última atualização: 29/06/2020

Kit monofásico em trifásico

Bom dia, tenho as seguintes dúvidas e agradeço desde já os vossos esclarecimentos.

Tenho uma pequena empresa, a instalação do fornecimento de energia está em nome da empresa. As obrigações para instalar até 1500W são iguais quer se trate de particular ou neste caso em nome da empresa? (ou seja mero registo)?

Outra questão é que tenho uma instalação trifásica, mas todas as minhas ligações são neste momento monofásicas, posso instalar um kit monofásico numa instalação trifásica, fazendo a ligação à fase que estou a utilizar, e deixando a outra fase para consumos da rede, ou convém alterar a instalação toda para monofásico e pedir um contador monofásico (queria evitar esta situação, pois num futuro posso necessitar de trifásico e assim já estava e como esto é numa zona residencial às vezes podem levantar problemas, penso eu).

Um questão mesmo parva, a ligação do KIT faz-se à instalação existente, alguns até através de tomada, como é que eu sei que a energia que estou a produzir, estou a consumir e ela não está diretamente a ir para a rede, uma vez que está ligada à rede? faz-me confusão :)   Como é uma pequena empresa, o que iria produzir com os 1500W ficaria a cerca de metade das minhas necessidades diárias, ou seja, apenas aos fins-de-semana em principio a produção iria para rede, mas como referi faz-me alguma confusão se está ligado à rede, como sei que estou a consumir o que produzo ou se vou buscar à rede e o que produzo vai para a rede, confuso correto? :)

Agradeço mais uma vez a vossa ajuda, pois quero iniciar-me, mas antes de falar com um instalador gostaria de ter umas luzes para não me venderem o que não necessito.

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Comentários

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User name Moderator
13/03/2018
Bruno Miguel | Moderador
Melhor resposta

Olá Nuno,

"O presente decreto-lei estabelece o regime jurídico aplicável à produção de eletricidade, destinada ao autoconsumo na instalação de utilização associada à respetiva unidade produtora, com ou sem ligação à rede elétrica pública, baseada em tecnologias de produção renováveis ou não renováveis (...)" abstendo-se da diferenciação de uma unidade de produção para consumo doméstico ou empresarial, sendo o "SERUP igualmente acessível através do Portal do Cidadão e do Portal da Empresa", pode ler-se no Decreto- Lei nº 153/2014 visível no SERUP aqui. Assim e de acordo com o DL, sistemas para autoconsumo com uma potência entre 200 W e 1500 W apenas necessitam de uma comunicação prévia.

Os inversores trifásicos distribuem a corrente produzida em proporção igual pelas 3 fases. Se instalar micro-inversores, apenas aquela fase fica a ser alimentada de forma independente proveniente do gerador PV consoante a sua produção. Saliento apenas o possível problema que pode ocorrer no contador, muitos contadores instalados pelo distribuidor possuem um firmware antifraude ou contam apenas numa direção, ou seja, independentemente do sentido da corrente o contador mede como consumo. Desde que o consumidor faça a comunicação prévia e contacte a distribuidora (EDP Distribuição), A Distribuidora deverá verificar o contador em causa e proceder em conformidade. Aconselho-o a verificar o seu contador para evitar ser cobrado pelo excesso de produção inadvertida ou substituir o contador pois irá ter sempre excesso de produção ao fim de semana (supondo que está bem dimensionado nos outros dias).

Recorrendo aos esquemas tipo relativos às unidade de produção em autoconsumo (UPAC) com fonte da DGEG, o mesmo refere "Nas instalações trifásicas alimentadas pela RESP os inversores PV devem ser, em regra, trifásicos podendo, até 15 A de corrente estipulada (3,45 kVA, em 230 V), ser utilizados inversores monofásicos".

No caso de uma UPAC, em que toda a produção deve ser consumida, pode sempre comparar a produção fotovoltaico com a energia consumida instalando um sistema de monitorização que mede a fase que pretende. A produção PV deve estar ligado ao quadro com o respetivo sistema de segurança e de corte.

O instalador pode mencionar que se pretende instalar 1500W, uma potência já significativa e injetando a totalidade na rede durante 2 dias por semana, existe a opção de firmar o contrato de venda à rede e instalação do respetivo contador de produção. Vende o excedente. Ainda serão aproximadamente 650 kWh por ano (estimativa, sem saber localizações, módulos, etc). Além dos custos de ligação na ordem das centenas de euros, deverá ainda celebrar um seguro de responsabilidade civil e assumir outros custos operacionais. Deve Analisar se compensa o investimento. O valor a que venderá a eletricidade é muito mais baixo do que aquele a que compra mas poderá justificar o investimento se no mínimo 25% vende à rede.

São apenas informações para o tentar elucidar sobre a potencialidade da sua instalação de acordo com o que descreve, mas que deve ser verificada no contacto com o instalador acreditado da sua zona.

Cumprimentos

Equipa CLEAR Portugal

User name
25/06/2020
JAIME ELPIDIO COSTA MAIA

Boa tarde
A minha vivenda tem cerca de 30 anos e a instalação elétrica que na altura instalaram foi trifásica, com potencia de 20,7 Kwh
Acontece que cada fase ficou portanto com 6,9 Kwh e com o decorrer dos anos fui adquirindo vários aparelhos que foram sobrecarregando cada fase impossibilitando-me de ligar alguns ao mesmo tempo pois o diferencial vem a baixo.
Como não tenho nenhum aparelho trifásico, estou a pensar mudar para monofásico mas tenho lido que a EDP não permite que a potência monofásica ultrapasse os 10 Kwh o que penso seja insuficiente para todos os aparelhos, embora seja mais raro estarem todos a trabalhar ao mesmo tempo.
A minha pergunta vai no sentido de saber se será fácil passar para monofásico relativamente à EDP e se será necessário fazer alguma alteração a nivel dos quadros elétricos da casa, assim como os cabos elétricos.
O contador da EDP já é dos inteligentes.
Cumprimentos
Jaime Maia

User name Moderator
29/06/2020
Ricardo José Coimbra Paiva Pereira | Moderador , Respondeu:

Caro Jaime,

Esta Comunidade é dedicada à discussão de questões associadas a sistemas e soluções de energia renovável e a sua questão não se enquadra nesse espírito.

Ainda assim, vamos prestar algum auxílio: a mudança de trifásico para monofásico não é um drama: basta contratar um eletricista devidamente credenciado e proceder aos ajustes técnicos no(s) quadro(s) da habitação, em paralelo com o processo de alteração de potência contratada junto do comercializador e operador de distribuição.

Em monofásico, a potência máxima contratada é de 6.9KVA - em 10.35KVA já é em trifásica. Ou seja, poderá estar aqui sujeito a uma significativa redução da potência contratada.

No entanto, estranhamos o facto de estar com sobrecargas na trifásica com 6.9KVA... Ou seja,tem na sua vivenda a potência máxima instalada em BTN e mesmo assim tem cortes? Que e quantos aparelhos elétricos tem na sua habitação? Um ramal de 6.9KVA suporta cerca de 6.6kW de potência instantânea... Isto, no seu caso, vezes 3 (cada ramal com 6.6kW de potência disponível). Das duas uma: ou tem uma instalação elétrica completamente datada e desatualizada (por exemplo, com disjuntores de baixa potênci ou com um desequilibro gritante na destribuição das cargas nas fases) ou tem uns consumos gigantescos de eletricidade na sua vivenda. Qual das duas situações precisa da sua atenção imediata antes de proceder a uma qualquer mudança da potência contratada.

A Equipa Energias Renováveis. 

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