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Crédito em casas de penhores: vão os anéis e os dedos

15 março 2013

15 março 2013

Obter financiamento através de uma casa de penhores oferece poucas vantagens. Os juros são muito altos e as avaliações ficam muito aquém do valor real dos bens.

A situação é bastante comum: para fazer face a uma emergência, como uma despesa de saúde ou dívida urgente, há quem opte por penhorar bens valiosos. Joias, quadros, relógios, antiguidades ou, até, canetas de ouro e prata são alguns exemplos do que pode encontrar numa casa de penhores.

O acesso ao crédito é fácil e rápido. Contudo, o negócio é muito pouco vantajoso para o consumidor, a começar na taxa de juro. Por exemplo, num empréstimo de 200 euros a 6 meses, e supondo a avaliação do bem em 300 euros, a taxa anual de encargos efetiva global, que reflete o custo real do crédito, chega quase aos 50%, o dobro do que cobram os cartões de crédito.

Outro aspeto negativo é a avaliação do bem. Muitas vezes, o valor estimado pelo prestamista fica aquém do valor de mercado, o que torna difícil conseguir o montante de que necessita no imediato. Tal também terá implicações se não conseguir pagar os juros durante três meses consecutivos e o bem for posto à venda: como o valor de base da venda é igual ao da avaliação, se esta for muito baixa, poderá receber muito menos do que vale o objeto. Isto, sem contar com o facto de que 11% ficam para o prestamista quando a venda for consumada.

Se possível, aguarde pelo fim do mês para pagar uma despesa urgente. As casas de penhores só devem ser encaradas como uma solução para quem já esgotou todas as alternativas de financiamento.

Se não tiver alternativa à casa de penhores...

  • Visite mais do que um estabelecimento, para saber por quanto lhe avaliam o bem o bem que quer penhorar. Pode encontrar diferenças significativas.
  • Desconfie dos anúncios de jornal a casas de penhores. Pode tratar-se de atividades ilegais, isto é, não licenciadas.
  • Verifique se o estabelecimento tem alvará de funcionamento. Este deve estar afixado num local bem visível e prova que a loja está legalizada. O alvará dá-lhe mais garantias de que a loja não vende objetos roubados, nem cobra mais do que as taxas máximas permitidas por lei (1% pela avaliação e entre 3% e 3,75% pelo empréstimo).
  • Mesmo que tenha dificuldade em pagar os juros, nunca deixe de fazê-lo por mais de três meses. Se tal acontecer, o bem pode ser leiloado, caso em que perde o direito a reavê-lo.
  • Procure penhorar bens que não tenham para si valor sentimental ou que não lhe façam falta. Pode não ter como recuperá-los, se deixar de poder pagar o empréstimo e estes forem a leilão.
  • Se tiver de recorrer a este tipo de crédito, salde a sua dívida logo que seja possível. Embora as casas de penhor aceitem o pagamento de empréstimos até dois anos, quanto mais tempo este se arrastar, mais caro fica.

Objeto no prego em cinco passos

  1. O prestamista avalia o objeto cobrando uma taxa máxima de 1% (1 euro num bem de 100 euros). Pode ser obrigado a pagar mesmo que decida não penhorar o bem.
  2. O contrato dura um mês e é renovável por períodos iguais até ao máximo de dois anos. Por lei, as casas de penhores não podem cobrar uma taxa de juro superior a 3% para ouro, prata e joias, e a 3,75% para os restantes bens. Caso se atrase no pagamento, poderão ser-lhe aplicados juros de mora.
  3. Pode amortizar o empréstimo a qualquer momento. Tem de entregar, no mínimo, 10% do capital em dívida. Nesse caso, quando o contrato for renovado, paga juros sobre o remanescente.
  4. Para resgatar o objeto penhorado, pode ter de avisar o prestamista com uma antecedência de até cinco dias úteis, mencionada obrigatoriamente no contrato. Implica o pagamento do capital e dos juros em dívida.
  5. Após três meses sem pagar juros, o bem pode ser vendido pelo prestamista, que fica com 11% do valor de base da licitação. Para resgatar o objeto depois de ser posto à venda, tem de pagar aquela taxa. e da venda resultarem ganhos para si, reclame-os no prazo de seis meses.