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Poupanças: portugueses alérgicos ao risco

29 abril 2013 Arquivado

29 abril 2013 Arquivado

Nos últimos 5 anos, mais de metade dos portugueses não aplicaram as poupanças por falta de dinheiro e medo da conjuntura atual. Entre os que investiram, a preferência recaiu sobre os depósitos a prazo. São as principais conclusões do nosso inquérito a 1533 consumidores.

O impacto das medidas de austeridade tem sido bem evidente na economia e nas opções de investimento dos portugueses. Desde 2008, mais de metade não investiu em poupanças. Destes, 87% apontaram a falta de dinheiro como o principal entrave. O elevado risco da conjuntura em que vivemos foi a segunda razão apontada.

Entre os consumidores que investiram nos últimos 5 anos, a maioria quis ter a garantia de que o risco não envolve as suas poupanças: 73% optaram por depósitos a prazo. Para 45%, este foi mesmo o seu maior investimento. Os planos de poupança-reforma, que perderam grande parte dos benefícios fiscais, posicionam-se em segundo lugar, reunindo um quinto dos principais investimentos dos entrevistados.

Falhas de informação nos intermediários financeiros

O banco é o intermediário preferido para a compra de produtos financeiros (81%), ainda que a decisão de investir numa determinada aplicação seja tomada pelos próprios inquiridos (58 por cento). Os que recorrem a profissionais optam sobretudo pelo seu gestor de conta ou por outro funcionário do banco.

O problema é que nem sempre estes conselheiros se rodeiam dos cuidados exigidos por lei ao emitir recomendações. Pouco mais de metade tentou saber quais os objetivos do investimento e apenas 42% perguntaram o prazo pretendido para a aplicação. Os rendimentos do cliente e a tolerância ao risco foram outras das questões que ficaram por saber.

Ao abrigo da Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros (DMIF), os intermediários (bancos e corretores) são obrigados a fazer um questionário ao investidor, de modo a aferir os produtos mais indicados para o seu perfil, o que não aconteceu. Estes resultados são graves, sobretudo tendo em conta o nível de literacia financeira dos inquiridos: em média, acertaram em três de oito perguntas sobre investimentos. Para saber qual o seu nível, teste os seus conhecimentosno nosso portal financeiro.

A informação fornecida pelo consultor também deixa a desejar. Em cerca de dois terços dos casos, aspetos importantes como a data de vencimento, os custos associados à compra e os encargos anuais não foram referidos. Muitas vezes, também ficaram por explicar informações mais detalhadas sobre o produto e os custos no resgate. Metade dos inquiridos não recebeu indicações sobre o período recomendado para o investimento e o nível de risco.

Face às falhas, não admira que o nível de satisfação com a prestação daqueles profissionais seja apenas mediano, com valores de 5 a 6 pontos numa escala até 10. 

Armas para enfrentar a crise

A maioria dos entrevistados admite que mudou o seu comportamento desde o início da crise, em 2008: procura mais informação sobre a liquidez, as garantias e os riscos e eventuais perdas do investimento. 

Numa época de aperto, criar um fundo de maneio, para fazer face a imprevistos sem ter de recorrer ao cartão de crédito e ao endividamento, é uma boa ideia. Se possível, guarde o equivalente a cinco ou seis salários, para enfrentar um eventual despedimento, e rentabilize-o através de uma aplicação sem risco, para não perder poder de compra. É ainda imprescindível que este montante esteja sempre disponível.
 
Depósitos a prazo, Certificados de Aforro e, para o médio a longo prazo, Obrigações do Tesouro são as nossas propostas para multiplicar as poupanças. Alternativas sem capital garantido e mais arriscadas, como fundos de investimento, ações, obrigações de empresas e produtos estruturados, não têm lugar no fundo de maneio, assim como os depósitos que não permitem mobilização antecipada.

Por fim, evite colocar todos os ovos no mesmo cesto: reparta o dinheiro amealhado por mais do que um banco e uma aplicação.