e BIC – sobre se, à semelhança do que aconteceu com o Santander, instituíram alguma limitação específica que vise transferências para contas bancárias associadas a sites de criptomoedas.

O Novo Banco respondeu, afirmando que “não tem, neste momento, nenhuma restrição em curso que vise inibir estas operações”. O mesmo indicou a Caixa Económica Montepio Geral, sublinhando, no entanto, que “todas as transferências são tratadas no âmbito da Politica de Gestão do Risco de Branqueamento de Financiamento do Terrorismo, cumprindo assim a legislação aplicável”.

A Caixa Geral de Depósitos informou que “permite transações regulares, em moedas convencionais, entre os seus clientes e as casas de câmbio que estão autorizadas pelo mercado”.

Quanto às restantes entidades bancárias, aguardamos resposta.