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Gestores de topo ganham 25 vezes mais do que a média dos trabalhadores

07 julho 2017
Estudo PROTESTE INVESTE sobre o ordenado dos gestores de topo

07 julho 2017
António Mexia é o gestor português mais bem pago e a Jerónimo Martins é a empresa com maior disparidade salarial. É preciso reforçar a legislação no sentido de evitar abusos. Fizemos chegar as nossas reivindicações às autoridades competentes.

António Mexia, da EDP, ganhou mais de 2 milhões de euros (remuneração fixa e variável), o que o coloca em primeiro lugar em valores absolutos e à elétrica nacional em segundo na lista das empresas com maior disparidade salarial (49,5 vezes em relação aos restantes trabalhadores).

Pelo segundo ano consecutivo, Pedro Soares dos Santos, presidente da Comissão Executiva (CEO) da Jerónimo Martins, lidera a tabela dos gestores de topo que mais ganham em relação à média dos restantes trabalhadores da empresa. E o fosso agravou-se significativamente, passando de 90 para 130 vezes. Na base desta discrepância está um aumento de 46,6% do seu salário global para € 1 269 000, enquanto os restantes trabalhadores ganharam em média apenas mais 1,4% face a 2015.

Neste estudo da PROTESTE INVESTE, a disparidade salarial entre quem ganhou mais e a média dos trabalhadores foi superior a 20 vezes em 11 empresas analisadas. Falamos do Jerónimo Martins, EDP, Sonae, CTT, Galp Energia, Semapa, Mota-Engil, Navigator, NOS, BPI e Novabase. Em média, este rácio foi de 25 vezes, ligeiramente inferior ao registado em 2015. A explicá-lo está o facto de o total das remunerações pagas aos CEO em 2016 ter baixado 6,2% face a 2015, o que pode ser um bom sinal.

A PROTESTE INVESTE continua a defender o reforço da legislação no sentido de evitar abusos. Em matéria de remunerações, as empresas nacionais ainda revelam falhas, que também devem ser imputadas ao legislador. Isto porque muitas das recomendações da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) são positivas, mas são apenas recomendações. Não têm, como deveriam ter, caráter obrigatório. Enviámos cartas à CMVM, Ministério das Finanças e aos grupos parlamentares com as nossas reivindicações. 

A análise foi feita com base na informação disponível nos Relatórios e Contas de 2016 das 21 empresas nacionais cotadas em bolsa e que são seguidas pela PROTESTE INVESTE. Comparámos a remuneração do presidente da Comissão Executiva face à média dos restantes trabalhadores da empresa, bem como a forma como essa remuneração é atribuída e se está ou não sujeita ao escrutínio efetivo dos acionistas. A Pharol e a Sonae Indústria não divulgaram informação suficiente para que este rácio pudesse ser calculado.

Conheça as empresas com falhas e as com boas práticas e saiba mais sobre o papel dos acionistas de uma empresa na política de remunerações em PROTESTE INVESTE.