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Euribor pode subir, mas não vai disparar

Com o estado de alerta mundial, espera-se um possível aumento da Euribor. Saiba qual o cenário esperado e o que aconselhamos para cada situação. 

  • Dossiê técnico
  • João Fernandes, Margarida Zacarias e Nuno Rico
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Filipa Rendo
14 abril 2020
  • Dossiê técnico
  • João Fernandes, Margarida Zacarias e Nuno Rico
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Filipa Rendo
Taxa euribor

iStock

A taxa Euribor - conhecida por ser o indexante utilizado nos créditos à habitação da maioria da população portuguesa - tem estado a subir desde meados de março. A Euribor a 6 meses, por exemplo (período mais utilizado nos créditos à habitação), subiu de -0,447% a para -0,232% entre 12 de março e 7 de abril. 

O valor da Euribor utilizado para o cálculo da prestação mensal é a média dos valores que assume durante um mês. Por isso, não é certo que a prestação do crédito à habitação tenha um aumento expressivo, mesmo que a revisão da taxa de juro ocorra com base na Euribor média do mês de abril.

Nesta fase, as dificuldades que as empresas enfrentam estão a levar os bancos a serem mais cautelosos nos créditos que concedem, o que permite o tal aumento da taxa, apesar de ainda estar em terreno negativo.

Crise económica? Sim, mas diferente de 2008

Já presenciámos algo semelhante na crise económica de 2008. Muitas famílias deixaram de conseguir pagar as prestações, devido ao aumento da famosa Euribor para valores acima de 5 por cento. Aquela crise começou no setor financeiro norte-americano, com a falência de um dos maiores bancos americanos da altura, o Lehman-Brothers. Muitos bancos limitaram o financiamento entre si, fazendo aumentar as taxas dos mercados interbancários (onde é calculada a Euribor), o que motivou, na altura, a subida da Euribor para valores tão elevados. 

Neste momento, não estamos a falar de um aumento para estes valores. O caminho ainda é muito longo até lá chegar. A crise económica que se avista não tem semelhanças com a de 2008, pois teve início numa crise sanitária, numa altura em que os bancos não estão com dificuldades, nem de se financiarem entre si, nem diretamente no Banco Central Europeu (BCE). As taxas de juro nos mercados interbancários não deverão aumentar. 

Mais vale prevenir do que remediar

Há diversas medidas de apoio à economia que estão a ser estudadas pelo Banco Central Europeu e pelo Eurogrupo, que poderão parar ou limitar o aumento da Euribor.

Para o crédito à habitação, os bancos apresentam sempre um segundo cenário, onde refletem no plano prestacional o valor da Euribor mais alto dos últimos 20 anos. É aconselhado que, na contratação de novos créditos com taxa variável, tenha sempre em consideração um valor de prestação intermédio, ou seja, entre o valor da prestação que paga com a Euribor atual e o valor do tal segundo cenário apresentado pelo banco. 

Verifique se conseguiria pagar esse valor intermédio, de forma a lidar com uma eventual subida das taxas. Se, depois de analisar, chegar à conclusão que o seu orçamento familiar não suporta esta subida, é melhor não avançar. Espere melhores condições para contrair um novo empréstimo. 

Se já tiver contratado o crédito e agora verificar que o seu orçamento não tem folga para suportar o impacto de um eventual aumento, contacte o seu banco e informe-o de que está a correr risco de incumprir com o pagamento do crédito. Em conjunto, poderão encontrar uma solução melhor. É sempre preferível antecipar, enquanto ainda não tem prestações em atraso. 

Caso já tenha alguma redução de rendimentos devido à pandemia da covid-19 e se enquadre nas condições de acesso, pode também recorrer à moratória de crédito à habitação criada para o efeito.

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