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Combater o plástico descartável

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Não podemos deixar de usar plástico de um dia para o outro, mas está nas nossas mãos reduzir, e muito, a sua utilização. Conheça os números e saiba como mudar o seu comportamento.

  • Dossiê técnico
  • Sílvia Menezes
  • Texto
  • Ricardo Nabais e Nuno César
29 junho 2018
  • Dossiê técnico
  • Sílvia Menezes
  • Texto
  • Ricardo Nabais e Nuno César
plastico

iStock

"O problema não é o plástico, mas o que fazemos dele”. A frase é do norueguês Erik Solheim, diretor da divisão de ambiente das Nações Unidas. Mas podia ser de qualquer um de nós. Das mais de 360 milhões de toneladas de plástico produzidas anualmente, 13 milhões vão parar diretamente ao mar. Para a produção atual de plástico são necessários 17 milhões de barris de petróleo.

É necessário diminuir o uso do plástico a partir da fonte, mas também precisamos de gerir melhor os resíduos que produzimos. Apenas 9% de todos os resíduos de plástico foram reciclados, a nível mundial. 12% desses resíduos foram incinerados e o resto, 79%, acumula-se em aterros, lixeiras ou no ambiente.

A Comissão Europeia decidiu, em finais de maio, atacar o problema e propor medidas robustas contra os plásticos descartáveis. A ideia é mesmo banir o plástico de diversos objetos de uso quotidiano, com destaque para os cotonetes, talheres, pratos, palhinhas, agitadores de bebidas e paus para balões em plástico, dado que podem já ser produzidos exclusivamente a partir de matérias-primas de fontes renováveis. Além destes produtos, também os recipientes descartáveis para alimentos e bebidas estão na mira da Comissão Europeia.

Os Estados-membros terão de reduzir a utilização de plástico, seja por fixar objetivos nacionais de redução, tornando disponíveis produtos alternativos nos pontos de venda, seja proibindo o fornecimento gratuito de plásticos descartáveis , tal como aconteceu com os sacos de plástico distribuídos nas caixas dos supermercados.

Outra novidade da proposta prende-se com o aumento da recolha das garrafas de plástico descartável para bebidas, esperando que a mesma atinja 90% em 2025. Para alcançar este valor, pode-se recorrer à restituição de depósitos, como taras recuperáveis, como acontecia na generalidade das garrafas de vidro noutros tempos. Esta prática é, aliás, comum em vários países europeus, nos quais se conseguem elevadas taxas de recuperação de embalagens de vidro, metal e mesmo plástico.

A situação nos oceanos preocupa, sobretudo no Pacífico e no Índico: os países asiáticos ainda têm muita dificuldade em gerir os seus resíduos – muitos não fazem, sequer, a recolha e o tratamento – e o destino deles, na maior parte dos casos, é o mar. Cerca de metade dos resíduos de plástico que acabam nos oceanos são gerados em cinco países: China, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Vietname. Mas os oceanos não têm fronteiras e o plástico, que pode demorar centenas de anos a “desaparecer” do fundo dos mares, vai-se degradando em partículas cada vez mais finas – os chamados microplásticos – e afetar espécies marinhas.

Estima-se que 100 mil animais marinhos morram todos os anos devido à ação do plástico. Os peixes que consumimos também têm vestígios destes materiais no estômago: portanto, também nós poderemos estar a consumir plástico por via indireta, e ainda não sabemos quais as consequências disso.


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