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Glifosato por mais 5 anos: rejeitamos a decisão da UE

15 janeiro 2018
glifosato

15 janeiro 2018

O glifosato é um produto potencialmente cancerígeno. Por isso, somos contra a decisão da União Europeia (UE), que autorizou a utilização da substância por mais 5 anos.

A UE renovou por mais 5 anos a licença para utilização do glifosato. Trata-se de um princípio ativo classificado como potencialmente cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro. É utilizado em herbicidas como o Roundup gel e o Resolva 24 horas da Syngenta (versões total e total concentrado).

Cinquenta e três por cento do solo agrícola nacional contém glifosato, de acordo com o estudo "Distribution of glyphosate and aminomethylphosphonic acid (AMPA) in agricultural topsoils of the European Union". A agravar a situação, a seca severa e as condições do solo ardido este ano contribuirão para a espalhar o glifosato e os seus compostos por zonas onde não existiam em níveis significativos até agora. 

Somos contra a decisão da UE e já manifestámos a nossa posição ao Ministério da Agricultura. Na nossa carta, salientámos um documento assinado por 100 cientistas, enviado à UE, que consideram "cientificamente fraudulentas" as conclusões da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). A EFSA concluiu que o glifosato não tem potencial cancerígeno. Mas o grupo de cientistas questiona os estudos usados pela Autoridade Europeia para chegar àquela conclusão.

Também chamámos a atenção do Ministério da Agricultura para os Monsanto Papers, que alegam que a empresa Monsanto (fabricante do Roundup gel) influenciou estudos e cientistas que produziram análises positivas sobre o glifosato. 

Na nossa carta, pedimos aos representantes portugueses que votassem contra o prolongamento da utilização do glifosato. Defendemos ainda a criação de um prazo de 3 anos para que a substância seja progressivamente substituída por soluções ambientalmente seguras. Consideramos que as alternativas ao glifosato não estão a ser corretamente divulgadas e explicadas aos agricultores. Cabe ao Ministério da Agricultura inverter essa situação e acelerar o processo de substituição do glifosato.

Os problemas do glifosato

A classificação de potencialmente cancerígeno significa que há evidência científica limitada de que é cancerígeno para os humanos, mas provas suficientes de que causa cancro nos animais de laboratório. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro, da Organização Mundial da Saúde, baseou esta classificação em estudos sobre a exposição de pessoas ao glifosato durante atividades agrícolas que mostraram que o glifosato pode causar cancro (linfoma não-Hodgkin). Estes estudos foram feitos nos Estados Unidos, Canadá e Suécia, desde 2001. Em paralelo, a mesma agência reuniu provas de que o glifosato pode causar cancro a animais de laboratório. 

A maioria dos herbicidas à venda no mercado mundial é feito à base de glifosato, e, em Portugal, é este o princípio ativo mais comercializado no conjunto de todos os herbicidas. A maior fatia é utilizada na agricultura, mas tem aplicação na silvicultura, na limpeza de zonas urbanas com ervas daninhas e ao nível doméstico. As pessoas podem ser expostas a esta substância através da sua dieta ou se viverem perto de zonas pulverizadas com glifosato ou ainda se o utilizarem em sua casa.   

Herbicidas entram no mercado depois de avaliados

A colocação de produtos fitofarmacêuticos no mercado é precedida de uma avaliação técnico-científica que inclui a avaliação de risco para o homem, na qualidade de aplicador e consumidor de produtos agrícolas tratados, para animais e para o ambiente. Apenas é concedida autorização aos produtos que, em resultado da referida avaliação, e quando utilizados de acordo com as orientações dos rótulos, não tenham efeitos prejudiciais na saúde humana e animal e não exerçam qualquer influência inaceitável no ambiente. E desde que tenham demonstrado eficácia satisfatória para as utilizações propostas.

Os resultados da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro não são vinculativos. Ou seja, cabe aos Governos e entidades de saúde deliberar se determinado produto deve ser retirado do mercado ou não.

 

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