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Futebol: 12 respostas sobre os negócios da bola

Receitas e despesas

Como se financiam os clubes?
Estádios cheios? Qual quê... Mesmo que as bancadas estivessem ocupadas a 100% em todos os jogos da época, a receita não seria suficiente. Pelo menos, para um clube com ambições europeias e mundiais. As fontes de receita podem dividir-se em quatro grandes áreas. As que entram pela via dos jogos, incluindo a bilheteira e os serviços a empresas (as entradas nas bancadas “VIP”, os alugueres para salas de reunião, os eventos, entre outras). As receitas comerciais também são fonte importante de liquidez: a sponsorização, o merchandising, as visitas ao estádio e outras atividades. Por exemplo, o Barcelona registou receitas apreciáveis de um concerto de Bruce Springsteen, em maio de 2016.

E há que não esquecer a fatia de leão destas contas, os direitos de transmissão televisiva, e os prémios de participação nas competições domésticas e da UEFA. As receitas de particulares começam, também, a ocupar um espaço importante: o Real Madrid, por exemplo, realizou diversas tours lucrativas pela Ásia.

Pergunta bem, nesta fase: e as transferências de jogadores com que os media nos bombardeiam todos os dias, em agosto e em janeiro? As transações de passes de jogadores podem ter, em qualquer ano, um saldo positivo ou negativo, e são muito voláteis. Ainda que possam constituir grande parte dos lucros de um clube-empresa, não são fontes de receitas recorrentes.
Quanto ganham os clubes na Liga dos Campeões?

As receitas da UEFA têm duas componentes: os prémios fixos em função do desempenho, e o market pool, que é uma soma atribuída por país, em proporção ao valor do mercado televisivo das equipas participantes (a partir da fase de grupos da prova). O valor é depois dividido pelos clubes, seguindo vários critérios: depende do número declubes participantes de cada país, da classificação no campeonato doméstico e dos desempenhos anteriores na Liga dos Campeões. Para a época 2017/2018, a UEFA anunciou que, do valor a distribuir pelos clubes (cerca de 1 260 milhões de euros), aproximadamente 60% serão prémios, e 40% será market pool.

Os prémios fixos em função de desempenho são atribuídos por vencer (ou empatar) jogos e avançar nas diferentes fases das competições (sendo que a Liga Europa tem prémios substancialmente inferiores à Liga dos Campeões).

Fazendo as contas de 2017, o Benfica ganhou 31,5 milhões de euros com os jogos e o market pool da Liga dos Campeões, o FC Porto 30,1 milhões de euros e o Sportingficou-se pelos 21,4 milhões de euros, fruto da sua passagem para a outra competição da UEFA, a Liga Europa, que “oferece” valores mais modestos.

 

Por que motivo os clubes não vão à falência?

Qualquer adepto que se preze sabe que o futebol é um mundo à parte. Desde logo, pelo modelo empresarial: os clubes são geridos pelas chamadas Sociedades Anónimas Desportivas (a célebre sigla SAD). Do ponto de vista económico e contabilístico, uma empresa está em falência técnica se o valor dos seus bens for inferior ao das suas dívidas e responsabilidades.

Do ponto de vista legal, porém, a empresa só está insolvente se não conseguir fazer os pagamentos devidos de forma atempada. Mas as SAD não são empresas “normais”. Não são geridas para dar lucro, mas apenas para suportar as suas equipas desportivas. Enquanto houver dinheiro para contratar jogadores e pagar os salários, os seus acionistas (os clubes de futebol como entidade são os acionistas maioritários das SAD) não se importam de deixar andar a situação. Assim se compreende que já tenham estado várias vezes em falência técnica, sem consequências de maior.

O importante é a capacidade de obter novos financiamentos, mantendo boas relações com a banca e os investidores. Por exemplo, o Sporting terminou as épocas 2013/2014 e 2015/2016 com capitais próprios negativos, mas porque estava a seguir um plano de restruturação financeira que tinha acordado com os seus principais credores em 2013, não houve grande impacto, na prática.