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Certificado energético: 24% dos anúncios online sem classe energética

Como apresentam a classe

Para vermos se a informação sobre a classe energética é dada de forma clara, analisámos o layout dos anúncios nas montras das agências físicas e nos portais de imobiliário. Ainda que não haja uma obrigação relativa à forma de apresentação, o manual de normas gráficas da ADENE pretende orientar e “dotar o mercado de elementos gráficos que conduzam a uma uniformização e qualidade de informação prestada ao consumidor final”. Entre outras sugestões, nas montras, recomenda-se que se use a iconografia energética para identificar as classes e que os ícones sejam colocados sobre a fotografia do imóvel. Deve evitar-se o texto isolado. Nos sites, sugere-se o recurso à iconografia e, quando possível, com a escala energética. Em complemento pode ser disponibilizada informação escrita, em linha com as características do imóvel, ou a criação de uma secção específica sobre o desempenho energético.

Entre as agências que indicavam a classe em todos ou em alguns anúncios da montra, existia uma uniformização na apresentação da informação. Na maioria dos casos, recorria-se à iconografia energética, mas com frequência usava-se uma versão simplificada e monocromática. Ainda assim, encontrámos cinco (Atriumed, IGMI, Paulo Macedo & Cristina Picão, Resposta Convergente e Soluções Ideais, todas em Lisboa) que se afastavam muito dos modelos propostos pela ADENE, ao optarem apenas pelo formato de texto. Na agência Paulo Macedo & Cristina Picão, por exemplo, a indicação confundia-se com outros elementos: surgia de forma abreviada (Cert -C). Já na Atriumed, a informação era apresentada por extenso, como acontecia com a “classe energética B” de um apartamento de cinco assoalhadas no Belas Clube de Campo, na região de Sintra. Nenhuma destas situações é desejável, dado que dificulta a perceção.

No caso dos nove sites que indicavam a classe energética de alguns imóveis publicitados, é possível aceder à informação na página de características das casas, mas em dois (Imovirtual e RE/MAX) aparece também na lista resultante da pesquisa.

A maioria dos portais recorre à iconografia energética, mas o Imo-Portugal, o OLX e o Imovirtual afastam-se dos modelos propostos pela ADENE, ao optarem só pelo formato de texto. Contudo, também existem exemplos positivos. Destaca-se o portal da RE/MAX, que, além de mostrar os ícones da classe das casas nas listagens de pesquisa e nas respetivas páginas, acrescenta informação que ajuda a compreender o tema.

O que reclamam os consumidores

Para identificar situações de incumprimento e punir os infratores, é essencial que a Direção-Geral de Energia e Geologia fiscalize as agências imobiliárias e os portais: urge detetar irregularidades e aplicar coimas. Dado que as normas da ADENE para orientar o mercado na apresentação da classe energética dos edifícios não são respeitadas com frequência, devem ser fixadas algumas regras obrigatórias para garantir informação clara para todos, tal como já se faz na etiqueta energética dos equipamentos.

Nos sites de imobiliário, e além de constar da página das características da habitação, a classe deve aparecer nas listagens que resultam da aplicação dos critérios de pesquisa selecionados pelo utilizador. Mais: as ferramentas de criação de anúncios dos portais de classificados, como o OLX, por exemplo, nunca deveriam aceitar a publicação sem ser indicada a classe.