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Caixa Geral de Depósitos recua e vai pagar juros abaixo de 1 euro

A pressão dos consumidores, que criticaram a atitude da CGD, e do Banco de Portugal, que manifestou a sua oposição, levou o banco a voltar atrás.

05 julho 2019
caixa geral de depósitos

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Fomos das primeiras entidades a vir a público criticar a iniciativa da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Em declarações à imprensa, António Ribeiro, analista financeiro da PROTESTE INVESTE, salientou que a medida era "um sinal muito errado dado ao aforrador", quando deveria ser dado "o sinal inverso, de incentivo à poupança". Alertámos também para o perigo de outros bancos seguirem as pisadas da Caixa Geral de Depósitos. 

Esta semana, o Banco de Portugal manifestou a sua oposição relativamente à decisão de o banco público reter os juros abaixo de 1 euro nos depósitos. Agora, a CGD recuou e anunciou que vai pagar juros em todos os depósitos. 

A decisão da Caixa prejudicava precisamente os aforradores com menos recursos. Para que tivesse um euro de juros (à taxa bruta de 0,015%, que será aplicada a partir de 1 de agosto), necessitava ter 6667 euros aplicados durante um ano. Quem tivesse abaixo desse montante não receberia juros. Aliás, se o depósito fosse a seis meses, necessitaria de mais de 13 332 euros para receber um euro.

Desde o início desta controvérsia, sublinhámos que o pagamento de juros é um direito do cliente, pelo que esta decisão da Caixa, mesmo que fosse legal, não é moralmente correta. 

A decisão da CGD que deu origem à polémica

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) comunicou aos seus clientes com depósitos poupança a taxa fixa que atualizará em baixa as respetivas taxas de juro. A partir de 1 de agosto, os juros semestrais dos depósitos em comercialização (Caixapoupança, Caixapoupança Reformado, Emigrante, Superior), por exemplo, irão passar de 0,05% para 0,015%, uma redução de 70 por cento.

Segundo a CGD, o cliente tinha "o direito de denunciar o contrato, imediatamente e sem encargos antes da data proposta para a aplicação das referidas regras, caso contrário será considerado que aceitou as alterações indicadas". A Caixa justificou a medida com o contexto atual: "a menor capacidade de remuneração de depósitos e poupanças pelo setor bancário assenta na necessidade de ajustamentos progressivos, de modo a assegurar a sustentabilidade do setor".

 

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