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Funcionários dos CTT confusos sobre Certificados de Aforro e do Tesouro

Em 10 balcões dos CTT visitados, apenas um funcionário soube calcular o rendimento líquido dos Certificados de Aforro e do Tesouro. Houve mesmo quem respondesse que não havia "expectativas de rendimentos" futuros para os produtos do Estado. Veja as 6 perguntas que causaram confusão.

  • Dossiê técnico
  • António Ribeiro
  • Texto
  • Maria João Amorim
17 julho 2018
  • Dossiê técnico
  • António Ribeiro
  • Texto
  • Maria João Amorim
funcionários dos CTT confusos sobre certificados de aforro e do tesouro

Hélder Oliveira

Os especialistas da PROTESTE INVESTE visitaram, sob a forma de cliente-mistério, 10 balcões dos CTT. O objetivo: procurar esclarecimentos sobre os produtos de poupança do Estado. Levaram perguntas sobre quanto poderiam render, em termos líquidos, os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTCP) e os Certificados de Aforro. Nalguns balcões foram indicadas taxas erradas. Noutros, os funcionários não souberam dizer as expectativas de rendimentos para o futuro. Ao serem pedidas as fichas técnicas, houve quem apresentasse os folhetos comerciais dos produtos. Só um funcionário foi capaz de calcular o retorno de um investimento de € 5 mil em Certificados do Tesouro. 

A prova à qualidade da informação prestada foi feita nas estações dos CTT da Estrada de Benfica, do Centro Comercial Colombo, da gare do Oriente, da Rua Amélia Rey Colaço, da Alameda D. Afonso Henriques, da Avenida da Liberdade, da Avenida Casal Ribeiro, da Rua Pascoal de Melo e da Avenida de Roma − todas em Lisboa − e de Moscavide, em Loures.

O certo e o errado nas respostas

“Em termos líquidos, quanto rende cada um dos produtos?”

Um funcionário dos CTT da gare do Oriente afirmou que o rendimento é de “2,25% para os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento; nos Certificados de Aforro, é de 0,67% no primeiro trimestre e nos trimestres seguintes depende de uma taxa anunciada e baseada na Euribor”.

O que está errado? As taxas referidas para os CTPC são as brutas, quando a pergunta era sobre o retorno líquido. Além disso, 2,25% é a taxa bruta que o aforrador consegue no sétimo ano, prazo máximo da aplicação.

A mesma informação incorreta foi dada nos balcões da Rua Amélia Rey Colaço e da Avenida de Roma. Neste último, disseram também que o rendimento dos Certificados de Aforro é de 1,38 por cento. Mas a taxa de base da série E dos Certificados de Aforro é só de 0,5% líquida.

No balcão da Rua Pascoal de Melo, foi dada a informação de que os CTPC rendem 1,38% líquidos e o retorno dos Certificados de Aforro é de 0,67% líquidos no primeiro ano. Segundo uma funcionária do balcão de Moscavide, o rendimento era o que estava referido no documento que apresentou aos nossos especialistas, mas era preciso subtrair 0,28% àquela taxa. Nos CTT da Estrada de Benfica, foi dada uma cópia de uma simulação de juros brutos para uma aplicação de € 1000, apesar de a dúvida ser sobre o rendimento líquido.

A resposta certa seria explicar que os CTPC pagam juros anuais a uma taxa crescente que vai dos 0,5% aos 1,6% líquidos. Em termos de rendimento médio líquido, garantem apenas 1% ao ano, se o capital investido for mantido durante o prazo máximo do investimento, que é de sete anos. A partir do segundo ano, à taxa de juro mínima definida para esse ano pode acrescer um prémio em função do crescimento do PIB.

Apenas o funcionário dos correios do Centro Comercial Colombo conhecia bem o produto sobre o qual estava a falar e soube fazer contas.

“Quais as expectativas para o futuro, em termos de rendimento?”

No geral, os funcionários explicaram corretamente: nos Certificados de Aforro, o rendimento depende da Euribor. Ou seja, está diretamente relacionado com  taxas de curto prazo; nos CTPC, as taxas são fixas, mas, a partir do segundo ano, há um prémio adicional a reboque do crescimento do PIB.

Mas muitos funcionários não souberam explicar o que é o prémio variável dos Certificados do Tesouro. Foi o que aconteceu nos balcões da Afonso Henriques, de Moscavide, da Pascoal de Melo, da Avenida da Liberdade (aqui disseram-nos mesmo que não havia “expectativas de rendimentos”), da Casal Ribeiro (onde ficámos a saber que “a taxa média é de 1,38% em definitivo”, o que não tem que ver com a realidade), de Benfica e da Avenida de Roma. 

No balcão da Avenida de Roma, se a funcionária tivesse lido a ficha do produto disponível no site da empresa onde trabalha, saberia que a fórmula de cálculo da rendibilidade dos Certificados de Aforro é bem diferente da que nos apresentou. A mesma questão também criou algum embaraço ao funcionário do balcão da Estrada de Benfica, que não soube esclarecer sobre o que esperar no futuro e, singelamente, rematou: “depende dos mercados...”.

Perguntámos ainda se era possível resgatar o dinheiro em qualquer altura, se o capital aplicado estava garantido caso o Estado falisse, se a subscrição e o resgate poderiam ser feitos online e se os produtos tinham fichas. Saiba o que responderam os funcionários dos CTT.


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