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Preços: televisão, telefone, telemóvel e Internet mais caros em 2015

05 janeiro 2015 Arquivado
aumentotarifarios

05 janeiro 2015 Arquivado

Os operadores aumentaram os preços, apesar da moderada inflação prevista pelo Banco de Portugal para 2015. Prepare-se para pagar entre € 1 a € 2,50 a mais por mês. Mudar de tarifário dentro do mesmo operador também será mais caro.

O novo ano arranca com um forte aumento nos preços das telecomunicações fixas e móveis. Os operadores anunciaram um aumento entre 2,5% a 3%, apesar de as previsões apontarem para uma inflação moderada. Para 2015, o Banco de Portugal prevê uma taxa de inflação de 0,7 por cento. O ano de 2014 deverá mesmo encerrar em deflação (-0,1 por cento).

Os aumentos refletem-se tanto nos pacotes que juntam vários serviços como nos tarifários móveis, deixando pouca margem de manobra para a maioria dos consumidores. De acordo com os novos preços comunicados, as mensalidades dos pacotes com TV, Internet e telefone (com e sem telemóvel) aumentam, em média, 2,8 por cento. Os pacotes 4P (TV, Net, telefone e telemóvel) são os que registam o maior aumento médio, de 3,4 por cento. No serviço de telemóvel, o aumento para um utilizador moderado ronda os 3,3 por cento. Quem quiser trocar de tarifário móvel dentro do mesmo operador também vai pagar mais.

TV, telefone e Net: aumento entre 1 e 2 euros
A generalidade dos pacotes triple play (ou 3P), que combinam televisão, telefone e Internet, têm aumentos superiores a 3 por cento. Para a maioria dos tarifários, a fatura mensal ficará € 1 a € 1,50 mais cara, conforme o operador e o tarifário. A subida mais significativa é a da Cabovisão, com um aumento de € 2 por mês nos pacotes Livre 30 e Fibra 30. A MEO reduziu o preço do MEO Total 100 Cine e, em 2015, disponibiliza-o pelo mesmo valor do MEO Total 100, ou seja, 56,49 euros.

Preços anunciados pelos operadores para as mensalidades dos serviços, excluindo custos com equipamentos, produtos ou serviços adicionais. O valor do pacote TV, Net e voz da Vodafone aplica-se a partir de 16 de janeiro aos novos assinantes ou com subscrição até à data.
Preços anunciados pelos operadores para as mensalidades dos serviços, excluindo custos com equipamentos, produtos ou serviços adicionais. O valor do pacote TV, Net e voz da Vodafone aplica-se a partir de 16 de janeiro aos novos assinantes ou com subscrição até à data.
Pacotes 4P e 5P: mais € 2 por mês
Ao contrário do que aconteceu em 2014, as mensalidades dos pacotes 4P vão aumentar de € 49,99 para 51,99 euros. Desta vez, nem a Vodafone é exceção: o pacote TV + Net + voz, combinado com 1 número RED+, sobe de € 49,80 para 51,80 euros.

Nos recentes pacotes 5P, que associam televisão, telefone, telemóvel, Internet fixa e móvel, o aumento é de 2,5 por cento. Os consumidores com os tarifários M5O ou NOS Cinco pagarão € 81,99, ao invés dos atuais 79,99 euros. Apenas se mantêm inalterados os tarifários de € 99,99, que disponibilizam maior tráfego móvel.

Também será preciso desembolsar mais para adicionar cartões de telemóvel aos pacotes 4P e 5P: os atuais € 7,50 passam a € 7,75 por cartão.

Preços anunciados pelos operadores para as mensalidades dos serviços, excluindo custos com equipamentos, produtos ou serviços adicionais.
Preços anunciados pelos operadores para as mensalidades dos serviços, excluindo custos com equipamentos, produtos ou serviços adicionais.
Telemóvel: subidas na maioria dos tarifários
Fizemos as contas para os utilizadores moderados (por mês, usam cerca de 100 minutos de chamadas, sobretudo para a própria rede, 100 SMS e 150 MB de Internet móvel) e concluímos que há um aumento médio de 3,3 por cento. No MEO Flex Total, NOS Livres Dia e Vodafone Easy Total, por exemplo, o custo da chamada por minuto e as mensagens de texto sobem 25%, de 4 para 5 cêntimos.

Para os utilizadores moderados, as maiores penalizações são:

Despesa aproximada para os tarifários adaptados a um perfil de consumo moderado.
Despesa aproximada para os tarifários adaptados a um perfil de consumo moderado.
Nos tarifários pré-pagos com mensalidade fixa e pós-pagos, os aumentos ultrapassam os 3,25% em mais de metade dos casos. Os mais penalizados são o MEO Unlimited M Light (com e sem fidelização), Yorn W 500 MB, Yorn W Study, Vodafone RED e RED+, NOS Smart S, Moche Sub25, WTF (W e F) e MEO Kids, com aumentos entre os 4 e 5% na mensalidade.

Também há um agravamento dos preços para quem ultrapassar os limites incluídos nos tarifários. Encontrámos alterações substanciais no MEO Flex 96, MEO Link, Moche Sub25 e para vários MEO Unlimited. Nalguns casos, o aumento pode ser de 3 vezes: no MEO Flex 96, os minutos e os SMS passam de 5 para 15 cêntimos.

Consumidores quase de mãos atadas
Quem quiser mudar de tarifário móvel, mesmo que mantenha o operador, vai pagar mais. Por exemplo, a MEO já anunciou que o preço passa de 6 para 8 euros.

Até ao momento, o custo foi comunicado apenas pela MEO. Aplica-se a partir do segundo pedido (a primeira alteração é gratuita).
Até ao momento, o custo foi comunicado apenas pela MEO. Aplica-se a partir do segundo pedido (a primeira alteração é gratuita).

A DECO considera que estes custos forçam o consumidor a permanecer mais tempo com o mesmo tarifário, mesmo que seja pouco adequado ao seu perfil de utilização. Os consumidores têm o direito de mudar gratuitamente, quando o seu padrão de consumo se altera ou quando existam preços mais adequados à sua utilização. Isto é ainda mais importante quando não há fidelização ao tarifário. Apelamos à ANACOM (entidade reguladora do setor das telecomunicações) e à Autoridade da Concorrência que se pronunciem sobre esta questão e que revejam a possibilidade de o consumidor alterar o tarifário sem custos, 1 vez por mês ou a cada 2 meses.

O cancelamento dos contratos é outra questão preocupante. Embora a lei das comunicações preveja que o assinante possa rescindir caso não concorde com as novas condições, essa possibilidade é, na prática, anulada, uma vez que a mesma legislação permite que sejam cobrados valores elevados pela rescisão antecipada dos contratos com fidelização. A DECO também já manifestou a sua preocupação com as condições e os custos associados à rescisão dos contratos por iniciativa do consumidor, nomeadamente através da petição “Liberdade na fidelização”, que entregámos na Assembleia da República no início de 2014. Em 2015, vamos continuar os nossos esforços para alterar esta situação, que penaliza fortemente o consumidor.