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Responsabilidade social: em busca dos direitos humanos

10 dezembro 2015

A geografia do trabalho forçado e mal pago dispersa-se por vários continentes. Nas nossas investigações, encontrámos muitos casos de desrespeito pelos direitos humanos em países asiáticos, africanos e sul-americanos. 

Comércio e serviços

Setores tão distintos como a criação de flores, o fabrico de móveis em madeira, a produção de detergentes e as práticas nas cadeias de hotéis e os serviços bancários tocam-se em pontos negativos. 

Nem tudo é um mar de rosas na produção de flores. Equador, Brasil, África do Sul e Quénia recorrem à utilização excessiva de pesticidas que prejudicam a saúde dos trabalhadores, sem equipamento de protecção. Os salários são baixos e as jornadas longas, sem pagamento de horas suplementares, sobretudo no pico das vendas.

China, Vietname, Indonésia e Malásia e zonas vulneráveis, como a Amazónia, a África central, o sudeste asiático, a Rússia e alguns países do Báltico estão ligados à produção de madeira e, consequentemente, ao mobiliário. Alguns daqueles países, com regimes ditatoriais ou envolvidos em conflitos, pactuam com a destruição florestal, com impactos negativos nas comunidades locais e em povos indígenas.

Nalgumas fábricas da Europa, o uso de substâncias químicas perigosas na produção de detergentes para a roupa afeta os trabalhadores. Por exemplo, os alquifenóis, desreguladores hormonais, provocam danos no sistema imunitário.
Nos hotéis, os salários são os mínimos legais e não consideram o custo de vida local.
Nos hotéis, os salários são os mínimos legais e não consideram o custo de vida local.

Instabilidade laboral com elevada rotação de trabalhadores e horas de trabalho elevadas são algumas das práticas nos países com grandes cadeias de hotéis. Na Europa do Sul (Maiorca e Niza), na Tailândia e no México, as cadeias não beneficiam as comunidades locais. Além disso, a construção das unidades hoteleiras não é precedida de uma análise dos impactos sociais e ambientais.

Os bancos não são sempre transparentes quanto à utilização do dinheiro dos clientes, ou seja, há falta de tranparência nos que respeita aos investimentos e projetos financiados pelos bancos. Para isso, devem ser obrigados a divulgar publicamente um relatório com os seus investimentos, créditos e financiamentos a empresas e projetos controversos ou pouco éticos. Alguns financiamentos provocam danos ao nível dos direitos humanos e do ambiente.