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Bancos cobram comissões a empresas como Revolut e outras fintech

As empresas tecnológicas na área financeira (fintech) ameaçam o modelo de negócio dos bancos com custos mais baixos. A banca riposta com mais comissões.

  • Dossiê técnico
  • Nuno Rico
  • Texto
  • Cláudia Sofia Santos
10 fevereiro 2020
  • Dossiê técnico
  • Nuno Rico
  • Texto
  • Cláudia Sofia Santos
mão segura tablet com icones alusivos a empresas fintech

iStock

Depois das comissões nas transferências através de MB WAY contra a desproporcionalidade das quais temos lutado na nossa ação, a CGD e o Millennium Bcp passaram a cobrar comissão pela operação de carregamento das contas virtuais como Revolut ou PayPal. Para poder carregar saldo nas contas bancárias destas fintech é necessário associar um cartão de débito ou crédito de uma conta à ordem tradicional. Aqueles bancos cobram agora por essa operação, para já, só quando o carregamento acontece através do cartão de crédito.

A CGD cobra 3,75 euros mais 4,5% do valor carregado, a que se soma o inevitável imposto de selo. Isto significa que um carregamento de 100 euros no Revolut, ou outra aplicação semelhante, irá custar 8,58 euros ao consumidor, ou seja, quase 9% de comissão. O Millennium Bcp é um pouco mais “simpático”: cobra 4,68 euros pela mesma operação de igual valor.

Como evitar comissões no Revolut e outras apps

Existem 3 formas de carregar uma conta virtual ou pré-paga ligada as estas aplicações: com o cartão de débito, de crédito ou através de transferência bancária. Através do cartão de débito, ainda não é cobrada a operação.

No caso das transferências, é aplicável o preçário de cada instituição, mais acessível do que as comissões agora anunciadas. Por exemplo, no caso do Revolut, existe um IBAN britânico associado a cada conta. Por isso, pode realizar uma transferência interbancária SEPA para carregar o saldo desta conta, com o mesmo custo de uma transferência nacional.

Se é utilizador de uma destas novas plataformas financeiras e tem associado um cartão de crédito da CGD ou Millennium Bcp, troque-o pelo cartão de débito. Se não tem, passe a carregar a sua conta recorrendo a uma transferência bancária normal.

O peso das comissões num só extrato

Quando se fala de produtos e serviços bancários, Revolut, PayPal ou a app MB WAY são alguns dos nomes de operadores tecnológicos financeiros que já entraram no vocabulário dos portugueses. Simplificar a vida dos consumidores e baixar os custos das operações bancárias são os dois argumentos apresentados por estas fintech e contra os quais a banca dita tradicional resolveu ripostar, tentando acabar com uma parte das suas vantagens comparativas.

Tendo em conta a quantidade exorbitante e crescente de comissões bancárias em todo e qualquer produto e serviço bancário, o Banco de Portugal (BdP) recomenda um conjunto de boas práticas para a disponibilização do extrato anual de comissões através de e-mail e telemóvel. Os restantes clientes continuam a receber os extratos pelos meios tradicionais, carta.

Segundo o BdP, o extrato deve ser disponibilizado de forma clara e facilmente identificável com a designação “extrato de comissões”. Os clientes devem ser informados através do envio de uma notificação específica. E o extrato deve estar disponível por um ano, pelo menos, entre outras recomendações do BdP.

Concordamos com esta medida, mas consideramos que estas boas práticas também se deveriam aplicar aquando da comunicação de alterações de preçário.

Exigimos alteração à lei contra as comissões do MB WAY

As comissões são agora a nova base da atividade bancária. Muitas vezes, os preços praticados são desproporcionais, como acontece no caso das transferências através da aplicação MB Way e que contrariam o intuito da própria aplicação, ou seja, ser grátis para o consumidor.

A falta de ação do BdP face às mais de 33 mil reclamações recebidas através da nossa ação contra as comissões nas transferências por MB WAY faz-nos solicitar uma intervenção política e, eventualmente, uma alteração à lei, aos partidos com assento parlamentar. Defendemos que as comissões associadas a este serviço não ultrapassem os limites dos custos que os comerciantes pagam sempre que há utilização de cartões.

 

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