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Obsolescência programada: eletrodomésticos com data de validade

28 outubro 2014
Telemóveis, impressoras e máquinas de lavar roupa são substituídos com mais frequência; porque será?

28 outubro 2014

Telemóveis, impressoras e máquinas de lavar roupa são substituídos com mais frequência. Será uma atração irresistível pelo novo modelo ou pura estratégia dos fabricantes?

Diz que é uma espécie de obsolescência

Há várias técnicas para reduzir a duração de vida dos produtos. Destacamos três categorias: técnica e tecnológica, ecológica e psicológica.

Reduzir a duração técnica e tecnológica
Foca a qualidade inferior dos materiais e o modo como são montados os componentes. Por exemplo, 80% dos tambores das máquinas de lavar roupa são em plástico, em vez de metal, tornando os modelos menos resistentes e de reparação cara. Também o enrolamento do cabo dos aspiradores é o ponto fraco de muitos.

Nos televisores, a má qualidade dos condensadores elétricos reduz o ciclo de vida em 10 anos. A conceção pode influenciar a durabilidade. Esta questão leva à cada vez menor possibilidade de reparar. Nos Estados Unidos, a Apple foi até julgada pelo facto de a bateria do iPod não poder ser substituída. No iPhone, a marca adotou soluções que dificultam muito a substituição.

A incompatibilidade entre produtos protege o negócio. Os videojogos apenas compatíveis com um modelo de consola e as impressoras que não funcionam sem tinteiros originais são alguns casos. Para fechar esta categoria, temos a obsolescência por notificação. O equipamento alerta para substituir peças. É o caso das impressoras que alertam para trocar os tinteiros, antes do fim real, potenciando a perda de dinheiro. Algumas marcas não deixam utilizar outra cor até aquela em falta ser substituída.

Argumento ecológico
Os fabricantes usam e abusam do aumento da eficiência para justificar a troca. Mas, na última década, os eletrodomésticos reduziram de modo significativo o consumo, na maioria, por imposições legais. Há também um ganho ecológico. Se olharmos para o consumo de energia apenas no uso do equipamento, a questão tem um forte impacto ambiental. Já se tivermos em conta o ciclo de vida, os processos produtivos e o tratamento adequado dos equipamentos em fim de vida contribuem para uma realidade muito diferente. Em geral, os pequenos eletrodomésticos atingiram uma tal maturidade energética que o argumento ecológico para a substituição já não faz sentido.

Pense antes de se desfazer do eletrodoméstico ou comprar o novo telemóvel. Qual a mais-valia da troca? Por exemplo, o iPad 4 foi lançado apenas 7 meses depois do 3. Outra questão é a redução do tamanho dos componentes. O primeiro telemóvel, em 1983, pesava meio quilo. Em 2005, estes equipamentos pesavam, em média, 110 gramas. Mas há consequências: se a redução do tamanho das peças diminui o uso de matéria-prima, a miniaturização excessiva limita a possibilidade de reparar.

Técnicas psicológicas
Quando, nos Estados Unidos, houve uma saturação do mercado automóvel, nos anos 20, a General Motors passou a mudar todos os anos o design dos modelos. Pretendia convencer os clientes de que era fundamental trocar de carro. Os fabricantes mais pequenos, sem capacidade para seguir a tendência, viram-se em dificuldades. Esta tendência aplica-se ao vestuário, ao calçado, e sobretudo aos equipamentos eletrónicos e até pequenos eletrodomésticos. Atrai os consumidores motivados pela novidade e estimulados pelo marketing.