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Combater o plástico descartável

Inquérito sobre material das embalagens

Uma das peças primordiais do projeto Circ-Pack é o consumidor. Mais do que apresentar às empresas e administrações públicas as soluções encontradas, é importante saber se aqueles estão dispostos a comprar uma embalagem biodegradável, caso a vejam na prateleira de um supermercado. Fizemos um inquérito online, em janeiro 2020, a 4627 indivíduos, com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos, dos quais 763 eram portugueses. As respostas refletem apenas as opiniões dos inquiridos. Portugal, Itália, Bélgica, Espanha, Croácia e Turquia são os países aos quais pertencem os participantes do estudo.

Este é o segundo inquérito do projeto Circ‑Pack, e pretende simultaneamente avaliar os hábitos dos consumidores e perceber até que ponto as informações relativas à origem do material das embalagens e ao seu impacto ambiental são fatores decisivos na escolha dos produtos.

Olhando para os resultados nacionais do segundo inquérito do projeto, percebemos que quase metade dos 763 portugueses inquiridos defende que ainda existem poucos produtos com impacto ambiental reduzido. E que 45% preferiam que os produtos fossem vendidos, sempre que possível, sem qualquer tipo de embalagem. No entanto, quando a carteira entra na equação, as opiniões são mais discrepantes. Comparando produtos de igual valor de aquisição, 48% dizem que escolheriam o que tivesse menor impacto ambiental. Porém, apenas 17% dos portugueses afirmam que comprariam um produto mais sustentável, mesmo que tivessem de pagar mais.

Uma das formas de promover os produtos vendidos em embalagens biodegradáveis poderia ser reservar‑lhes uma secção exclusiva no supermercado. É a opinião de metade dos consumidores nacionais.

Por outro lado, a informação é um dos pontos valorizados pelos portugueses e, como tal, a importância dada aos rótulos fez‑se transparecer nas respostas. Assim, 64% defendem que a rotulagem deveria incluir o impacto ambiental do produto ao longo do ciclo de vida, ou seja, desde que é produzido até que deixa de ser útil e passa a ser um resíduo. A maioria defende ainda que os produtos deveriam especificar a fonte e a percentagem de conteúdo biodegradável ou reciclado.

Aprender a gerir também é agir

A sensibilização das populações para as questões ambientais tem sido uma prática cada vez mais frequente. No entanto, o caminho ainda é longo, e é necessário redobrar os esforços. A reciclagem e a gestão dos resíduos domésticos são pequenas ações individuais, que se podem traduzir em grandes avanços globais.

Os consumidores portugueses que participaram no inquérito sentem necessidade de saber mais: 70% afirmam que a informação sobre como gerir os resíduos domésticos ainda é insuficiente. E metade acredita que o plástico compostável pode aumentar o lixo na rua, uma vez que se decompõe rapidamente, o que pode tornar as pessoas mais negligentes.

Quando questionados sobre o sistema de tarifas para gerir os resíduos, os portugueses não hesitaram. Mais de metade considera boa ideia uma tarifa do serviço de gestão de resíduos baseada em comportamentos de reciclagem e 76% gostariam que o sistema de tarifas fosse revisto, de forma a beneficiar aqueles que mais reciclam.

Relativamente ao local onde devem ser depositadas as embalagens de plástico biodegradável, 34% dos portugueses defendem que o melhor é colocá‑las no contentor do plástico convencional (contentor amarelo). Porém, esta não é a melhor solução, pois os plásticos biodegradáveis não podem ser reciclados, e criariam sérios problemas na cadeia atual de reciclagem. O destino correto passa por depositá‑los em contentores específicos para resíduos orgânicos e biodegradáveis. Mas esta recolha ainda só é feita por grandes produtores de resíduos (cantinas, restaurantes ou mercados) e em poucas zonas do País. Prevê‑se que, apenas em janeiro de 2024, a separação seletiva de biorresíduos seja implementada ao nível nacional.

Por outro lado, pouco menos de 38% dos portugueses inquiridos defendem que a solução seria utilizar máquinas de recolha automática de recipientes. Estamos a falar de máquinas onde o consumidor deposita as embalagens vazias e recebe determinado valor por elas.