Notícias

As 10 comissões bancárias mais bizarras

21 julho 2020
nota de 100 euros pendurada num gancho

O esquecimento do código PIN do cartão ou o depósito de moedas podem levar o seu banco a cobrar-lhe comissões “bizarras”. É urgente que o Banco de Portugal ou o legislador clarifiquem o que pode ser considerado serviço bancário. 

As mais bizarras

1. Depósito de moedas

Todos os bancos nacionais cobram ao cliente por receberem um depósito em moedas, quando estas excedem as 100 unidades. Em média, a operação custa € 5,71 por cada conjunto de 100, mas bancos como o Millennium BCP e a Caixa Geral de Depósitos cobram € 2,6 quando o depósito excede apenas as 25 moedas. A Caixa Geral de Depósitos possibilita gratuitidade, dependendo do tipo de conta do cliente. Regra geral, o montante fica cativo durante vários dias, ou seja, só é disponibilizado na conta do cliente depois de contado e confirmado.  

Para fugir à comissão faça vários saquinhos com 99 moedas (ou 24, dependendo do banco) e deposite-os em dias diferentes.

2. Declarações

Os documentos que comprovam valores, como os relativos ao crédito à habitação, implicam também o pagamento de comissões. Uma declaração com o montante da prestação mensal suportada pelo crédito à habitação custa, em média, 49, 15 euros. Já um documento comprovativo do valor que falta para pagar a casa implica pagar, em média, 69,85 euros.

3. Informação por escrito

Tal como as declarações, um pedido de informação escrita (por exemplo, um documento atestando que a conta é solidária) obriga o consumidor a desembolsar, em média, 63,14 euros. Nenhum banco isenta este pagamento, sendo o Banco BiG o que pede menos (€ 18,45) e o BBVA o que cobra mais (153,75 euros).

4. Engano no IBAN

Se se enganar no IBAN do destinatário de uma transferência, pode anular a operação contactando o banco de imediato. O serviço custa, em média, 27,73 euros. No caso de Abanca, a comissão pode atingir os 62,40 euros. Nenhum banco, atualmente, isenta esta comissão. 

5. Esquecer o PIN

O esquecimento do código do cartão Multibanco ou Visa e o pedido de novo PIN pode implicar o pagamento de € 7,93, em média, ao banco. O Novo Banco está no topo deste pódio, já que cobra 11,44 euros.

6. Renegociar crédito

Negociar e pedir para alterar as condições de pagamento de um crédito pessoal implica geralmente o pagamento de comissões de cerca de 136,46 euros. A isenção só costuma ser dada a clientes cujo crédito já se encontra em incumprimento e que esteja a ser renegociado. Mas certamente esta não é uma boa solução. Uma alteração simples, como alterar a data de pagamento da prestação custa, no Banco Montepio, 52 euros.

7. Alterar a titularidade

A mudança de estado civil é uma das razões mais comuns a motivar a alteração da titularidade da conta, uma situação em que o banco cobra, em geral, 6,50 euros. 

Para fugir à comissão pode, em alternativa, abrir uma nova conta no mesmo banco. O encerramento da antiga é gratuito.

8. Pedir dinheiro ao balcão

Levantar dinheiro no balcão da agência tem um custo médio de 5,98 euros. O Novo Banco cobra € 12,48 pelo serviço, mas o pódio é ocupado pelo BBVA que cobra 15,60 euros. Não há exceções nem fuga possível a esta comissão a não ser evitá-la.

9. Cancelamento de cheques

É evidente que, se passa cheques, não deve perdê-los. O que não é tão óbvio é que, se quiser cancelar um cheque, terá de “abrir os cordões à bolsa” e subtrair-lhe € 12,11, em média. O EuroBic chega a cobrar 24,60 euros, mas há exceções a considerar: Best Bank, Novo Banco e Santander Totta não comissionam esta matéria.

10. Cheques carecas: uma epopeia

Passar um cheque sem confirmar, primeiro, que há saldo na conta para o pagar é altamente contraindicado, mas os esquecimentos podem acontecer. Às consequências legais, como a de integrar a lista de utilizadores de cheque que oferecem risco do Banco de Portugal, soma-se um rol de despesas difíceis de compreender.
  • Por passar um cheque sem cobertura, é-lhe cobrada uma comissão de, em média, € 46,06, um valor que atinge os € 67,60 no Santander.
  • Os cheques até 150 euros têm de ser obrigatoriamente pagos pelos bancos quando apresentados a pagamento. Se isso acontecer sobre um cheque que passou, ser-lhe-á cobrada uma comissão de, em média, 35,28 euros. O Santander Totta exige 52 euros.
  • Até para avisá-lo de que tem um cheque seu sem cobertura, o banco cobra. A notificação custa, em média, € 19,23 e não está isenta em nenhum banco.
  • Depois da notificação, quem passa o cheque tem 30 dias para o regularizar. Aí surgem novos encargos, no valor de € 52, em média. Na Caixa Geral de Depósitos chega aos € 83,20. Best Bank, Banco BiG e BBVA não cobram esta comissão. 
  • Se não for regularizado em 30 dias, o banco avisa o cliente de que está impedido de emitir cheques e inclui o seu nome na listagem de utilizadores de cheque que oferecem risco do Banco de Portugal. Mais uma vez, o cliente paga pela notificação dada pelo banco: € 23,12 em média (o EuroBic chega a exigir 36,90 euros).
  • Sair da listagem do Banco de Portugal antes do prazo estipulado de dois anos é possível a pedido do cliente, em situações excecionais, bem fundamentadas e desde que os cheques sem cobertura já tenham sido regularizados e os restantes entregues ao banco. Para fazer esse pedido, o banco pede em média, uma comissão de 119,74 euros. A Caixa Geral de Depósitos pede 156 euros.
  • Depois de removido o nome da “lista negra” do Banco de Portugal, pode solicitar que seja celebrada nova convenção que lhe permita usar cheques. Também aqui é cobrada uma comissão, em média de € 119,37. A exceção é o BBVA, que nada cobra. A Caixa Geral de Depósitos e o Abanca exigem 156 euros.