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Criação de emprego: entrevista a Alexandre Oliveira, do IEFP

05 abril 2012 Arquivado

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Os incentivos à criação do próprio emprego podem ser a saída para quem está sem trabalho e tem espírito empreendedor.

Empreendedorismo em tempo de crise

Tem ideia de quantas candidaturas à criação do próprio emprego recebem?
Ao nível do empreendedorismo, o IEFP tem duas grandes áreas de atuação: o crédito bancário e a entrega da totalidade das prestações de desemprego. Os projetos de maior dimensão podem acumular as duas modalidades de apoio. O financiamento pode servir para criar o próprio negócio, sozinho ou associado a outras pessoas, ou para comprar, por exemplo, uma parte de uma empresa, desde que fique com mais de 50% do capital. Muitas vezes, esta associação é interessante, porque beneficia da experiência de mercado e da atividade de outras pessoas.

Os números que tenho são fornecidos pela SPGM (Sociedade Portuguesa de Garantia Mútuo), a entidade gestora da linha, que assegura todos os contactos com os bancos, e respeitam apenas aos projetos aprovados. Em 2010 e 2011, a Microinvest suportou 196 operações, que criaram 271 postos de trabalho. A Invest+ financiou 721 operações, com 2045 empregos.

Não consegue dizer o número dos que foram rejeitados?
No caso de criação do próprio emprego com a totalidade das prestações do subsídio de desemprego, tenho os dados. Para as linhas de crédito, não. O fornecimento dessa informação não foi protocolado com os bancos.

Neste momento, estamos já com mais de um terço das linhas ocupadas: dos 100 milhões de euros dedicados à linha, já temos crédito concedido na ordem dos 35 a 36 milhões, desde 2010. Numa conjuntura mais favorável, o número seria, com certeza, superior.

O contexto atual obriga os bancos a serem mais rigorosos na concessão de crédito e a privilegiar os melhores projetos, os que apresentam melhores perspetivas para singrar. E tem de ser assim. De outra forma, arranjaríamos problemas às pessoas: se o projeto falir, o promotor não só volta ao desemprego, como fica com dívidas. Já era assim quando o IEFP concedia incentivos a fundo perdido e empréstimos sem juros, porque o dinheiro concedido pelo Instituto tinha de ser devolvido. Agora, com os bancos no comando das operações, a exigência da análise é ainda mais importante, embora o fundo de garantia, em princípio, possa ser suficiente para acudir a situações de incumprimento, colmatando as eventuais perdas do sistema financeiro.

"O contexto atual obriga os bancos a serem mais rigorosos na concessão de crédito e a privilegiar os melhores projetos", esclarece Alexandre Oliveira.