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Criação de emprego: entrevista a Alexandre Oliveira, do IEFP

05 abril 2012 Arquivado

05 abril 2012 Arquivado

Os incentivos à criação do próprio emprego podem ser a saída para quem está sem trabalho e tem espírito empreendedor.

Sair do desemprego

Os números mostram que os programas de criação de emprego não estão a resultar...
A criação de emprego está muito dependente das condições de mercado e é muito complicado fixar objetivos em alturas como a que vivemos. Não há criação de emprego sem crescimento. Mas não diria que as medidas não estão a resultar. No caso das medidas de apoio ao empreendedorismo, é evidente que estamos num mecanismo mais exigente do que desenvolvido anteriormente pelo IEFP, em que a análise das iniciativas era feita ao nível dos centros de emprego. Agora estamos no mercado “puro e duro”, em que as candidaturas às nossas linhas de crédito confrontam-se com as propostas da generalidade das empresas em atividade. A avaliação é feita por profissionais, tendo em conta o mercado.

Considera que as iniciativas agora aprovadas têm mais hipóteses de sucesso?
Diria que sim, embora o mercado esteja muito difícil para o empreendedor e o contexto não seja o melhor para lançar novos projetos empresariais. Se as linhas de crédito tivessem sido lançadas 5 ou 6 anos antes, teríamos mais crédito concedido e o sucesso das iniciativas seria potencialmente maior.

A criação do próprio emprego parece-lhe ser uma boa solução na conjuntura atual? 
Apostamos nisso. Queremos encontrar empreendedores com ideias válidas e inovadoras, ou seja, que não façam mais do mesmo. Por isso, o Instituto vai incluir um módulo, mais alargado, dedicado ao empreendedorismo em todas as sessões de técnicas de procura de emprego. Estas sessões existem há muitos anos e são uma espécie ação de formação de vários dias, em que as pessoas são aconselhadas sobre a forma de promover o retorno ao mercado de trabalho, o modo de se apresentarem perante o empregador e como elaborar o currículo, entre outros aspectos. Agora vamos alertar mais para a possibilidade de criarem o próprio emprego, embora não se possam criar empresas por decreto. Estas têm de encontrar o seu lugar no mercado.

Vamos ainda intensificar o diálogo com os bancos, no sentido de infletir a tendência de quebra de 2011. No ano passado houve uma contração de cerca de 45% na concessão de crédito, sobretudo, na linha Invest+. Estamos a tentar perceber os bloqueios, embora saibamos que os bancos também têm dificuldades de liquidez e de acesso ao crédito. 

"Queremos encontrar empreendedores com ideias válidas e inovadoras, ou seja, que não façam mais do mesmo", alerta o responsável do IEFP.

Que cuidados deve ter quem pretende criar o próprio emprego?
Avaliar muito bem a ideia de negócio e o mercado. Não é tanto a atividade: pode haver nichos para explorar em atividades à partida desinteressantes. Não tenho nenhuma receita, digo apenas que devem pensar bem o projeto e nos riscos associados. Se correr mal, a situação é duplamente gravosa: volta ao desemprego e tem de assumir responsabilidades que antes não tinha.

É importante procurar aconselhamento. Por vezes, os novos empresários não gostam de apresentar as ideias, têm medo de que as copiem. Não digo que mostrem tudo, mas é preciso o máximo de abertura, para obterem o melhor aconselhamento possível. O optimismo, por vezes, é tão grande que as pessoas não descem à terra. Ser empreendedor é interessante, mas implica riscos. Neste momento, trabalhamos com bancos e, se houver incumprimento, o nome fica registado no Banco de Portugal e dificilmente volta a ter crédito. É preciso ter consciência disso e tomar todas as precauções.

Que recomendações daria a quem está à procura de emprego?
Aconselhamos as pessoas a manterem uma atitude proativa na procura de emprego, explorando todas as oportunidades e mantendo um empenho e motivação constantes. O IEFP tem um leque importante de ofertas de emprego. Algumas até são difíceis de preencher, sobretudo, trabalhos por turnos e as que oferecem rendimentos mais baixos, ao nível do salário mínimo. Não aceitamos propostas abaixo deste limite.  

Também podem aceder a ofertas de emprego, consultando o portal Net-Empregos, da responsabilidade do IEFP.

Devem ainda aproveitar a situação de desemprego para valorizar a qualificação profissional. O Instituto tem uma oferta razoável de formação, quer para uma valorização mais transversal, quer para adquirir competências nalguma área específica que possa auxiliar o retorno ao mercado de trabalho.

Por outro lado, também temos de recomendar maior flexibilidade para aceitar condições aparentemente menos favoráveis. Quando há pleno emprego, toda a mão-de-obra é valorizada. Em situações de maior desemprego, as condições são menos favoráveis. São as leis do mercado. Perante o empregador, convém mostrar uma atitudede interesse e de disponibilidade. Há também a rede de trabalho no exterior, a Eures, com ofertas de emprego na Europa. A esta rede estão associados conselheiros em vários centros de emprego em Portugal e noutros países europeus, que podem acompanhar os interessados e diminuir os riscos associados ao trabalho no estrangeiro.

Contudo, a situação difícil e admitimos que ainda possa haver um agravamento do desemprego em 2012, uma vez que não se prevê crescimento económico. Esperamos que este agravamento não seja muito acentuado, porque a situação está muito complicada, sobretudo, para quem perde o emprego.