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Crédito à habitação do Millennium BCP fica mais caro se fixar a taxa

18 outubro 2016 Arquivado
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18 outubro 2016 Arquivado
O Millennium BCP está a propor a alguns dos seus clientes mais antigos que fixem a taxa do crédito à habitação. Mas essa opção vai encarecer os empréstimos e não é a melhor decisão numa altura em que a Euribor assume valores cada vez mais negativos.

Fixar a taxa do crédito à habitação em contratos com spreads reduzidos durante cinco ou dez anos, tal como o Millennium BCP está a propor a alguns dos seus clientes mais antigos, vai tornar os empréstimos mais caros e não é boa opção num momento em que a Euribor está em queda histórica. Consideramos que, nos termos em que é apresentada, a oferta é apenas uma forma de o banco aumentar a rentabilidade de produtos que, neste momento, dão pouco lucro à instituição.

O argumento é a antecipação de uma possível subida das taxas Euribor. O cliente passa a pagar sempre a mesma prestação num prazo de cinco a dez anos. Quando este período terminar, o banco volta a aplicar as condições iniciais do crédito, nomeadamente o spread, mas com um importante senão: o indexante utilizado será sempre a Euribor a 12 meses, independentemente de o contrato inicial estipular uma Euribor a 3 ou a 6 meses.

Num empréstimo com um spread de 0,5%, associado à Euribor a 3 meses, por exemplo, o banco propõe alterar o contrato para uma taxa fixa de 1,1% por cinco anos, ou de 1,45% por dez anos. A taxa final de um crédito destes ronda, atualmente, os 0,198%, considerando as médias de setembro da Euribor.

Analisando esta proposta, o nosso especialista da DINHEIRO & DIREITOS, Nuno Rico, afirma que o BCP está “a oferecer estabilidade em troca de um aumento de cinco vezes da taxa de juro aplicada ao financiamento”. Tome-se como exemplo um crédito de 150 mil euros, a pagar em 30 anos: fixar a taxa representa mais 60,18 euros na prestação mensal. “É certo que não se pode prever o futuro, mas, tendo em conta o atual contexto económico na zona euro e a evolução dos mercados de taxas de juro, não é expectável que os juros venham a subir nos próximos anos, de maneira a compensar esta diferença”, defende Nuno Rico.

Os mercados de contratos futuros (instrumentos financeiros que permitem comprar ou vender, futuramente, determinado ativo a um determinado preço, fixado no presente) sobre taxas de juro apontam para que os valores da Euribor se mantenham negativos até ao final de 2020, pelo menos.

“Com esta campanha, o BCP está, claramente, à procura de obter mais rentabilidade nos créditos à habitação com spreads baixos. A Euribor está hoje em mínimos históricos”, sublinha Nuno Rico.

No entanto, “se o consumidor não lida bem com as atualizações periódicas do valor da sua prestação, pode ver nesta proposta uma oportunidade de estar descansado durante alguns anos”, aponta o especialista. Desde que esteja consciente de que “vai acrescentar à sua mensalidade um valor extra significativo e que, no final, a opção poderá não ter compensado”, alerta.


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