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Criptomoeda Libra do Facebook envolta em dúvida

Com argumentos de peso para agitar pagamentos, a moeda virtual do Facebook relança preocupações sobre privacidade, lavagem de dinheiro e proteção dos consumidores. 

19 julho 2019
criptomoeda facebook

iStock

O lançamento da moeda virtual do Facebook, a Libra, foi anunciado em junho e, em menos de um mês, também suspenso, face às dúvidas levantadas pela Comissão Europeia e pelo Congresso norte-americano. Os consumidores também têm questões sobre as vantagens.

O que promete a moeda virtual Libra

Não confundir com a libra, moeda nacional britânica, “pound” no original. Um dos objetivos declarados da Libra é fornecer serviços financeiros à grande fatia da população mundial que não tem acesso a uma conta bancária e a serviços de pagamento, apesar de ter internet e telemóveis. Alguns especialistas dizem que a chegada da libra vai obrigar os bancos a repensarem as comissões de manutenção que cobram e sobre as transferências. 

É uma criptomoeda em versão melhorada que visa manter os principais benefícios, como explica a análise da PROTESTE INVESTE. Ao contrário da bitcoin, por exemplo, que não é regulada e não está dependente de nenhuma entidade oficial, a moeda do Facebook será gerida num consórcio de 20 empresas, a Libra Association. A sua missão é dirigir todos os aspetos da criptomoeda, desde os técnicos, como o desenho da blockchain (tecnologia que permite as transações online de forma segura), até ao cumprimento das exigências legais. O grupo inclui nomes notáveis, como as gigantes dos pagamentos VISA, Mastercard e PayPal, que, perante uma possível ameaça ao seu modelo de negócio, não quiseram ficar de fora.

Outro aspeto que a distingue é a ligação à realidade: ao contrário das outras criptmoedas, que não têm ligação à atividade económica real e flutuam meramente com base nas expectivas do público, a Libra será garantida por um cabaz de ativos financeiros em várias divisas. O valor da Libra tenderá a ser igual ao valor desse cabaz. Espera-se, assim, que o comportamento da libra, em termos de valor, seja semelhante ao de outras moedas “normais”. 

É preciso uma análise mais profunda dos riscos

Muitas entidades mundiais, incluindo o grupo Euroconsumers, da qual a DECO PROTESTE faz parte, têm apelado a uma análise mais profunda dos riscos, especialmente depois do escândalo da venda de dados pessoais de milhões de utilizadores do Facebook à Cambridge Analytica, sem o consentimento dos donos desses dados, que motivou a nossa ação contra o Facebook

O que poderá acontecer, no futuro, caso uma fraude destas volte a acontecer, quando os dados comercializados incluírem os rendimentos dos utilizadores? Como o Facebook vai ter uma base de dados enorme de utilizadores elegíveis para utilizar a criptomoeda Libra, vai ter capacidade para conectar transações com a Libra a determinados indivíduos. Foi já anunciado o interesse do Facebook no negócio de créditos ao consumo. A libra pode vir a abrir-lhe novos mercados, reduzindo a margem de manobra da concorrência e a escolha dos consumidores. 

Os consumidores têm muitas questões técnicas, jurídicas e éticas. A Euroconsumers está disponível para tomar o seu lugar na Fundação Libra e representar os interesses dos consumidores.

 

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