Notícias

Maioria dos seguros da casa não cobre danos por sismo

Início

Não é fácil encontrar uma seguradora que aceite fazer um seguro com cobertura de fenómenos sísmicos a muitas casas em Portugal, sobretudo as mais antigas e localizadas em zonas de risco. A solução pode ser recuperar o fundo sísmico.

22 fevereiro 2018
multirriscos

Thinkstock

A contratação de um seguro multirriscos-habitação com cobertura de fenómenos sísmicos garante o pagamento de danos na sequência de tremores de terra, erupções vulcânicas ou maremotos. Mas, em caso de imóveis antigos ou localizados em zonas de risco elevado, como o Algarve ou os Açores, poderá ser difícil, talvez mesmo impossível, contratar esta cobertura.

O baixo número de habitações em Portugal com cobertura de fenómenos sísmicos é prova desta dificuldade. De acordo com um estudo da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), apenas 16% das casas com seguro têm a cobertura que indemniza na eventualidade de terramoto.

Cobertura cara

Não só é difícil contratar a cobertura de fenómenos sísmicos, como é caro, sobretudo nas zonas de maior risco, fator que também ajuda a explicar o reduzido número de habitações protegidas. O preço desta cobertura depende da zona sísmica onde se situa o imóvel, do ano de construção e do capital seguro.

Quanto maior for a probabilidade de ocorrer um sismo na região onde se localiza a casa, mais oneroso se torna o seguro, mas, também, mais necessário. Para efetuarem os cálculos, as seguradoras baseiam-se numa tabela que classifica cada concelho do País em função de cinco categorias de risco.

Os Açores e o Algarve são as regiões com o risco mais elevado e onde os consumidores estarão mais desprotegidos, por muitas seguradoras se recusarem mesmo a incluir esta cobertura no multirriscos-habitação.

Solução: fundo sísmico

Em 2010 esteve para ser aprovado o diploma que visava a criação de um sistema de cobertura das perdas decorrentes de fenómenos sísmicos que garantisse maior proteção a todos.

Propunha-se um sistema tripartido, constituído por um fundo com património autónomo e sujeito à supervisão da ASF, pelas seguradoras e pelo Estado.

A ideia era tornar obrigatória a cobertura de fenómenos sísmicos para as frações destinadas a habitação (apenas o edifício, não o recheio) e que já estivessem cobertas por seguros de incêndio ou multirriscos.

À semelhança do que existe para o seguro automóvel obrigatório, quando um consumidor tentasse contratar uma cobertura destas e deparasse com sucessivas respostas negativas por parte das seguradoras, deveria reunir três declarações de recusa e dirigir-se à entidade gestora do fundo, que nomearia uma dessas companhias para celebrar o contrato.

Havendo um sismo, seriam as seguradoras as responsáveis pela regularização de sinistros e pelo pagamento das indemnizações. Em primeiro lugar, seriam utilizados os recursos financeiros do fundo sísmico e só no caso de se esgotar este capital é que as seguradoras seriam chamadas a intervir, suportando o valor remanescente. Ao Estado, por sua vez, caberia a reconstrução de equipamentos sociais e infraestruturas públicas destruídas com o sismo.

Para que muitos consumidores possam ter acesso a uma cobertura essencial, há que ressuscitar o fundo sísmico. É chegada a altura de retomar o projeto que visava a criação de um sistema de cobertura das perdas decorrentes de fenómenos sísmicos, melhorando-o e eliminando algumas das suas fragilidades. 

O sistema não poderá ter caráter facultativo e estar dependente da adesão das seguradoras, como foi proposto então, sob pena de ser posta em risco a sua efetivação, além de discriminar os clientes das seguradoras não-aderentes.

Já apresentámos estas reivindicações ao Ministério das Finanças, à Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e aos grupos com assento parlamentar em 2010. E vamos voltar a apresentar.

Imprimir Enviar por e-mail