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Energia fantasma: projeto quer evitar os gastos invisíveis

26 janeiro 2015 Arquivado

26 janeiro 2015 Arquivado

A eletricidade gasta quase sem notarmos é a energia fantasma. As conferências da DECO nas escolas ajudam a evitá-la. Desta vez, o cenário foi a Escola Secundária do Lumiar. Os mais motivados podem produzir um vídeo e concorrer a uma viagem a Copenhaga.

Acreditas em fantasmas? Não, claro que não, responderam os mais ingénuos. Sim, arriscaram os mais audazes, prevendo que a pergunta trazia água na boca. E trazia, não água, mas eletricidade. “Não” era a resposta correta. “Os fantasmas não existem, mas a energia fantasma sim”, afirma Marisa Ribeiro, da DECO, para a audiência, a transbordar de energia, já esta bem evidente. Na Escola Secundária do Lumiar, a 19 de janeiro último, segunda-feira de manhã, duas turmas do 9.º ano foram guiadas por Marisa Ribeiro pelo mundo da eletricidade escondida, perdão, fantasma.
A primeira pergunta (“Acreditas em fantasmas?”) de um total de nove, que orientaram a ação na Escola Secundária do Lumiar.
A primeira pergunta (“Acreditas em fantasmas?”) de um total de nove, que orientaram a ação na Escola Secundária do Lumiar.
De telemóvel em punho, após acederem a um link indicado pela formadora, os alunos iam respondendo às perguntas. Então, pela segunda vez, surgiu no ecrã a questão que seria o verdadeiro ponto de partida: “os equipamentos só consomem energia quando estão a ser utilizados?” – “não” era a resposta certa. Muitos equipamentos gastam eletricidade nesse modo. Os carregadores de telemóveis, por exemplo, inserem-se na categoria do consumo off-mode, e a luz de presença dos televisores no chamado stand-by. 

“Para expulsar a energia fantasma”, afirma Marisa Ribeiro, “não basta carregar o botão do comando. É necessário utilizar a tomada com interruptor. Com ela, não há energia fantasma que escape”. Devido ao avanço tecnológico, os aparelhos consomem menos. O problema está no facto de termos mais equipamentos em casa.

11 viagens de avião entre Lisboa e Porto
O desassossego dos alunos atenuou um pouco quando, associada àquela questão, a formadora lançou novo desafio: “Sabem quanto pagam os vossos pais de eletricidade?”. A maioria tinha uma ideia do valor. Em média, uma família de 4 pessoas gasta de cerca de mil euros anuais, 35 dos quais corresponde a consumos em stand-by ou em off-mode. E a que corresponde mil euros de eletricidade? A 1145 toneladas de CO2 ou a 11 viagens de avião entre Lisboa e Porto. 

A ponte estava feita para o tema seguinte: alterações climáticas. O que está a acontecer ao clima? Está a mudar e há sinais: subida do nível do mar, aumento da temperatura e do efeito de estufa, degelo, secas e fenómenos meteorológicos extremos, como, por exemplo, tornados. “Vivemos um pouco no limite. Há que ter consciência disso e ver onde podemos poupar eletricidade. Se expulsarem esses fantasmas, estão a poupar energia, o ambiente e ainda dinheiro”, assegura Marisa Ribeiro. Os portugueses estão no bom caminho: segundo algumas fontes, 60% já adotaram comportamentos com vista a reduzir o consumo de eletricidade. 

Escolha acertada: A+++
Na nova etiqueta energética, longe vão os tempos em que a classe de maior eficiência era representada pela letra A. Agora, a melhor escolha nos eletrodomésticos é a A+++. Apesar de poderem ser mais caros, compensam por gastarem menos energia. Lâmpadas, máquinas de lavar loiça, roupa e de secar, frigoríficos, ar condicionado, entre outros, ostentam a etiqueta energética. Já os computadores, por exemplo, adotam a Energy Star e o Rótulo Ecológico Europeu. 
Marisa Ribeiro, da DECO, explica em detalhe a organização da nova etiqueta energética.
Marisa Ribeiro, da DECO, explica em detalhe a organização da nova etiqueta energética.
Marcelo Luís, 14 anos, 9.º ano: “Não tinha noção de que o consumo em stand-by e em off-mode gastava tanto por ano”.
Marcelo Luís, 14 anos, 9.º ano: “Não tinha noção de que o consumo em stand-by e em off-mode gastava tanto por ano”.
Daniel Santos, 14 anos, 9.º ano: “Vou tentar fechar mais rapidamente a porta do frigorífico”.
Daniel Santos, 14 anos, 9.º ano: “Vou tentar fechar mais rapidamente a porta do frigorífico”.
Laura Moedas, 14 anos, 9.º ano: “Nunca tiro o carregador da ficha, agora vou passar a tirar.”
Laura Moedas, 14 anos, 9.º ano: “Nunca tiro o carregador da ficha, agora vou passar a tirar.”
Camila Botão, 14 anos, 9.º ano: “Talvez agora comece a desligar as fichas desnecessárias.”
Camila Botão, 14 anos, 9.º ano: “Talvez agora comece a desligar as fichas desnecessárias.”
Concurso com vista para Copenhaga
No final da sessão, um desafio agitou a assistência de jovens: “Vídeos com energia”. Trata-se de um concurso nacional que convida as escolas e os alunos do 2.º e 3.º ciclo do ensino básico e secundário e profissional, bem como a comunidade em geral, a produzir vídeos originais de sensibilização para um uso eficiente da energia elétrica em casa. As inscrições decorrem até 20 de março no site da energia fantasma.

Os vídeos, de 3 minutos, têm como assunto central a poupança de eletricidade e os comportamentos a adotar diariamente e que conduzem a uma redução do gasto nas habitações. Consumos em stand-by e off-mode, equipamentos audiovisuais e informáticos, iluminação, eletrodomésticos, climatização e consumo de águas quentes sanitárias são aspetos a considerar. Os grupos interessados podem ser constituídos por 3 a 5 alunos e um professor responsável.

O prémio para os vencedores é uma viagem, com alojamento incluído, a Copenhaga, na Dinamarca, vencedora europeia do Prémio Capital Verde da Europa 2014, uma iniciativa da Comissão Europeia que distingue as cidades que se encontram na vanguarda do meio urbano respeitador do ambiente.

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