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Microgeração EDP: investimento pouco promissor

10 abril 2013 Arquivado

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Há aplicações mais rentáveis do que o tarifário microgeração EDP. Implica investir cerca de 14 mil euros em equipamento e o prazo para se tornar rentável ronda os 10 a 14 anos.

Investimento de € 14 mil

Segundo dados no site da EDP (www.microgeracaoedp.com), o custo de investimento para uma solução de 4,5 kW (com uma potência de ligação à rede limitada a 3,68 kW), composta por 18 painéis, varia entre 10 580 e 11 440 euros. Não estão aqui incluídas outras despesas – como € 615 de registo do produtor – e, mais grave do que isso, o elevado custo de aquisição e instalação do sistema solar térmico para produção de água quente sanitária. Neste tipo de sistema, é obrigatório instalar, pelo menos, 2 m2 de painéis solares térmicos ou uma caldeira de biomassa de produção equivalente.

Para aceder a esta solução, é necessária uma potência contratada de 6,9 kVA. Tendo em conta que metade dos portugueses têm uma potência contratada de 3,45 kVA, pagarão mais € 6,78 por mês, ou seja, cerca de € 81 a mais por ano para uma potência de 6,9 kVA.

Assumindo que o consumidor não dispõe já de um sistema solar térmico, tal implica um investimento de cerca de € 14 100 (€ 11 440 para o sistema fotovoltaico + € 615 para o registo + € 2 045 para o sistema solar térmico). Há ainda que somar alguns custos anuais com seguros, manutenção e outros serviços adicionais.

Considerando os valores apresentados pela EDP, este investimento poderá ter um prazo de retorno de 10 a 12 anos (em Faro e Bragança, respetivamente). Isto, partindo do princípio que o consumidor dispunha da quantia necessária para o investimento de arranque e não precisou de recorrer a um empréstimo bancário. Se não for o caso, é ainda necessário contabilizar a TAEG associada ao crédito (5,3%, para um prazo de 96 meses). Neste caso, o prazo de retorno é maior: passa para aproximadamente 12 a 14 anos, caso se esteja em Faro ou em Bragança, respetivamente.

Nos empréstimos destinados a energias renováveis, o Banco de Portugal limita a TAEG máxima a aplicar pelos bancos. No segundo trimestre de 2013, a TAEG não poderá exceder 6,4 por cento. Ainda assim, são custos adicionais a ter em conta.