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Onde e como podem os portugueses poupar com energias renováveis

O nosso estudo sobre os hábitos de consumo dos portugueses pretende mudar mentalidades e orientar para a escolha de energias renováveis.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Miguel e Ricardo Pereira
  • Texto
  • Manuel Ribeiro e Filipa Nunes
07 maio 2019
  • Dossiê técnico
  • Bruno Miguel e Ricardo Pereira
  • Texto
  • Manuel Ribeiro e Filipa Nunes
retrato energetico

José Pedro Tomaz

Orientar escolhas para as energias renováveis é um dos objetivos do nosso estudo junto das famílias portuguesas. Começamos com a avaliação estatística, tendo em conta as fontes de energia que utilizam nas águas quentes sanitárias e no aquecimento. Numa segunda fase, avaliamos características como o isolamento das casas e os hábitos de consumo em seis regiões: Norte, Grande Porto, Centro, Grande Lisboa e Alentejo.

Mais de 20 famílias em análise

Veja o vídeo da reportagem com duas famílias que aderiram ao estudo.

 

Com a ajuda da nossa comunidade Energias Renováveis, reunimos um conjunto de famílias que classificamos de acordo com o tipo de equipamentos que usam: as que não têm fontes de energia renovável em casa e os que as utilizam.

Conheça a comunidade Energias Renováveis

Uma vez selecionadas, fizemos uma visita técnica para conhecermos os equipamentos consumíveis de energia de que dispõem. Nessa visita, instalámos um dispositivo de monitorização no quadro elétrico. Este aparelho permite recolher, através de uma app online e em tempo real, o histórico dos consumos de eletricidade.

Sem equipamentos de energia renovável instalados

A família Albergaria, que reside num apartamento T3 em Custoias, Matosinhos, hesita quanto ao investimento em equipamentos de energias renováveis: “pensámos em investir em energias renováveis quando comprámos este apartamento. Como é no último andar, achámos que seria muito quente no verão”, explica Pedro Albergaria que apostou em radiadores elétricos para climatizar a casa no inverno, e aquece a água para os banhos com um esquentador a gás natural.

Pontualmente, a família Albergaria utiliza um termoventilador para aquecer a casa de banho. Embora as faturas sejam de “difícil análise”, confessa Pedro, a família gasta em média perto de € 150 por mês em energia. O momento do dia de maior consumo é a noite, quando o casal, Pedro e Carla, chega a casa e tem de dar banho à filha, Luísa, ligar o desumidificador depois do banho, cozinhar e pôr a máquina da loiça a lavar.

Com sistemas de energia renovável em casa

Diferente perfil tem a família Campos. Carlos Campos diz ter aderido à nossa iniciativa para ficar a “conhecer melhor os gastos que tem”, já que, de outra maneira, não teria como descobrir o nível de eficiência energética da sua casa.

Residentes em Santo Tirso, os Campos habitam um T3 dúplex equipado com sistema solar térmico, que, juntamente com uma caldeira a gás propano, obtém energia suficiente para as águas quentes sanitárias, sobretudo para os banhos, campeonato onde Carlos confessa ser o “mais pecador”, por ser o elemento da família que leva mais tempo no duche.

Para aquecer as divisões da casa, a família Campos utiliza dois sistemas: por um lado, o aquecimento central (a caldeira a gás propano) e, por outro, tal como os Albergarias, termoventiladores em situações pontuais, sobretudo nas casas de banho. 

E em termos de números? Como se situam os gastos da família Campos? Carlos revela que, em média, tem um encargo mensal que oscila entre os € 100 e os € 150, sendo a noite o período de maior consumo. “É quando toda a família está em casa e existe maior necessidade de manter um ambiente agradável para todos”, explica.

Mudanças à vista

Com o estudo a decorrer, constatámos já algumas aspirações nos participantes. Carlos Campos tem como ambição produzir a própria energia, embora sublinhe que é preciso tornar o armazenamento mais eficiente e económico. “Não sei se compensará devolver essa energia à rede”, hesita. 

A família Albergaria, por sua vez, entrou no estudo para diminuir as despesas com a fatura da energia e melhorar os hábitos de consumo, pois ficou com a impressão de que, ao optar por um investimento mais reduzido, em radiadores elétricos, o barato saiu caro. Ainda assim, Pedro quer ter a certeza absoluta de que compensa investir num sistema de energias renováveis antes de avançar.

Duas famílias começam a mudar de mentalidade. No fim deste estudo, esperamos que muitos mais portugueses abracem a mudança e se tornem mais eficientes em termos energéticos. 

 

O projeto que deu origem a esta comunidade recebeu financiamento através do programa de investigação e desenvolvimento “Horizon 2020”, sob o contrato de subvenção nº749402. Nem a EASME nem a Comissão Europeia são responsáveis pela informação veiculada nem pela utilização das informações contidas na mesma.

 

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