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Futebol: 12 respostas sobre os negócios da bola

Os grandes clubes

Qual é o clube mais rico do mundo?
Depende do que se considera “o mais rico”. O que tem mais lucros? O que tem mais receitas? Ou uma combinação de vários fatores? Seja qual for o critério, há duas coisas com que pode contar: perto do topo estarão sempre o inglês Manchester United e os rivais espanhóis Real Madrid e Barcelona, e dificilmente encontrará clubes que não sejam das cinco grandes ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França).

No estudo “The European Elite 2017”, a consultora KPMG calculou um “valor de empresa” com base num modelo de avaliação baseado sobretudo nas receitas, mas levando em conta parâmetros como a rentabilidade, a popularidade ou o valor do plantel.

No 1.º lugar ficou o Manchester United (3 095 milhões de euros), ultrapassando o Real Madrid (2 976 milhões). O Barcelona e o Bayern de Munique são os outros dois clubes com um valor estimado acima dos 2 000 milhões de euros.

Entre os 32 clubes mais valiosos intrometeu-se o Benfica (23.º, 340 milhões de euros). O FC Porto esteve dentro do grupo dos 32 mais valiosos na edição anterior, mas não conseguiu este ano manter a sua posição.
Com que empresas se podem comparar os três "grandes"?
O item que mais pode dar a ideia do “tamanho” de uma empresa é a dimensão do seu ativo, que representa todos os recursos físicos e humanos ao seu dispor.

No caso das SAD, o valor do plantel também determina a dimensão dos ativos. Mas a determinação desse valor é subjetiva. As cotações dos jogadores podem oscilar consideravelmente, consoante o sucesso desportivo em montras como a Liga dos Campeões. Mas pode perguntar: e os jogadores da formação, de que clubes como oSporting se gabam (e com toda a razão, foi de lá que saíram Cristiano Ronaldo e Figo, entre muitos outros)? Em regra, não têm valor contabilístico (até que os seus direitos sejam transacionados), o que subestima o valor dos plantéis com mais jovens formados na casa.

Feitas então as contas, o Benfica é, das três SAD, a que tem o maior ativo. Considerando as últimas contas anuais divulgadas (as SAD fecham o exercício a 30 de junho), a sua dimensão coloca-o entre a SAG Gest (holding que detém a distribuidora automóvel SIVA) e a Sonae Capital.

Já o FC Porto e o Sporting têm uma dimensão relativamente próxima, estando entre a Sonae Indústria e a Media Capital.
O que distingue os clubes de elite europeus?
Há muitos fatores em jogo. São clubes com um largo historial de sucesso desportivo dentro e fora de portas, e construíram uma marca forte, ultrapassando o âmbito local para serem seguidos em todo o mundo. É possível ver coreanos, chineses ou vietnamitas a envergar as suas camisolas, apesar da grande distância geográfica que os separa dos principais campeonatos da Europa. O Manchester United destaca-se como campeão das vendas de merchandising. Por isso, este e outros clubes estão pouco dependentes financeiramente de sucessos desportivos ou de vendas de jogadores.

Mas também há fatores específicos. Os clubes ingleses beneficiam das receitas de transmissão televisiva mais elevadas de todas as ligas, e a sua liga é a mais popular em mercados chave na Ásia e América do Norte. A liga espanhola ainda está atrasada face aos britânicos, ainda que tenha receitas importantes em mercados como a América Latina ou o Médio Oriente.

Os clubes alemães têm um nível de elevado de receitas internas (bilheteira, comerciais) mas escassa atratividade internacional, à exceção do Bayern de Munique.

Já os franceses estão em desvantagem pela pesada tributação no seu país, que dificulta a competição pelos melhores jogadores, e têm as receitas das transmissões televisivas mais baixas entre estes cinco países (Espanha, Itália, França, Inglaterra e Alemanha).
Qual é o "grande" com as contas em pior estado?
Mais uma vez, depende. Se considerarmos o endividamento e a capacidade de fazer face à sua dívida a longo prazo, podemos passar a bola ao Benfica, pois a sua dívida financeira, mesmo após várias épocas de sucesso desportivo, é o dobro da do Sporting e uma vez e meia a do FC Porto. Mas se considerarmos a sustentabilidade, verificamos que o Benfica é o único dos três que está perto de conseguir pagar as despesas anuais de financiamento com os lucros das operações, sem estar dependente das vendas de jogadores (Sporting e FC Porto têm prejuízos operacionais).

Há dois argumentos que pesam “contra” o FC Porto. É o que tem os capitais próprios negativos: -68,806 milhões de euros. Este valor representa um agravamento para mais do dobro face ao registado no final da época anterior. Por comparação, o Benfica regista 67,732 milhões e o Sporting 5,618.

Por outro lado, como vimos, o FC Porto é atualmente o único clube cujo desequilíbrio das contas levou a ser condicionado pelas regras de Fair Play Financeiro da UEFA.