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Crise no BES: 3 dúvidas frequentes dos investidores

18 setembro 2014 Arquivado

18 setembro 2014 Arquivado

Os depositantes deverão sair apenas com as dores de cabeça que a situação lhes provocou, mas os acionistas e os obrigacionistas deverão perder muito, se não for tudo.

No primeiro fim de semana de agosto, o Banco de Portugal, a autoridade do sistema financeiro nacional, decidiu pôr fim ao Banco Espírito Santo, então o maior banco cotado português. A DECO, com o apoio da equipa de analistas da PROTESTE INVESTE, lançou um formulário para recolher as queixas e preocupações dos acionistas e dos investidores. Após as primeiras semanas, conseguimos detetar as perguntas mais frequentes dos consumidores, que respondemos aqui. No entanto, ainda há muito trabalho pela frente. Como explica André Gouveia, em entrevista no portal PROTESTE INVESTE, os relatos serão alvo de uma análise jurídica para saber quais os próximos passos a tomar. 

Gostaria de saber se as minhas poupanças estão seguras no Novo Banco. Apliquei 10 mil euros num produto que no contrato diz ser um depósito à ordem com vertente de poupança associada. Chama-se conta BES 100%.
Não se espera que os antigos clientes do BES (agora clientes do Novo Banco), em particular os seus depositantes sinta qualquer impacto nas suas poupanças em resultado da decisão do Banco de Portugal. Os depósitos e os créditos passaram para o Novo Banco e será com esta entidade que os clientes poderão prosseguir o seu relacionamento normal. Mesmo no pior dos desfechos, o Fundo de Garantia de Depósitos assume o reembolso das contas à ordem e a prazo até ao valor máximo de 100 mil euros por titular.

Tenho 13176 ações do BES, das quais 3791 foram subscritas no último aumento de capital. O BES é o meu principal banco e, durante anos, o único banco. Tenho o crédito à habitação e todas as minhas poupanças no BES.
Os acionistas e os detentores de obrigações subordinadas do BES perderam provavelmente todo o dinheiro investido. A atividade com valor passou para o Novo Banco e o BES ficou apenas com ativos de má qualidade, pelo que após a sua liquidação não deverá restar nada para entregar aos acionistas e aos obrigacionistas afetados.

A PROTESTE INVESTE não aconselhou a participação no aumento de capital e aconselhava a venda dos títulos do BES. Não obstante a análise específica ao BES, sempre alertámos para os riscos do investimento em ações, mas é verdade que a falência deste banco não foi um processo normal.

Em janeiro fui aliciado no meu balcão para subscrever 100 mil euros à taxa de 4,15% com vencimento para outubro de 2014 em papel comercial da Rioforte. Disseram-me que era uma aplicação segura como uma conta a prazo. Será que há algum perigo nesta aplicação de não reaver o capital mais os juros no vencimento? Ou será que, mesmo perdendo dinheiro, posso fazer uma liquidação antecipada?
Há muitos clientes do BES preocupados com as implicações do colapso do banco. Como é sabido, os problemas tiveram origem em relações impróprias com outras empresas do Grupo Espírito Santo (GES), como a Rioforte. Uma das faces mais visíveis (e graves) passou pela venda de dívida emitida por empresas do GES aos balcões do BES. Ora, estas empresas estão, muitas delas, em processo de falência, pelo que os clientes que compraram esse tipo de dívida (exemplo: papel comercial) poderão ter perdas consideráveis. Nestes casos, o Banco de Portugal e o Novo Banco ainda não esclareceram definitivamente os potenciais lesados. Há a intenção explícita de ressarcir os clientes pelas más práticas do BES, mas não existe ainda nenhuma decisão.

Sempre desaconselhámos a compra deste tipo de produtos de dívida, cujo nível de risco é de difícil perceção até em casos normais. Muito certamente, muitos clientes do BES apostaram nestas aplicações desconhecendo por completo em que consistiam e o nível de risco que lhes estava subjacente.