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Obsolescência programada: eletrodomésticos com data de validade

28 outubro 2014
Telemóveis, impressoras e máquinas de lavar roupa são substituídos com mais frequência; porque será?

28 outubro 2014

Telemóveis, impressoras e máquinas de lavar roupa são substituídos com mais frequência. Será uma atração irresistível pelo novo modelo ou pura estratégia dos fabricantes?

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"A minha primeira máquina da roupa durou 20 anos. A nova avariou ao fim de 5". "Pedi para reparar o televisor, apenas com 4 anos, e o arranjo é mais caro do que comprar novo". Já todos ouvimos o desabafo. E há duas novas tendências: a perceção sobre a durabilidade mais reduzida dos produtos e a cada vez maior rotatividade de produtos com vantagens de valor duvidoso. O tempo de vida útil dos equipamentos parece ter os dias contados. Os bens, sobretudo elétricos e eletrónicos, são substituídos antes do esperado. Será uma estratégia intencional ou uma consequência dos tempos modernos? O tema é polémico e as organizações de consumidores europeias começam a atacar a "obsolescência programada", depois de já terem abordado a durabilidade dos produtos, o ecodesign e a reparação.

Cada vez mais vozes acusam os fabricantes de conceber os produtos para que se tornem rapidamente obsoletos, fora de moda ou impossíveis de reparar, com o objetivo de levar os clientes a comprar novos equipamentos. Automóveis, eletrodomésticos e produtos eletrónicos, como tablets, telemóveis e consolas de jogos, são os casos mais flagrantes daquilo a que se chama obsolescência programada. O fenómeno não é recente. Consumir e consumir está na ordem do dia, sem olhar para os efeitos, quer no meio ambiente, quer na carteira.

Mitos ou factos
Apesar dos inúmeros exemplos que mostram que os equipamentos não duram hoje o mesmo que no tempo dos nossos avós, não é claro quais serão as razões. Nalguns casos, pode ser apenas pela atual tendência da redução de custos. Noutros, o fabricante acredita que o consumidor prefere comprar novo, em vez de reparar. Engenheiros e designers conseguem prever com alguma precisão a durabilidade de um equipamento. E apesar de os fabricantes não admitirem que os produtos possam ser feitos para durar menos, esta é uma realidade. E merece a nossa atenção. Com as baterias integradas, a Apple começou a fazer depender a duração de vida dos telemóveis da componente menos durável. Se não podemos substituir a bateria, o equipamento deixa de servir. Os restantes fabricantes seguiram esta corrente e os maus hábitos espalharam-se. Nos tablets, os fabricantes seguem esta política.