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Investir em casas: cinco mitos a saber antes de gastar dinheiro

09 agosto 2017
Investir em casas: cinco mitos a saber antes de gastar dinheiro

09 agosto 2017
Investir em imóveis é seguro? Será que vai render algum dinheiro? Desmistificamos as ideias feitas mais comuns. 
Quando se fala em investir em imóveis veem-nos à memória algumas ideias enraizadas como “uma casa não desvaloriza” ou “é a melhor herança que se pode deixar a um filho”. A PROTESTE INVESTE desmontou os argumentos de senso comum que nos habituámos a ouvir. Afinal, comprar uma casa pode não ser um investimento tão lucrativo ou seguro. Vejamos mito a mito. 

Qualquer um pode ser senhorio

Comprar e fazer um bom investimento não é tão fácil como parece e depende de inúmeros fatores. O capital é a primeira barreira. Não peça um crédito hipotecário para investir em imobiliário. Precisa também de ter a “certeza” de que o imóvel que está a comprar tem a localização certa. Quer seja para arrendar, quer seja para vender, a partir do momento em que o imóvel for seu, passa a ter custos fixos: eletricidade, água, gás, IMI, que podem fazer pender a balança para o lado da despesa. 

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Além disso, pode ser um investimento com muito pouca liquidez. Não se esqueça de que vender um imóvel pode demorar meses e isso implica não dispor do capital durante um largo período de tempo. 

Qualquer que seja o objetivo, vender ou arrendar, vai necessitar de dedicação, alguma experiência de venda e sorte. Nos dias de hoje, diz-se que tudo se vende e arrenda, mas nem sempre é assim. Em pouco tempo, a procura por imóveis na zona onde fez o investimento pode descer e, com isso, a sua probabilidade de retorno também desce. 

Planeie o seu investimento numa perspetiva de médio prazo e com vários cenários. Verifique se o preço de compra é correto e o retorno que pode obter se optar pelo arrendamento. A PROTESTE INVESTE tem um simulador que avalia a rentabilidade do arrendamento.  

É um investimento seguro

Pense na carteira de imóveis insolventes ou no exemplo dos bancos que sofreram, de forma direta ou indireta, com a crise, que começou no imobiliário em 2008, e que levou a uma onda de falências, vendas (totais ou parciais) e intervenções no sistema financeiro global. Lehman Brothers, Merril Lynch e AIG, nos Estados Unidos; Lloyds, Northern Rock e Royal Bank of Scotland, no Reino Unido; Fortis, na Bélgica; UBS e Credit Suisse, na Suíça; ING, na Holanda, e Bankia, em Espanha, são alguns nomes. 

Comprar uma casa em 2008 implicava ficar com o capital investido retido para não perder dinheiro e perder a oportunidade de investir noutro tipo de ativos. Apenas hoje estaria a chegar aos mesmos valores do investimento, não contabilizando os custos que entretanto teve ao longo destes quase 10 anos. A acrescer, o valor monetário que investiu nessa altura já não é o mesmo. Chama-se a isso inflação.

É o investimento mais rentável

A primeira pergunta que deve fazer é se a rentabilidade que retira do investimento direto num imóvel compensa em relação a outros investimentos com o mesmo grau de risco, como fundos de ações imobiliários ou Exchange Traded Funds (ETF). 

Se comprar, vai ter de lidar com os encargos típicos: seguros, impostos como o IMT e o IMI, pagamento de serviços, manutenção e até mediação, caso necessite de ajuda ou não tenha tempo para se dedicar à venda ou ao arrendamento.

Numa perspetiva de médio prazo, ficaria certamente mais descansado se investisse através deste tipo de fundos. A título de exemplo, o ETF Lyxor EPRA/NAREIT Global Developed teve uma rentabilidade anualizada nos últimos cinco anos de 12,32 por cento.

Um imóvel nunca desvaloriza

São vários os fatores que influenciam a variação de preços nos imóveis: taxas de juro, o crescimento da economia, o emprego e o ritmo de construção. 
O preço no imobiliário tem um comportamento cíclico, e é verdade que os preços dos imóveis estão a atingir máximos. Por isso, poderá não ser o melhor momento para comprar casa enquanto investimento. 

É impossível prever um cenário de bolha imobiliária. Por exemplo, em Portugal o valor médio de avaliação bancária (o valor das casas estabelecido pelos bancos) subiu 5,6% no último ano. E os indicadores continuam favoráveis para uma subida generalizada dos preços, apesar de alguns ajustes no mercado imobiliário que serve de referência a nível mundial, o americano.  

É a melhor herança que se pode receber

Adquirir imobiliário para os seus filhos ou familiares pode não ser a melhor solução. Para além da pouca liquidez que um imóvel pode ter, são várias as incertezas no domínio da fiscalidade, nomeadamente no valor dos impostos a médio prazo. 

Por exemplo, imagine que deixa um imóvel de 200 mil euros de valor patrimonial a alguém que não seja herdeiro direto. Sobre o valor patrimonial vai incidir uma taxa de 10%, ou seja 20 mil euros. O imposto sucessório foi extinto em 2003, mas não se sabe se será reintroduzido e, nesse caso, os herdeiros diretos também pagariam alguma coisa.