última atualização: 22/01/2021

É seguro tomar a vacina contra a covid-19?

São já duas as vacinas contra a covid-19 autorizadas pela Comissão Europeia. O plano de vacinação contra a covid-19 arrancou a 27 de dezembro de 2020 com a administração da vacina da BioNTech/Pfizer aos profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados a doentes. Prevê-se a vacinação de toda a população portuguesa ao longo de três fases definidas pelo Governo, mas a verdade é que as dúvidas persistem. Esclarecemos as principais dúvidas e mitos:

As vacinas foram feitas em tempo recorde. Foram respeitados todos os passos? 

Sim. Nenhuma fase foi eliminada ou reduzida mas conseguiu-se implementá-las em paralelo. O diálogo precoce e contínuo entre a indústria farmacêutica e um grupo de peritos em regulamentação da Agência Europeia do Medicamento (EMA) foi importante para agilizar todo o processo. Foram levados a cabo os mesmos tipos de estudos que são realizados para a aprovação dos outros medicamentos e realizada uma avaliação rigorosa da qualidade, segurança e eficácia das vacinas. Todas foram testadas num elevado números de pessoas.

As vacinas são eficazes?

Ainda não é conhecida a duração da proteção contra a covid-19 dada pelas vacinas aprovadas. No entanto, mostraram desempenhos positivos na eficácia.

A vacina BioNTech/Pfizer apresenta uma eficácia de 95% na redução do número de casos sintomáticos de covid-19 nas pessoas que receberam a vacina. A mesma eficácia foi verificada nos participantes com risco de sintomas graves da covid-19, tais como pacientes com asma, doença pulmonar crónica, diabetes, hipertensão ou obesidade. Apesar de ainda não se saber o impacto da vacinação na propagação do vírus na comunidade, a vacina revelou ser bastante eficaz na prevenção da covid-19 em pessoas a partir dos 16 anos, inclusive nos idosos.

A decisão sobre o uso da vacina em mulheres grávidas deve ser feita em consulta com um profissional de saúde, considerando os benefícios e os riscos da vacinação.

A vacina da Moderna, por sua vez, apresentou uma eficácia de 94,10% na prevenção da covid-19, após a administração da segunda dose da vacina. 

Ao contrário da Pfizer, a da Moderna tem dados preliminares que indicam que a vacina impede a infeção e não apenas os sintomas, podendo proteger as pessoas vacinadas de infeções assintomáticas, bem como de doenças sintomáticas. Embora seja evidente que as vacinas impedem as pessoas de desenvolverem sintomas covid-19, parar as infeções é crucial para travar a propagação do coronavírus e construir imunidade de grupo.

A AstraZeneca/Oxford aponta para uma eficácia global das duas doses da sua vacina de 70% e um perfil de segurança aceitável. A eficácia da vacina da Janssen/J&J ainda não é conhecida.

É seguro tomar a vacina?

Os estudos e os testes realizados garantem a boa qualidade das vacinas aprovadas. As vacinas são submetidas a estudos pré-clínicos para testar a sua toxicidade e são estudadas num dos maiores ensaios clínicos realizados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), envolvendo dezenas de milhares de pessoas. É feita uma monitorização rigorosa da segurança das vacinas, bem como um acompanhamento criterioso e prolongado dos voluntários. Todos estes procedimentos permitem estimar a frequência dos efeitos secundários mais comuns e proceder a todas as alterações.

Todas as vacinas contra a covid-19 que venham a ser aprovadas pela EMA serão seguras e eficazes.

Após a autorização condicional para a disponibilização da vacina, os fabricantes comprometem-se a realizar mais estudos e ensaios, e têm de enviar mensalmente relatórios de segurança para a EMA.

Todas as vacinas contratadas são tomadas em duas doses. No entanto, apenas a vacina da BioNTech/Pfizer e a da Moderna têm já conhecidos os intervalos entre a primeira e a segunda dose: 21 dias e 28 dias, respetivamente.

As vacinas contra a covid-19 alteram o ADN?

A modificação genética envolveria a inserção deliberada de ADN estranho no núcleo de uma célula humana. As vacinas não o fazem. O mRNA das vacinas não se integra no núcleo celular, pelo que não se trata de modificação genética. Se as células se dividirem, incluirão apenas o seu ADN natural.

Devo tomar alguma precaução antes de tomar a vacina?

Sim. Se tiver sintomas de covid-19, não deve dirigir-se aos pontos de vacinação. Caso tenha uma doença aguda grave, com ou sem febre, deve aguardar até estar completamente recuperado para ser vacinado. Se fizer reação anafilática prévia a medicamentos (incluindo vacinas) ou alimentos, deve tomar a vacina em meio hospitalar e por indicação do médico assistente. 

Deve ainda informar o profissional de saúde responsável pela administração da vacina, caso tenha:

  • imunodeficiência ou realize terapêutica imunossupressiva (incluindo quimioterapia);
  • doenças de coagulação, alteração das plaquetas ou faça terapêutica com anticoagulantes.

Quais são os efeitos secundários da vacina? 

Nenhum medicamento está isento de reações adversas, por isso, como qualquer outro medicamento, as vacinas também podem ter efeitos secundários. A maioria são leves e, apesar de raros, os efeitos secundários graves devem ser ponderados, tendo em conta a prevenção de doenças graves como a covid-19.

A vacina da BioNtech/Pfizer tem como efeitos secundários comuns dor e inchaço no local da injeção, cansaço, dores de cabeça, dores musculares e articulares, calafrios e febre. Efeitos que acabam por se repetir na vacina da Moderna, a que se acrescentam náuseas e vómitos. As reações alérgicas às vacinas são raras.

A segurança das vacinas será mais forte se todos contribuirmos. É importante reportar todos os efeitos secundários que tiver.

Já tive covid-19. Posso tomar a vacina?

A maioria dos especialistas considera ser seguro que quem já teve a doença tome a vacina. Contudo, enquanto o número de vacinas for muito limitado, as pessoas que tiveram covid-19 no passado não serão priorizadas.

Quando deixarão de ser necessárias as medidas de prevenção como máscaras, higienização das mãos e distanciamento físico?

As incertezas fazem parte do processo científico e, como tal, ainda não existem dados definitivos sobre quanto tempo conferem de proteção e se evitam a transmissão comunitária. Perante o grau de incerteza necessariamente existente, a utilização de máscara, a higienização das mãos e o distanciamento físico continuam a ser medidas essenciais.

Já fui vacinado. Posso deixar de usar máscara?

Todas as medidas de proteção e contenção da transmissão da covid-19, incluindo o uso de máscara e o distanciamento físico, devem ser mantidas. Um vacinado só deve considerar-se protegido de doença sete dias depois da toma da segunda dose da vacina. Este é o período que garante uma resposta robusta por parte do sistema imunitário.

Desconhece-se se estar vacinado impede uma infeção assintomática. Ou seja, as vacinas podem conferir proteção contra a doença, mas não necessariamente contra ser portador e transmissor do vírus, sem exibir sintomas. Sabe-se que a covid-19 se transmite através de gotículas expelidas pelo nariz ou pela boca, particularmente ao falar ou tossir. Também pode haver contágio tocando nos olhos, no nariz e na boca após contacto com objetos ou com superfícies contaminadas. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos portadores do vírus sem o saber.

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