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Pandemia deu fôlego aos meios de pagamento digitais

A utilização de meios de pagamento digitais cresceu com a pandemia: mais de metade de portugueses usaram apps, plataformas ou cartões virtuais nas suas transações. Mas a segurança dos pagamentos eletrónicos continua a ser uma preocupação, revela o nosso inquérito.

09 março 2022 Exclusivo
smartphone com ícones de transações financeiras digitais

iStock

Mais de metade dos portugueses recorreram a meios de pagamento digitais no primeiro ano da pandemia, segundo o inquérito que realizámos em abril e maio de 2021 a 1667 portugueses, sobre a utilização de meios de pagamento, nos 12 meses anteriores. Meios eletrónicos como aplicações para smartphone, cartões virtuais ou plataformas de pagamentos online, como o Paypal, cresceram em utilização por parte de mais de um quarto dos portugueses.

E, embora, na maior parte dos casos, a percentagem de utilizadores ainda seja reduzida (cerca de 15%), no caso das plataformas, os utilizadores praticamente igualaram os dos cartões de crédito (43% e 44%, respetivamente). Quanto a estes últimos, mais de um quarto dos inquiridos admitiu ter-lhes dado menos uso.

Apesar do crescimento dos meios digitais, o dinheiro vivo continuou a dominar, no período em análise: 98% dos portugueses usaram-no nas suas transações, embora mais de um terço o tenham feito com menos frequência.

Gráfico sobre a utilização dos meios de pagamento durante a pandemia

O cartão de débito, cuja utilização foi recomendada, nessa altura, em detrimento do numerário, foi o segundo meio mais usado (93%), sendo que 21% dos inquiridos admitem ter passado a fazer mais operações com este meio. 

Em 74% dos casos, os cartões estavam equipados com a tecnologia contacless, que permite fazer pagamentos pela aproximação do cartão ao terminal. Quando a pandemia rebentou, o montante máximo para pagamentos contactless sem necessidade de introduzir o PIN passou de 20 para 50 euros.

Nos 12 meses anteriores ao estudo, 45% dos inquiridos usaram um cartão de débito deste tipo, pelo menos, uma vez por semana. Ainda assim, muitos estabelecimentos comerciais continuam a não disponibilizar este modo de pagamento, o que terá contribuído para as dificuldade de 71% das pessoas em utilizá-lo, pelo menos, uma vez no mês anterior ao inquérito.

Menos adesão tiveram os pagamentos com smartphone ou smartwatch em lojas físicas: 84% afirmam que não utilizaram estes meios.

Apps de pagamentos e homebanking satisfazem

As aplicações para telemóvel que permitem fazer pagamentos, transferências ou levantar dinheiro nas caixas automáticas ganham cada vez mais adeptos. Um em cada cinco portugueses afirmam que usaram mais este tipo de tecnologia, no período analisado.

Dois terços das pessoas que fizeram transações através da internet recorreram, sobretudo, a aplicações como o MB Way ou o Revolut, bem como a plataformas digitais. Já o homebanking e as aplicações disponibilizadas pelos próprios bancos foram o canal preferencial de 34% dos utilizadores. 

Ainda que baixa, a percentagem dos que admitiram ter tido problemas associados à utilização de apps e plataformas online é de 2,4%, percentagem que desce para 0,4%, no caso do homebanking ou apps dos bancos. De um modo geral, os utilizadores mostram-se satisfeitos com estes canais digitais.

Receios com a segurança

Embora a utilização de meios de pagamento digitais tenha registado um aumento no primeiro ano da pandemia, quase 40% mantiveram-se fiéis aos meios tradicionais, por não estarem confortáveis com a tecnologia inerente aos meios eletrónicos. Mas a maioria não aderiu ao digital por um motivo particular: os receios com a segurança

Gráfico - não fizeram pagamentos online porque

De modo a reduzir os riscos de fraude e a reforçar a segurança dos pagamentos digitais, a autenticação forte foi implementada, em 2019, no espaço europeu. Este procedimento obriga a uma dupla verificação da identidade dos utilizadores, para autorizar operações bancárias. De acordo com o nosso inquérito, mais de nove em cada dez portugueses consideram que este é um sistema fácil de usar, sendo que 79% acreditam que, devido a este mecanismo, os pagamentos online são mais seguros. 

Digital aumenta risco de exclusão financeira

Apesar de os meios de pagamento digitais estarem a conquistar um número crescente de utilizadores, esta não é uma tendência transversal a toda a sociedade. Os dados do nosso estudo mostram que é apenas nas faixas etárias mais baixas, entre os 25 e os 39 anos, que a sua utilização é massiva (82 por cento). Essa percentagem desce para 56% entre os que têm 40 e 59 anos, e, para 31%, no caso dos inquiridos com idades entre os 60 e os 80 anos.

Também as habilitações literárias pesam na hora de se trocar a carteira pelo computador ou pelo smartphone. Se, dos portugueses com formação superior, 81% afirmaram ter usado estas tecnologias no período em análise, entre os que têm um grau de escolaridade mais baixo, o valor cai para um terço.

Num cenário de dinheiro totalmente virtual, o risco de exclusão de boa parte dos cidadãos é real. Vejam-se os dados do nosso inquérito, que revelam que 16% dos inquiridos não fizeram pagamentos online, simplesmente, porque não têm computador ou telemóvel.

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