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Poupar energia sem perder conforto no inverno

Reduzir a fatura mensal da eletricidade é possível com equipamentos a energia renovável. Saiba o que fez a família Gomes para reduzir o consumo e aumentar o conforto.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Miguel e Ricardo Pereira
  • Texto
  • Myriam Gaspar e Nuno César
30 janeiro 2020
  • Dossiê técnico
  • Bruno Miguel e Ricardo Pereira
  • Texto
  • Myriam Gaspar e Nuno César
família de 3 pessoas à frente de casa com energias renováveis

João Ribeiro

A família Gomes aceitou o nosso convite para participar no projeto CLEAR 2.0, co-financiado pela Comissão Europeia, cujo objetivo é incentivar e optimizar o uso das energias de uma forma eficiente. Neste âmbito, propusemo-nos a contabilizar a energia da sua casa, instalando um sistema de monitorização no quadro elétrico para um acompanhamento dos consumos elétricos 24 horas por dia.

O casal pesquisou largamente antes de investir e instalar vários equipamentos a energia renovável. "Como antes passávamos muito frio, queríamos uma casa com aquecimento central e chão em madeira, para andarmos descalços", explica Filipa Gomes. A moradia onde moravam antes, na Sobreda da Charneca da Caparica, era antiga e tinha poucas preocupações em termos ambientais ou de conforto. Adquiriram um terreno no Alto das Vinhas, uma povoação a meia dúzia de quilómetros de Sesimbra, com um projeto já feito de casas que se diziam bioclimáticas. 

O casal decidiu fazer algumas alterações ao projeto inicial para tornar a casa mais eficiente. Otimizaram a envolvente da casa recorrendo à aplicação de ETICS (isolamento térmico). Os envidraçados apresentam caixilharia de corte térmico e a composição dos vidros foi otimizada para potenciar os ganhos energéticos. De forma a reforçar ainda mais a eficiência, o pavimento de madeira foi combinado com cortiça. 

Como sistema de aquecimento da habitação optaram por piso radiante. “Há muitos pormenores escondidos em todo o lado. Reunimos um conjunto de condições que nos permitem ter um conforto que anteriormente não tínhamos. Tentámos preparar a casa de forma a perder o mínimo de energia possível”, explica o casal. 

Sistemas mais eficientes para diminuir consumo de energia

Complementarem ainda a casa com sistemas ativos para diminuir o consumo energético. Perceberam que poderiam gastar menos em faturas de energia se, em vez de uma caldeira a gás, adquirissem um sistema solar térmico para aquecer o chão. “Como o piso radiante funciona a baixas temperaturas (30ºC), é muito mais barato ter painéis solares do que aquecer a água a 60ºC, com a vantagem de colmatar os consumos diários da casa”, justifica Vítor Gomes.

Do sistema solar térmico instalado, que aquece 500 litros de água quente sanitária, esperavam retirar a energia necessária para o piso radiante da habitação. Contudo, isso não aconteceu. Nos dias em que há pouco sol, o sistema só permite aquecer a água do banho e não produz energia suficiente para o piso. A razão? A exposição solar da casa não é perfeita.

Vítor Gomes decidiu, então, instalar uma bomba de calor de 4,1 kW, e o problema resolveu-se. Quando o frio de outono ou de inverno começa a fazer-se sentir, a bomba de calor está programada para ligar automaticamente, de forma a manter uma determinada temperatura.

O engenheiro informático adquriu também painéis fotovoltaicos para se tornarem menos dependentes da rede elétrica. Só não os comprou quando construiu a casa porque eram demasiado caros. “Custavam cerca de 30 mil euros. Preferi esperar que ficassem mais acessíveis.” Quando desceram para preços aceitáveis, comprou seis painéis, com uma potência instalada de 1680 W, e baterias para acumular a energia produzida que não é autoconsumida.

 

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Vítor Gomes instalou tem painéis solares e fotovoltaicos, com uma potência de 1680W, mas
pretende comprar mais destes para ficar autosuficiente em termos energéticos.

Se não fossem os dois carros elétricos que possuem, os Gomes acreditam que poderiam ser autossuficientes. Com o Nissam Leaf "gastamos cerca de 80 euros nas revisões que a marca recomenda. Antes, tinha um carro a GPL, consumia 100 euros por mês. Quando comprei o elétrico, passei a despender 30”, assegura a enfermeira.

Vítor optou por comprar um Tesla 3 há três meses. “Antes, tinha uma carrinha BMW 320, a diesel, da empresa e um plafond de 200 euros para gastar em combustível. Como trabalho em Oeiras, não era suficiente. Gastava mais 100 a 150 euros por mês para fazer cerca de 120 quilómetros por dia.” Após fazer contas, concluiu que a solução mais económica era uma viatura elétrica com mais autonomia (o Tesla 3 tem 530 quilómetros). Neste momento, gasta cerca de 35 euros por mês, em vez de 300. O casal reconhece que fez um investimento avultado — pagou 30 mil euros pelo Nissan Leaf, e 56 mil pelo Tesla, mas assegura que, a longo prazo, compensa.

Poupar com tarifa bi-horária de eletricidade

 Para poupar na conta da eletricidade, o casal optou pela tarifa bi-horária. Num ritual diário, põe as viaturas a carregar da meia-noite à sete da manhã (período das horas de vazio), em que cada kWh custa 9 cêntimos. “O nosso objetivo é chegar até à meia-noite, sem precisar de ir à rede. É preferível fazer o autoconsumo durante o dia, quando a eletricidade é mais cara, e recorrer à rede durante a noite", espera Vítor.

A casa ficou mais cara, mas, na opinião de Filipa e Vítor, valeu a pena. “Pagámos 16 mil euros pelos 10 painéis térmicos e chão radiante, cinco mil pela bomba de calor e oito mil pelo sistema fotovoltaico (incluindo inversor e baterias), mas não nos importámos de adquirir sistemas um pouco mais dispensiosos, para permitir uma utilização sem preocupações. Achamos que a energia que consumimos está muito otimizada", assegura o casal.

Até novembro, esta família gastou uma média mensal de 110 euros em electricidade, incluindo o consumo e o aquecimento da casa, e o carregamento dos carros. É provável que, em 2020, esta média suba devido à aquisição do Tesla. Contudo, no futuro, pretende ser ainda mais autossuficiente, adquirindo mais um módulo de baterias e painéis fotovoltaicos bifaciais.

 

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O projeto que deu origem a esta comunidade recebeu financiamento através do programa de investigação e desenvolvimento “Horizon 2020”, sob o contrato de subvenção nº749402. Nem a EASME nem a Comissão Europeia são responsáveis pela informação veiculada nem pela utilização das informações contidas na mesma.

 

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