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Eletrodomésticos vão ter nova etiqueta energética

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Alguns eletrodomésticos já são vendidos com a nova etiqueta energética, com uma escala de A a G, dentro da embalagem. Permite identificar facilmente os mais eficientes.

  • Dossiê técnico
  • Ricardo Pereira
  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Nuno César
17 julho 2020
  • Dossiê técnico
  • Ricardo Pereira
  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Nuno César
Nova escala da etiqueta energética de A a G

iStock

Há muito que as organizações de consumidores, entre as quais a DECO PROTESTE, reivindicam uma nova etiqueta energética junto da União Europeia. A nova legislação comunitária acaba com as classes A+, A++ e A+++ das etiquetas de vários eletrodomésticos, passando a etiqueta a ostentar uma escala mais simples de interpretar, de A (mais eficiente) a G (menos eficiente). 

A afixação desta nova etiqueta energética passará a ser obrigatória no dia 1 de março de 2021 para os televisores, frigoríficos e arcas congeladoras, máquinas de lavar loiça, de lavar roupa e de lavar e secar roupa. Mas os novos produtos lançados a partir de novembro de 2020 já deverão incluir, no interior da embalagem, a nova etiqueta, além da ainda atualmente em vigor. Contudo, já há fabricantes a fazê-lo.

Numa fase posterior, em setembro de 2021, será a vez das lâmpadas LED e, só mais tarde, outros equipamentos se seguirão.

Etiqueta antiga e nova em confronto

etiquetas nova e antiga

Na nova etiqueta energética dos eletrodomésticos (à direita), as escalas A+, A++ e A+++ caem para dar lugar a uma escala  mais simples de A (mais eficiente) e G (menos eficiente). Torna-se assim mais fácil escolher eletrodomésticos eficientes e poupados. 

Porquê mudar a escala da etiqueta? 

De acordo com um inquérito realizado junto dos consumidores, a escala atual induz em erro. Isto porque a maior parte dos eletrodomésticos situa-se, hoje, nas classes A+, A++ e A+++, deixando as classes inferiores vazias, essencialmente porque os aparelhos menos eficientes foram entretanto desaparecendo do mercado. Muitos consumidores não têm hoje a noção de que um eletrodoméstico A+ é, na verdade, menos eficiente do que a maioria dos aparelhos mesmo tipo.

Para resolver este problema, a União Europeia decidiu rever a escala da etiqueta: as classes “+” desaparecem, dando lugar a uma classificação de A a G, mais fácil de interpretar. A classe A corresponde ao topo em termos de eficiência energética. Inicialmente, esta classe irá manter-se vazia, para encorajar os fabricantes a desenvolverem equipamentos mais eficientes. 

Mas atenção: entre novembro de 2020 e março de 2021, além da nova etiqueta que estará presente na embalagem, os eletrodomésticos têm de continuar a ostentar a antiga nas lojas (físicas e online). Durante esta fase de transição, o consumidor poderá ficar confuso ao verificar que um aparelho A+ na etiqueta antiga passe a ostentar, por exemplo, a classe D na nova etiqueta. E não é um engano do fabricante. Isto acontece por dois motivos. Primeiro, porque, com o novo escalonamento das classes, os equipamentos que se situavam nas classes mais altas na antiga etiqueta passam para classes intermédias na nova. Segundo, porque temos o efeito dos novos e revistos procedimentos de ensaio, mais adaptados às tecnologias e às realidades e que são mais exigentes. Assim, os equipamentos mais eficientes, na nova etiqueta energética e na fase de lançamento, situar-se-ão na classe B ou nas classes inferiores a esta.

Código QR com informação do aparelho

Na nova etiqueta energética, os fabricantes deverão integrar um código QR, com um acesso direto a toda a informação sobre o produto. Ao digitalizar o código QR com o smartphone, o consumidor será encaminhado para uma base de dados gerida pela União Europeia (EPREL). Aqui poderá visualizar e fazer o download da ficha técnica para todos os aparelhos com a nova etiqueta. O acesso à base de dados também será possível via internet. Tem ainda a vantagem de tornar possível um maior controlo e fiscalização dos equipamentos por parte das autoridades.

A medida beneficia os consumidores porque permite escolher um produto ou equipamento com melhor desempenho energético e, assim, poupar eletricidade. Além disso, com a nova medida, a União Europeia promove a corrida para a inovação tecnológica. Os fabricantes terão de se esforçar por desenvolver equipamentos mais eficientes do que os atuais, de modo a alcançar a classe A. 

Escala da etiqueta energética acompanha a evolução

Inicialmente, a nova etiqueta poderá ser colocada na interior da caixa do eletrodoméstico. A partir de março de 2021, terá de substituir a antiga, colada no produto e nas prateleiras das lojas e indicada também junto do produto, quando vendido no comércio online. 

A classificação de A a G não será estática: será reavaliada regularmente, em função da evolução tecnológica. Quando vários equipamentos alcançarem a classe A, haverá um novo escalonamento das escalas, de modo a incentivar a pesquisa e a inovação tecnológica, em busca de produtos cada vez mais eficientes e poupados.

Produtos eficientes por um planeta sustentável

Ficaremos atentos à implementação das novas etiquetas e ao respeito pelos prazos impostos e continuaremos a cumprir a nossa missão na defesa dos consumidores: testar os equipamentos, comparar os consumos e outros dados anunciados pelos fabricantes com os medidos por nós, verificar a correta afixação das etiquetas nos eletrodomésticos e denunciar situações enganadoras e incumpridoras à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). 

Escolher equipamentos mais eficientes e fazer um bom uso dos mesmos e da energia são passos essenciais para criar um planeta mais verde e sustentável. Porque o futuro do planeta depende de cada um de nós, junte-se à nossa campanha por um Dia Nacional da Sustentabilidade

Este é o primeiro de vários artigos que irão ser desenvolvidos no âmbito do projeto BELT (Boost Energy Label Take Up), financiado pela União Europeia ao abrigo do programa "Horizonte 2020", o qual visa prestar apoio na implementação da nova etiqueta energética e promover a adoção de equipamentos mais eficientes ao nível europeu. Em Portugal, a DECO PROTESTE é responsável pela sua implementação ao nível dos consumidores, em colaboração com a Worten, um outro parceiro nacional do projeto. Da mesma forma, o projeto europeu LABEL2020 (a cargo da ADENE, com o apoio da Direção-Geral de Energia e Geologia) trabalha, em paralelo, para a comunicação e apoio no processo de chegada das novas etiquetas energéticas junto dos distribuidores.

O documento explicativo em formato PDF, que pode ser descarregado em baixo, é a primeira ferramenta de apoio que o projeto BELT disponibiliza aos consumidores com o objetivo de explicar, de uma forma clara e direta, as novas etiquetas energéticas.

O projeto recebeu financiamento através do programa de investigação e desenvolvimento “Horizon 2020”, sob o contrato de subvenção nº847043 e 847062. Nem a EASME nem a Comissão Europeia são responsáveis pela informação veiculada nem pela utilização das informações contidas na mesma.

 

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